Antidoping agora nos eSports

Adotado na Alemanha este ano, o exame tende a fechar o cerco contra o uso de drogas em grandes campeonatos


O exame antidoping é rotina nos campeonatos esportivos e agora bate à porta dos eSports. A maior organizadora de torneios de jogos eletrônicos, a ESL (Eletronic Sports League), declarou que vai realizar os testes de forma aleatória em seus eventos, a começar pelo ESL One, que acontece até domingo, na cidade de Colônia, na Alemanha. De acordo com a organização, os exames são feitos a qualquer momento do torneio, sempre em uma área reservada para manter a privacidade dos cyber-atletas. Os testes são por meio da saliva.
A decisão foi tomada logo após declaração de um jogador de elite admitir ter usado drogas para vencer um torneio de Counter-Strike, em julho. O vice-presidente da ESL, James Lampkin, acredita que a iniciativa seja seguida por outras organizadoras de torneios, uma vez que o valor das premiações e a pressão sobre os jogadores têm aumentado.

10% usam drogas
Segundo a WADA (Agência Mundial AntiDoping), mais de 10% dos atletas de elite consomem algum tipo de droga para melhorar o desempenho. Os prêmios ultrapassam os US$ 200 mil – o jogador Kory Friesen recebeu US$ 250 mil pelo primeiro lugar na competição. Com o rápido crescimento do setor, somente a ESL registrou mais de cinco milhões de jogadores nos últimos 10 anos.

A medida ainda não tem data prevista para desembarcar no Brasil. Segundo o organizador da BGS (Brasil Game Show), Marcelo Tavares, o tema ainda é uma novidade e, portanto, é preciso mais estudos sobre as reais consequências desses remédios sobre o desempenho dos jogadores.

“Acho esta uma discussão extremamente válida, que demonstra, inclusive, a grande importância que esta modalidade vem recebendo. É necessário analisar o potencial destas substâncias para comprovar se elas poderiam, de fato, interferir no desempenho dos atletas. Assim, vamos aguardar o andamento do processo e estimular a discussão para conscientização dos atletas”, diz Tavares. A BGS é a maior feira do gênero da América Latina.

A reportagem tentou contato com a organização da AGE (Animation, Games & Entertainment), mas não houve retorno.

Com a palavra, o jogador
Para o barbarense Luccas Vinícius Bagarollo Ferreira, 20, a competitividade aumenta quando as premiações são generosas e a adoção do antidoping ajudaria a barrar casos semelhantes ao de Friesen. Bagarollo conquistou o segundo lugar no FIWC (FIFA Interactive World Cup), em 2014, e foi campeão em outros três campeonatos regionais FIFA, que participou.

“Acredito que, pelo menos no Fifa, esses casos não sejam comuns porque as premiações aqui ainda não são tão grandes [.], então não faria sentido o jogador se submeter a algo do tipo. Mas com a popularidade dos esportes eletrônicos aumentando, cresce a competitividade e aí casos como esses podem se tornar frequentes”, diz. “Assim como nos outros esportes em que o exame é adotado amplamente, acredito que nos esportes eletrônicos será da mesma forma”, completa.

Mas até chegar às etapas finais, é comum rolar um “peneirão” online. “Ainda assim acho válido o antidoping porque o jogador pode até ser selecionado para as etapas finais, que são presenciais, mas vai se dar mal no final”, opina o americanense Michel Pereira Santo, 15, um dos muitos jovens que participam de campeonatos online.

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