Karma Revero tenta emplacar novo sedã

Carro tem bom desempenho e tecnologia, mas deixa a desejar em itens básicos de comodidade e segurança


O designer Henrik Fisker, famoso por criações como o BMW Z8 e o Aston Martin DB9, tinha um desejo bem ambicioso: ter uma marca de automóveis movidos a eletricidade que carregasse seu nome. Ele, então, foi adiante: em meados de 2008, ingressou na indústria automotiva com o Fisker Karma, um impressionante sedã esportivo com motorização elétrica de alcance estendido que começou suas vendas no final de 2011.

O alcance estendido funciona como um sistema composto por um motor a combustão, cujo trabalho exclusivo é gerar energia para manter a bateria carregada. Importante dizer que não se trata de propulsão híbrida, já que, para isso, o motor a gasolina deveria ter uma caixa de transmissão acoplada em algum dos eixos para mover o carro por si só, o que não é o caso deste modelo. Porém, os planos de Fisker não vingaram muito.

Foto: Divulgação
Karma Revero

Foram fabricadas em torno de 2 mil unidades do Karma na Finlândia, que logo pararam de ser produzidas devido às incertezas do mercado e aos altos custos de produção. Agora, depois de investimentos e parcerias com grupos chineses, a companhia se reergueu e tenta mais uma vez emplacar um sedã, com o mesmo desenho, mas com tecnologia aprimorada e novo nome: Karma Revero.

Fabricado na Califórnia, o Revero é um sedã de quatro portas que, esteticamente, mescla o estilo dos melhores “muscle cars” americanos com a exuberância e elegância de esportivos europeus. Destaque para os para-lamas proeminentes e para as linhas curvas, que dão vida a uma silhueta larga e estilizada.

Foto: Divulgação
Karma Revero

A aparência é impecavelmente luxuosa, com materiais que imprimem bastante qualidade, como, por exemplo, a tapeçaria de pele vinda da escocesa Bridge of Weir e os elementos de fibra de carbono à vista. O interior é menos chamativo que o exterior, mas também não decepciona. Em relação ao tamanho, as medidas são generosas: são 5 m de comprimento, 2,13 m de largura, 1,33 m de altura e 3,16 m de entre-eixos.

O Karma Revero tem configuração de tração traseira. A bateria de 21,4 kWh é instalada no centro do carro, como se fosse um túnel de transmissão. Ela alimenta dois motores síncronos abrigados sobre o eixo posterior, que geram 403 cv de potência e 126,9 kgfm de torque.

Foto: Divulgação
Karma Revero

Já abaixo do capô, na frente, está o motor a combustão com turbo, de origem General Motors, de 235 cv e 35,7 kgfm, que serve para alimentar a bateria. Completamente recarregado, o modelo consegue rodar 80 km sem que seja necessário ativar o motor a combustão. Mas, os 36 litros de gasolina do tanque permitem que o carro chegue aos 400 km de autonomia.

Pelo valor de US$ 180 mil, o Karma Revero deixa a desejar em alguns quesitos que deveriam ser obrigatórios em carros dessa faixa de preço e porte. Por exemplo, não há sensor de ponto cego, controle de cruzeiro adaptativo ou frenagem de emergência.

PRIMEIRAS IMPRESSÕES

EMOÇÃO COMEDIDA

A primeira coisa que chama atenção é o ruído. Num carro elétrico, espera-se um silêncio absoluto durante o funcionamento, mas esse não é o caso do Revero. Isso porque se escuta o motor a gasolina.

Foto: Divulgação
Karma Revero

Apesar disso, a marca fez um bom trabalho de isolamento acústico da cabine, abafando bastante o barulho do vento e do atrito com o chão dos grandes pneus de perfil 35 e 22 polegadas de diâmetro.

Há três modos de condução, o Stealth, que é 100% elétrico, ou seja, consome a bateria e não exige recarga do motor a combustão; o Sustain, que mantém a bateria sempre recarregada graças à função do motor gerador; e o Sport, onde o motor elétrico puxa a maior carga possível da bateria para extrair a maior potência, enquanto o propulsor a gasolina não para nunca de funcionar.

A aceleração é naturalmente linear e bastante feroz quando se pisa no acelerador com vigor. Mas sem grandes emoções, até mesmo pela grande massa de 2.449 kg.

Em curvas e com modo Sport ativado, o sedã se mostra interessante, mesmo pesado, já que tem repartição de peso em 50/50, o que permite cortar curvas em velocidade com a suspensão equilibrando bem a carroceria. A direção também é boa, bastante direta e com muito tato, além dos freios Brembo, que conseguem parar o modelo com precisão.

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