Saiba como reduzir o estresse dos pets em datas festivas

Com a audição mais aguçada que a dos humanos, os bichos de estimação podem se sentir ameaçados e se machucar na hora de buscar um abrigo


Reunir família e amigos em casa nas datas comemorativas é sempre bom, mas será que o cão ou o gato que mora no local está preparado para isso? Com a audição mais aguçada que a dos humanos, os bichos de estimação podem se sentir ameaçados e se machucar na hora de buscar um abrigo.

“Muitas casas não têm ninguém o ano inteiro e de repente tem 20 pessoas. Os animais ficam acuados ou mais agressivos, tentado proteger o ambiente”, diz o adestrador e especialista em comportamento animal Cleber Santos, proprietário da ComportPet.

Ele explica que a audição dos cachorros é dez vezes mais aguçada que a dos humanos. Se o pet não estiver acostumado com fogos de artifício, por exemplo, vai ficar com medo por achar que o barulho é dentro do lugar onde ele está.

Por ficar nesse estado, o animal pode se machucar ao tentar fugir ou se esconder, entrando em compartimentos de difícil acesso ou, em casos extremos, se jogando da varanda de um prédio, por exemplo.

Foto: Jhonatan Chicaroni
Confira dicas para o seu animal de estimação curtir as festas de fim de ano

Segundo Amanda Peres, veterinária da área de Segurança e Confiança da DogHero, o estrondo repentino dos fogos é o problema. “O objetivo é distrair o animal para ele não prestar atenção no barulho”, diz, aconselhando a deixar janelas e cortinas fechadas para amenizar o som.

O adestrador também faz um alerta quanto à criação do pet. “Alguns donos protegem tanto, que os animais começam a criar alguns costumes, perdem a autoconfiança e começam a ter medo de qualquer barulho, de campainha”, afirma.

Por isso, é importante preparar o companheiro de quatro patas na medida certa. Confira abaixo algumas dicas para diminuir o estresse dos bichos de estimação durante datas festivas:

Evite deixar o animal sozinho

“Ele precisa de alguém de confiança, o dono dele ou alguém com quem já ficou”, orienta Amanda Peres. Deixá-lo sozinho pode aumentar o estresse e o instinto de fuga. Se o animal estiver acompanhado, a veterinária recomenda que a pessoa não fique tensa com a situação do bicho de estimação e transmita tranquilidade para ele.

Acostume o animal com a situação

No caso de fogos de artifício, o adestrador diz que há CDs que reproduzem o som dos estouros e podem servir para treinar os animais. Ele recomenda começar o treinamento de dois a três meses antes das festas.

Feche portas e janelas

Fugir é uma das primeiras reações do pets quando estão assustados ou se sentem ameaçados. Os especialistas orientam bloquear as passagens para evitar possíveis acidentes. Além disso, a dica ameniza boa parte do som externo. Vale, também, abafar ruídos de fora com um som interno um pouco mais alto. Televisão ligada ou até o barulho do ventilador ajudam, segundo Amanda.

Distraia o animal

Santos indica deixar a alimentação do animal para quando o barulho ou a reunião de pessoas ocorrer. Isso vai tirar o foco dele e fazê-lo associar o som com algo positivo.

Canse o animal durante o dia

Como as comemorações ocorrem, geralmente, no período da noite, a dica favorece a tranquilidade na ocasião. “Ele terá menos energia para tentar fugir ou se machucar”, avalia Santos.

Deixe o pet seguro

Na tentação de fugir, é importante que haja um espaço para que o companheiro se sinta confortável. Pode ser a casinha dele ou um quarto onde costuma ficar. Amanda indica deixar os brinquedos ou a comida próximos também e tirar do caminho qualquer objeto que possa machucá-lo. O mais importante, segundo ela, é deixar o pet confortável até ele se sentir seguro para sair, nunca forçá-lo.

Use coleira

O artefato pode ser considerado quando muitas pessoas se reúnem na casa. Cleber Santos indica deixar o animal com coleira por cerca de 30 minutos, até ele ficar mais tranquilo e se acostumar com as visitas. Enquanto isso, é importante deixá-lo livre, não no colo, e apresentá-lo às pessoas ou oferecer algum petisco para gerar uma associação positiva.

o caso dos gatos, é possível usar a mesma técnica, mas o especialista aponta que a coleira é uma questão de costume. “Os animais aprendem tudo por repetição. Se ninguém põe (coleira no gato), ele não vai gostar”, diz. Santos orienta tentar fazer o animal passar pela situação antes para que entenda que está seguro. “Vale acostumar o gato com coleira, alimentá-lo quando alguém chegar. O gato é muito confiável”, afirma o adestrador, que também recomenda nunca forçar os animais.

Dar carinho nem sempre é o melhor

“Não é indicado, porque o animal vai entender que, quando tiver medo, terá colo. Ele vai ter cada vez mais medo só para ter o colo”, explica Santos. A veterinária diz que pegar no colo pode transmitir ao pet a mensagem de que ele realmente está em perigo e precisa ser protegido. “Pode fazer carinho, mas precisa deixá-lo solto no ambiente, não tirá-lo do espaço”, afirma.

Medicamentos

A possibilidade de dar tranquilizantes para os bichos de estimação só deve ser considerada em casos severos, segundo Amanda. “Só se o animal passou em consulta e o veterinário prescreveu. Sedar ou deixá-lo mais tranquilo só em caso de ele ser muito agressivo ou perturbado”, diz. Santos alerta que alguns animais podem ter problemas no coração e o remédio provocar uma parada cardíaca.

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