Tesla Model 3 já é realidade no Brasil

Elétrico e repleto de tecnologias, automóvel é um dos mais esperados do século em função de seu alto custo/benefício


A Tesla já é uma realidade, mesmo no Brasil, onde seus veículos chegam via importadores independentes. No portfólio, os modelos S e X foram os pioneiros e serviram como introdução à marca e também à sua vasta tecnologia. Mas foi há três anos que Elon Musk, o CEO da fabricante, anunciou o início da construção do Model 3, novo carro de entrada, com a promessa de venda por US$ 35 mil, cerca de R$ 131 mil, e também de comercialização poucos meses depois.

Com isso, Musk conseguiu uma lista de 400 mil clientes eufóricos que, para garantir um lugar na fila de pedidos, deixaram um depósito de US$ 1 mil, aproximadamente R$ 3.800. A curiosidade sobre o veículo foi tanta que o portal de notícias Bloomberg.com criou uma espécie de contador, quase em tempo real, de Tesla Model 3 produzidos desde o seu lançamento. Esse número já ultrapassou 235 mil unidades.

Foto: Divulgação
Tesla Model 3 custa R$ 230 mil em território brasileiro

O público dos Estados Unidos precisou esperar mais de um ano para as entregas e, na Europa, esse prazo foi ainda maior. No México, local onde a avaliação foi realizada, demorou quase três anos para que o carro pudesse ser visto nas ruas. No Brasil, já é possível importar sua configuração de entrada por cerca de R$ 230 mil.

Mas o teste realizado na Cidade do México, na verdade, foi em sua configuração topo de linha, a Dual Performance, que custa cerca de US$ 70 mil ali, ou seja, algo em torno de R$ 232 mil. A variante recebe dois motores, um em cada eixo, e oferece o grau máximo de equipamentos disponível e de desempenho. Por outro lado, não é a versão que entrega mais autonomia.

As dimensões são 4,69 metros de comprimento total, largura de 1,93 m e altura de 1,44 m, com distância entre-eixos de 2,88 m. O peso desta versão é de 1.847 kg. Juntos, os dois propulsores atingem potência de 453 cv e torque de 65,1 kgfm. A bateria é de lítio, de 75 kWh, e é possível extrair dela autonomia de 499 km, de acordo com a fabricante, nesta configuração.

Apesar da ideia de sustentabilidade, a personalidade esportiva é inegável: o Model 3 consegue partir do zero e chegar a 100 km/h em apenas 3,5 segundos, além de alcançar velocidade máxima de 260 km/h. A tecnologia impera. No interior, uma tela sensível ao toque de 15 polegadas aparece no centro e praticamente tudo que pode ser configurado no carro é feito por comandos nesse sistema multimídia, por diferentes menus. Os únicos controles físicos estão no volante, nas alavancas seletoras de setas e no câmbio.

Primeiras impressões

A qualidade dos materiais na cabine do Tesla Model 3 impressiona.

Os revestimentos são em couro, com um toque suave e tudo muito bem-acabado. Dá até para deixar o ambiente mais descontraído. Por exemplo, é possível selecionar o emblema da Atari e jogar na tela, com uma resolução de 8K e utilizando os pedais do veículo, além do volante. Obviamente, isto só é possível com o carro parado.

Outra opção é um comando chamado Fart on Demand, que promove uma brincadeira meio “ogra” com os ocupantes em que o carro simula uma flatulência em qualquer um dos assentos do modelo. A melhor parte do Model 3, no entanto, está mesmo no desempenho. A experiência com o modelo durou pouco menos de 800 km.

Na cidade, o carro tem respostas imediatas e, como um elétrico deve mesmo ser, é extremamente silencioso. A atuação dos freios é repentina quando não se está acostumado com eles, basta encostar o pé para a desaceleração vir. Na estrada, não importa se há trechos com grande altitude, a pressão atmosférica não afeta o veículo.

Graças à configuração de dois motores, um em cada eixo, a tração é integral e o próprio peso da bateria ajuda a criar um centro de gravidade muito baixo, que permite encarar curvas sem o menor balanço de carroceria. Porém, há uma ressalva: quando se exige muito do acelerador e praticam-se velocidades muito altas, é preciso recarregar a bateria bem antes dos tais 499 km de autonomia prometidos.

A verdade é que o Model 3, em qualquer de suas versões, já se tornou uma opção possível para o comprador que busca um sedã vigoroso – como os alemães BMW Série 3, Mercedes-Benz Classe C e Audi A4. Uma alternativa viável, com algumas limitações de infraestrutura, mas acima de tudo sintonizado com a tendência ecológica que circula pelo universo automotivo.

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