Renault faz combinação eficiente no novo Duster

Renault Duster Dynamique 1.6 CVT alia bom preço, espaço, conforto e trem de força econômico no mercado de SUVs


Tem certas movimentações no universo automotivo que, inicialmente, parecem um tanto temerárias. A Renault, por exemplo, manteve o Duster no line up mesmo depois de lançar seu novo SUV compacto, o Captur, ambos com a mesma plataforma, motorizações e base tecnológica. Seria mais do que natural imaginar que um modelo “mataria” boa parte das vendas do outro – fosse pelo visual mais antiquado do Duster, ou pela tabela de preços mais elevada do Captur.

Mas o fato é que a fabricante francesa conseguiu, com isso, se destacar novamente nas vendas de utilitários compactos. E o Duster, que parecia fadado à extinção nas lojas, fechou 2018 com 1.965 unidades mensais emplacadas, ou seja, pouco menos que as 2.208 registradas pelo Captur. Juntos, porém, os dois modelos fizeram a Renault ser responsável por despejar mensalmente 4.173 SUVs compactos nas ruas. Isso é mais do que a média de 4.081 unidades mensais emplacadas do Hyundai Creta ao longo do ano passado, o utilitário esportivo compacto mais vendido do Brasil.

No caso do Duster, sua boa relação de custo/benefício ajuda nesses números, principalmente na versão Dynamique 1.6 CVT, equipada de forma satisfatória, sem pedal de embreagem e preço competitivo no segmento.

Um dos principais apelos para esse crescimento, na verdade, está na adoção da transmissão continuamente variável. Além de eliminar o pedal de embreagem e tirar do condutor a obrigação de se preocupar com as trocas de marchas, ela também se mostra mais vantajosa quando a intenção é garantir um equilíbrio entre conforto e economia de combustível. O câmbio de origem Nissan ganhou um novo tratamento para garantir respostas mais rápidas do motor, que também adotou algumas tecnologias que reduzem o atrito entre as peças.

O propulsor rende 120 cv e 16,2 kgfm máximos de potência e torque, respectivamente. A sigla SCe vem de Smart Control Efficiency – ou controle inteligente de eficiência. Desenvolvido pela Renault Tecnologia Américas (RTA), o propulsor é fabricado no Paraná e feito em alumínio, garantindo 30 kg a menos que o 1.6 utilizado antes. Traz duplo comando de válvulas variável na admissão e injetores posicionados no cabeçote. A versão Dynamique do Duster 1.6, com câmbio CVT, parte de R$ 86.990 no mercado.

Foto: Márcio Maio / Carta Z Notícias
Renault Duster Dynamique 1.6 CVT

Impressões ao dirigir

É normal que a escolha de um automóvel vá além de fatores racionais. Nesse sentido, o design e o recheio tecnológico são dois dos pontos que mais chamam a atenção dos consumidores, segundo apontam as próprias marcas. Talvez por isso cause tanto estranhamento uma fabricante apostar em um desenho tão datado quanto o do Renault Duster. Circular com um modelo 2019 ou um de quatro ou cinco anos atrás causa o mesmo impacto nas ruas: nenhum olhar curioso, nem mesmo por uma opção de cor nova ou mais ousada no catálogo do SUV.

E isso certamente depõe contra o carro. O interior decepciona um pouco, já que parece um tanto simples para um veículo que custa quase R$ 90 mil. O espaço, porém, é bom e quatro passageiros viajam bem, sem apertos. A central multimídia é funcional, mas falta uma interatividade maior com smartphones. Apple CarPlay e Android Auto ficam de fora, o que faz com que o equipamento pareça um tanto defasado.

Em movimento, o Duster 1.6 com câmbio CVT é um crossover que não chega a empolgar, mas não faz feio. Basta pisar com um pouco mais de força o acelerador para o carro ganhar alguma agilidade, só que sem grandes rompantes de potência. O torque máximo, de 16,2 kgfm, só dá as caras aos 4 mil giros. E é perto dessa faixa de rotação mesmo que o SUV se mostra mais enérgico.

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