Audi A3 muda ao chegar no Brasil

Audi mantém o visual, mas promove mudanças de conteúdo e mecânicas no A3 sedã feito no Brasil


Pode até não parecer, mas o Audi A3 sedã mudou. Desde setembro, ele está sendo produzido em São José dos Pinhais, no Paraná, e neste processo de nacionalização, não alterou a forma, mas reforçou o conteúdo. Afinal, o carro tem uma função fundamental na retomada da marca como fabricante nacional – interrompida em 2006, com o fim da produção do A3 hatch. Até por um “vício de origem”, o A3 importado da Hungria se restringia ao papel de modelo de entrada e ficava alijado de recursos mais sofisticados, reservados a modelos superiores. Só que agora ele tem de reafirmar a condição de sedã de luxo. Por isso, os pacotes de opcionais ficaram mais completos. Contêm desde câmara de ré e partida por botão até controle de cruzeiro adaptativo, sistema de estacionamento autônomo, monitoramento da faixa de rolamento e comutador automático de farol alto.

Em geral, os itens de série se mantiveram os mesmos do modelo importado. O que mudou foi a parte mecânica. Para começar, o motor 1.4 litro TFSI – turbo de injeção direta – passa a ser flex. Ele está sendo produzido na unidade de motores da Volkswagen em São Carlos, interior de São Paulo, e é o mesmo que vai equipar o Golf nacional, que só deve chegar ao mercado no início de 2016. Além de aceitar etanol, este propulsor ganhou um novo cabeçote, com comando variável tanto na admissão quanto no escape, e passou a render 150 cv de potência – contra os 122 cv do modelo húngaro. O torque também subiu de 20,4 para 25,5 kgfm. O câmbio também muda: sai de cena a “frágil” S-tronic com dupla embreagem e sete velocidades para a entrada de uma robusta transmissão automática Aisin, de seis marchas.

Outra mudança foi na suspensão traseira, que passa a ser por eixo de torção. A multilink, que equipava o A3 sedã importado, fica reservada para a versão Ambition, que deve chegar ainda este ano. A top de linha terá motor 2.0 TFSI de 220 cv trazido da Alemanha. Por enquanto, a Audi trabalha apenas com a versão de entrada Attraction e a intermediária Ambiente. As diferenças entre elas nem são muito grandes. De série, a Ambiente traz a mais apenas rodas de 17 polegadas em vez de 16, sensor de luz e chuva e volante multifuncional com shift paddles. Mas o que distancia as duas é o acesso aos pacotes opcionais. A Attraction tem apenas a pintura metálica na lista.

Seja como for, mesma a versão de entrada já vem bem completa, principalmente em relação à segurança. Além dos itens obrigatórios, como ar, trio e direção assistida, ela chega com sete airbags, faróis bi-xênon, controle de estabilidade, sistema multimídia com tela de 5,8 polegadas e sistema start-stop – perdeu em relação à Attraction antiga os sensores de luz e chuva. Em compensação, a Audi decidiu adotar um preço mais carismático e recuou o valor na tabela dos atuais R$ 101.190 para R$ 99.990. Este preço é semelhante ao de versões de topo de sedãs médios de marcas generalistas e pode ajudar a marca no objetivo de emplacar 20 mil unidades em 2.020 – atualmente está em torno de 15 mil carros/ano, sendo que o A3 sedã responde por 40% dessas vendas.

A versão Ambiente manteve rigorosamente o mesmo conteúdo do modelo importado da Hungria. Por isso ficou apenas uns “caraminguás” mais barata: o preço caiu de R$ 110.190 para R$ 109.990. O poder de atração dessa configuração é mesmo o acesso a recursos dignos de carro de luxo. Por R$ 13 mil, pode-se adicionar o MMI Plus, que inclui uma tela maior, de 7 polegadas, jukebox de 10 Gb, DVD player, sistema de navegação, com a interface de um pad touch no console central. Outros R$ 13 mil compram o teto solar e o acabamento em couro sintético. Mais R$ 10 mil e entram um controle de cruzeiro e a câmara de ré do pacote Assistance. Este kit pode dar lugar ao Assistance Plus, que custa R$ 18.500 e vem com controle de cruzeiro adaptativo, sistema de estacionamento automático com câmara de ré, controle de cruzeiro adaptativo, comutador automático de farol alto e partida por botão. Completo, o A3 sedã chega a A3 R$ 154.490 sem pintura metálica e passa a ser o carro de passeio nacional mais caro do país.

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