Ursos transferidos do Ceará iniciam vida nova em santuário de Joanópolis

Ursos foram transferidos após decisão judicial considerar que as altas temperaturas poderiam ter efeitos negativos para a saúde dos animais


Depois de muitos anos enfrentando o típico calor do Nordeste, no Estado do Ceará, o casal de ursos-pardos Verrú e Mizar está aos poucos se adaptando ao ambiente mais ameno do interior de São Paulo.

Desde o último dia 30, os dois animais têm vida nova no santuário Rancho dos Gnomos, em Joanópolis, na região de Bragança Paulista. Segundo a veterinária Carla Spechoto Mariano, urso e ursa chegaram separados, mas já estão juntos. “Eles tiveram uma adaptação muito rápida e estão superfelizes. Os dois comem juntos, já tomaram a nossa chuva e adoraram”, contou.

Ver essa foto no Instagram

Momento tartaruga do Verrú hoje à tarde ( Vídeo: @bibi_ )

Uma publicação compartilhada por Rancho dos Gnomos (@ranchodosgnomos) em

O casal de ursos-pardos foi transportado de avião para São Paulo depois de uma decisão judicial ter considerado que as altas temperaturas da cearense Canindé poderiam ter efeitos negativos para a saúde dos animais. Verrú estava no zoológico da cidade havia onze anos, enquanto Mizar vivia ali havia nove. Os dois tinham sido resgatados em circos, onde sofriam maus-tratos.

A transferência dos animais levou quatro dias e exigiu uma logística que envolveu policiais militares ambientais, funcionários do zoológico de Canindé, uma equipe do santuário paulista e representantes da Comissão de Defesa dos Direitos dos Animais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A Latam Cargo e a empresa Porto Seguro colaboraram com as partes aérea e terrestre do transporte. Os dois ursos viajaram separados, em voos diferentes, em caixas especiais.

Ver essa foto no Instagram

Assista ao vídeo de mais essa bem sucedida ação do Rancho.

Uma publicação compartilhada por Rancho dos Gnomos (@ranchodosgnomos) em

O recinto construído para eles em Joanópolis foi custeado com doações para contas do Instituto Luisa Mell, que atuou para a transferência. Doações feitas diretamente para o Rancho custearam despesas de viagem e hospedagem das pessoas envolvidas na logística do transporte.

A estrutura do santuário inclui piscina com capacidade para 80 mil litros, área de descanso e alimentação, gramados e quartos onde os animais dispõem até de camas com colchão de capim. “Eles ainda não apreenderam a dormir nas camas e põem o feno no chão. Porém, já ficam juntos na toca deles, passeiam pelo recinto, entram na piscina e brincam com as bolas de material especial”, disse a veterinária.

Calor

O processo de transferência dos ursos-pardos, até então chamados de Dimas e Kátia, começou com uma ação judicial movida pela associação Viva Bicho contra o zoológico. Os ativistas alegaram que, embora estivessem em situação melhor que antes, nos circos, as condições não eram ideais, pois os ursos, originários de regiões frias, estavam sofrendo com o calor nordestino.

Ao mesmo tempo, a ativista em defesa dos animais Luisa Mell iniciou uma campanha, em redes sociais, para transferir o casal para um local mais adequado. A ativista já havia conseguido, anteriormente, a transferência da ursa Rowena, que também vivia no Nordeste, em Teresina (PI), para o santuário de Joanópolis.

Em julho, uma liminar da juíza Tássia Fernandes Siqueira determinou a transferência. “Se há atualmente uma possibilidade de reduzir o desconforto gerado pelas altas temperaturas, proporcionando aos animais plena liberdade para expressar seu comportamento natural, esse deve ser o caminho também natural para o caso concreto”, escreveu.

O zoo de Canindé poderia entrar com recurso, mas firmou um acordo com a associação Viva Bicho para que os ursos fossem transferidos. Junto com a nova casa, o casal ganhou novos nomes. De acordo com Carla, o santuário não é aberto à visitação. “São vítimas de maus tratos, por isso o contato com o ser humano é restrito ao indispensável”, disse. Devido à idade um pouco avançada – entre 26 e 27 anos, para uma expectativa de vida entre 30 e 35 anos – é improvável que o casal se reproduza. “Não é essa a intenção, aliás, eles estão juntos há cerca de dez anos e nada aconteceu”, disse a veterinária.

O santuário perdeu em julho deste ano a ursa Rowena, que havia sido transferida do Piauí. A fêmea, também idosa, morreu devido a complicações de um tumor. Quando vivia sob o calor de 40 graus em Teresina, Rowena ficou conhecida como “a ursa mais triste do mundo”. Antes chamada de Marsha, ela inspirou a cantora Rita Lee a escrever o livro “Amiga Ursa – Uma história triste, mas com final feliz”, que conta a história do resgate desse animal, vítima de maus tratos.

LIBERAL VIRTUAL Acesse agora