Caverna do Diabo: uma riqueza paulista

Uma das cavernas mais famosas do Brasil fica na cidade de Eldorado, bem perto da divisa com o Paraná, é a maior do Estado de São Paulo


O nome “Caverna do diabo” nos assusta logo de cara: Por que diabo? É um lugar tenebroso? Acontecia alguma coisa por lá? Inclusive já ouvi gente dizendo: se fosse “caverna de Deus” eu iria.

A verdade é que a história de seu nome é bem menos interessante do que as várias histórias que podemos imaginar. Os quilombolas da região levavam suas colheitas até a entrada da caverna, para guardá-las e preservá-las, já que é um local bem fresco. Porém, várias vezes, ao voltar, estava tudo remexido pelos animais da floresta.

Foto: Divulgação
Caverna do Diabo

As águas que passam por dentro da caverna produzem barulhos muito diferentes, muitas vezes parecidos com vozes humanas, como um burburinho. Assim, os moradores da região atribuíram o “vandalismo” com suas colheitas não aos animais, mas ao “diabo”, que moraria dentro da caverna.

Por conta desta lenda, a caverna ainda possui este nome, além de um “oficial”: Gruta da Tapagem. Mas estórias à parte, esta caverna é, nada mais, nada menos, que a maior do Estado de São Paulo. O Brasil possui mais de 7000 cavernas catalogadas e que podem ser visitadas, sendo cerca de 700 delas no estado de São Paulo.

A famosa Caverna do diabo fica na cidade de Eldorado, bem perto da divisa com o Paraná, e é cuidada pelo PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto do Ribeira), que comporta mais de 350 cavernas, além de cachoeiras, trilhas, comunidades tradicionais e quilombolas, sítios arqueológicos e paleontológicos.

Foto: Divulgação
Cachoeira do Araçá

Uma caverna se forma quando água ácida penetra no solo, entra em contato com rochas calcárias e as dissolve, formando “ocos” no relevo.

Quando as visitamos, percebemos que o teto e o chão parecem querer se tocar, formando, em alguns pontos, colunas: são as estalactites, formações do teto que descem pelos sedimentos e umidade, e as estalagmites, formações do chão desenvolvidas pelos pingos de água e sedimentos que caem das estalactites.

CAVERNA DO DIABO

A caverna do diabo tem cerca de 8000km de extensão, sendo apenas 10% (800m) abertos à visitação da população em geral, mas absolutamente acessível, com corrimãos, escadas e iluminação.

Para quem decide ir ao lugar e ver e ouvir com os sentidos da alma, é uma experiência de imersão e reintegração com uma energia arquetípica. Mas, mesmo quem está ligado mais nos sentidos objetivos consegue perceber a mudança energética que ocorre ali.

A grandeza e, ao mesmo tempo, sutileza, encanta a cada passo, a cada virada de cabeça que nos apresenta um ângulo de tirar o fôlego. São caminhos e salões que se formaram há milhares de anos. Carla Cocenza_ arterraturismo.com.br

Cachoeira do Araçá

Saindo da Caverna, há um ponto de bifurcação onde pode-se escolher ir para o início do complexo, onde tem o restaurante e estacionamento ou seguir uma pequena trilha até a Cachoeira do Araçá. O percurso é de 15 minutos caminhando lentamente, curtindo o ar puro e observando as diversas formas das folhas.

A Cachoeira cai formando diversos poços, sendo possível entrar em suas águas geladas refrescantes.
A região onde fica o PETAR é a de maior preservação da Mata Atlântica e eles fazem um excelente – e hercúleo – trabalho cuidando deste espaço tão especial e importante. Carla Cocenza_arterraturismo.com.br

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