Animais de estimação podem trazer benefícios

Cuidar de bichinhos pode melhorar aspectos físicos e emocionais, mas especialistas reforçam: cuidado com a humanização dos pets


Quem tem um bichinho de estimação em casa conta com uma “proteção” a mais contra doenças, sejam elas físicas ou emocionais. Pesquisas realizadas ao redor do mundo e especialistas de diversas áreas médicas apontam o convívio com cães, gatos ou outros animais domésticos pode trazer benefícios à saúde dos seus tutores. Mas também reforçam que o exagero e a humanização do animal, cada vez mais comum na sociedade, pode gerar pontos negativos. “A convivência promove benefícios, tanto físicos quanto psicológicos”, salienta a psicanalista Cristiane Maluf Martin. “Existe uma série de pesquisas, no Brasil e no mundo, que mostram que ter um bichinho de estimação em casa contribui para que a pessoa, por exemplo, não sofra de depressão. A relação também diminui a probabilidade de infartos”.

Foto: Freepik
As crianças e os idosos são os que mais ganham com a relação entre seres humanos e animais

Benefícios para criança e idosos
As crianças e os idosos são os que mais ganham com a relação entre seres humanos e animais. Para os pequenos, um animal de estimação ajuda a criar o senso do “cuidar”, de acordo com a psicanalista Cristiane Maluf Martin. “Além da coordenação motora, a criança também desenvolve noção de responsabilidade, já que aquele é um ser vivo e precisa de cuidados”, diz a especialista. Já para os idosos, o convívio com animais de estimação proporciona a melhora clínica de algumas doenças, além de servir de companhia, especialmente no caso em que a pessoa é viúva.

Dorival e a fiel amiga Nina
Há cerca de dois anos, o tecelão Dorival da Silva Luvisetti, de 60 anos, morador do Jardim Nielsen Ville, em Americana, tem na cadelinha Nina uma verdadeira companheira. Tanto, que foi depois da chegada dela que o tecelão decidiu transformar uma área verde abandonada na Rua dos Lírios. “Eu saia para passear com ela e via esse terreno com lixo e mato. Resolvi tirar a sujeira, plantar algumas flores e plantas para ficar mais bonito”, explica. Agitada e muito esperta, Nina acompanha Dorival onde quer que vá. “Se eu abrir o carro ela já entra dentro. Ela até fez amizade com as pessoas da rua”, brinca. Para o tecelão, os animais têm o poder de transformar o cotidiano das pessoas. “Gosto muito de animais e acho que eles ajudam a ‘desestressar’. A Nina, com certeza, retribuiu todo o carinho que damos à ela”.

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal
Dorival e a fiel amiga Nina
Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal
José Odécio de Camargo encontrou na poodle Layla e no vira-lata Zac dois bons amigos

José Odécio, Layla e Zac
O aposentado José Odécio de Camargo, de 88 anos, encontrou na poodle Layla e no vira-lata Zac dois bons amigos. Antes, de acordo com a filha, a professora Marili de Camargo, ele não era tão “fã” de pets, mas tudo mudou com a chegada da Layla. “Quando ele a viu filhotinha, na mão dele, foi amor à primeira vista”, brinca. Já o Zac foi adotado, quando o aposentado o encontrou abandonado e com frio no quintal de uma casa. “Hoje os dois são meus companheirinhos. Eles sempre vêm me procurar com alegria. Eu converso com os dois, e parece que eles entendem. Hoje, eles me entretêm, ajudam a passar o tempo”, diz Odécio. Marili concorda. “Depois que eles chegaram, meu pai ficou mais paciente, mais calmo. Antes era muito nervoso, talvez por causa do trabalho. Hoje ele é até um protetor dos bichinhos”, conta.

Pesquisas comprovam benefícios
Diversas pesquisas ao redor do mundo comprovam que ter um pet traz benefícios à saúde. De acordo com o National Institutes of Health (Instituto Nacional de Saúde, em inglês), dos Estados Unidos, as pessoas que se relacionam com animais domésticos ganham com a diminuição da pressão arterial, dos níveis de colesterol e triglicérides. Já segundo um estudo realizado por psiquiatras da Clínica Médico-Psiquiátrica da Ordem, em Porto (Portugal), adotar um pet pode amenizar as dores de pacientes com tipos perniciosos de depressões que não respondem aos tratamentos médicos convencionais. Em São Paulo, um projeto de lei autoriza a entrada de animais de estimação em hospitais públicos da capital paulista para visitar pacientes. De acordo com o texto da lei, os animais precisam estar comprovadamente higienizados, com vacinação em dia e devem ser transportados em caixas adequadas. Cães e gatos precisam estar presos por guias. O objetivo da medida é permitir que pacientes desfrutem de mais “carinho e alegria”.

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Adotar um pet pode amenizar as dores de pacientes com tipos perniciosos de depressões

Extremismos são ruins
Apesar de todos os pontos positivos que os pets trazem, a psicanalista Cristiane Maluf Martin reforça que uma relação extrema, no entanto, requer cuidados. “A relação entre humanos e animais é tudo de bom, desde que a pessoa não queira humanizar esse animal”, reforça. De acordo com Cristiane, tudo o que é exagerado, se torna ruim. “Hoje em dia as pessoas estão tratando [os animais] como se fosse um filho, um bebê, dando coleira de brilhantes, festa de aniversário para cachorro, isso já está além do limite. Além disso, para muita gente é melhor ter uma relação com o animal do que com outras pessoas, já que eles não falam, não te criticam e nem te questionam. Muitos estão substituindo pessoas por animais e isso é péssimo. Tudo que vai além do limite é patológico”, adverte.

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