Mitos e verdades sobre a cebola

Texto divulgado pelas redes sociais diz que o alimento cortado e armazenado é fonte de bactérias e que pode fazer mal à saúde


Foto: Pixabay
Não há dados científicos e nem pesquisas que comprovem os efeitos nocivos da cebola guardada por alguns dias

Recentemente, um texto que circulou nas redes sociais afirmava que a cebola cortada e armazenada crua poderia acumular bactérias, causando problemas de saúde. No entanto, nenhum dado científico ou pesquisa está relacionada a essa informação, o que gerou muitas dúvidas. Para solucionar esse e outros mitos da cebola, o Mais Sabor buscou a ajuda de especialistas no assunto.

Não há nenhum estudo que determine que, de fato, a cebola seja um “imã” de bactérias. Mas de acordo com a nutricionista Bruna Gardim, ela requer atenção especial na hora do consumo e do armazenamento.

“Devemos entender que todo alimento, após ser manipulado, deve ser consumido o quanto antes, tanto para evitar contaminação quanto para se aproveitar ao máximo os nutrientes ali presentes. Com a cebola não é diferente, contudo, ela merece uma atenção especial no acondicionamento pelo fato de conter inulina”, disse.

A inulina, segundo a nutricionista, é um pré-biótico natural, ou seja, serve como alimento para as bactérias boas que vivem no nosso intestino. É considerada um nutriente excelente para a saúde, principalmente para quem tem intestino preso. “Entretanto, por este fator, também é um foco maior das bactérias ambientais, por isso deve se ter atenção na sua forma de armazenamento”.

A especialista ensina a melhor maneira de manusear e armazenar a cebola. Segundo Bruna, ela pode ser guardada tanto dentro da geladeira quanto fora, antes de usada. “Depois de manipulada, o ideal é sempre utilizá-la na hora, mas como nem sempre é possível, é aconselhável picar, secar com o papel toalha e deixar em um potinho de vidro fechado na geladeira por no máximo um dia”, explicou.

Quem preferir, pode congelar em porções pequenas e ir utilizando durante a semana. Existe ainda uma terceira forma de conservação, que é misturando a cebola picada e seca com azeite e sal. “Isso ajudará a mantê-la por mais tempo na geladeira e ainda resultará em um azeite saborizado, delicioso para refogar alimentos”, garantiu a nutricionista.

O conselho da especialista é que a cebola seja consumida crua. “A maioria dos alimentos perde parte de seus nutrientes e fibras quando submetidos a altas temperaturas. Uma dica interessante para minimizar o ardido da cebola é picar e mergulhá-la em água gelada por alguns minutos antes de consumi-la”.

OUTROS MITOS. Além da questão de se tornar um “depósito” de bactérias, o boato na internet diz que a cebola é um poderoso aliado no combate à gripe. No entanto, o alimento não evita a doença, uma vez que ela é causada pelo vírus influenza e não por bactérias, como diz a mensagem. Por isso, a presença da cebola no ambiente não tem nenhuma eficácia para controlar a transmissão da gripe, que é uma doença causada por vírus de transmissão pessoa a pessoa.

Especialistas confirmam que cebola é prejudicial aos cães

Um trecho da mensagem diz que a cebola não pode ser consumida por cães, já que eles não conseguem metabolizar o alimento. Segundo especialistas, essa afirmação é verdadeira: a ingestão de cebola realmente intoxica o animal. Elaa contém tiossulfato e os cães não têm a enzima para metabolizar essa substância corretamente, causando metahemoglobinemia, que transforma a hemoglobina em metemoglobina, impedindo a hemoglobina de levar oxigênio para células, fazendo com que o animal fique anêmico.

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