Transporte por aplicativo: despesa na ponta do lápis

Motoristas fazem cálculos para os gastos com manutenção não impedirem o lucro no fim do mês


Motoristas de transporte por aplicativo passam o dia, ou até a noite, circulando. Então, aqueles que usam veículo próprio precisam arcar com a manutenção do carro com mais frequência, pelo menos em comparação a um motorista comum. Diante dessa realidade, há profissionais que colocam os gastos na ponta do lápis, para, no fim das contas, as despesas não superarem as receitas.

Carlos Donizeti de Godoy Silva, de 44 anos, trabalha no ramo há dois anos, em Americana. Antes, ele fazia transporte de carga e, como forma de controle, tinha uma planilha de gastos, sistema que ele adota até hoje.

“Fiz uma média e cheguei a um número mensal, para poder chegar no coeficiente diário, para eu saber mais ou menos o quanto eu preciso fazer por dia para pagar o combustível, para pagar a manutenção do carro e para gerar o meu salário”, diz.

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal
Carlos Donizeti de Godoy Silva trabalha como Uber há dois anos e utiliza uma planilha de gastos do tempo que ainda fazia transporte de carga

A Uber, principal transporte por aplicativo do País, paga aos motoristas R$ 1,50 por viagem, mais R$ 0,82 por quilômetro rodado e R$ 0,15 por minuto transcorrido. Com base apenas no pagamento por distância, Silva calcula uma receita líquida de R$ 0,38 centavos por quilômetro. O restante vai para despesas, o que inclui manutenção e combustível.

Ele leva o carro para a revisão, em média, a cada 60 dias, que é o período quando o automóvel atinge 10 mil quilômetros. “O meu carro já está com 70 mil rodados. Provavelmente, já vão começar as manutenções. Aí o custo aumenta”, aponta.

Luís Bardella, de 56 anos, que também é Uber, chega a 10 mil quilômetros, por vezes, em um mês. O profissional utiliza um carro que ele comprou novo, em março de 2018, e já bateu a marca de 110 mil quilômetros.

Bardella afirmou ter feito as revisões, regularmente, até 90 mil quilômetros. Na concessionária, o serviço custava de R$ 350 a R$ 450, de acordo com ele. “Esse é um custo que dá para você. São [despesas] preventivas”, destaca.

O motorista parou de fazer as revisões porque o preço começou a aumentar. De acordo com Bardella, o valor ficou entre R$ 500 a R$ 600. Ele apontou que, agora, começa a ter dificuldades com relação à vida útil de cada peça. Nesta semana, por exemplo, o veículo teve um problema elétrico, que poderia ser evitado se tivesse havido a revisão de 100 mil quilômetros.

A troca da peça que apresentou defeito custou em torno de R$ 300. “Não considero alto, em função da tecnologia embarcada do carro, que é um carro moderno”, ressalta. Já houve, inclusive, a necessidade de troca dos pneus.

No entanto, tudo isso já está dentro do planejamento de Bardella. “No meu ganho, eu consigo colocar esses gastos diluídos no ano”.

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