AMG CLS 53 traz nova identidade da marca

Mercedes-Benz decidiu recorrer a um sistema elétrico de 48 V para a suprir a demanda dos dispositivos de seus modelos


A evolução dos sistemas elétricos tem permitido grandes avanços nos automóveis. Antes, o motor a combustão precisava destinar cerca de 30% do seu rendimento para alimentar todas as funções do carro, como sistema de arrefecimento, direção hidráulica, ar-condicionado e bomba de água. Hoje a situação é bem diferente.

A Mercedes-Benz decidiu recorrer a um sistema elétrico de 48 V para a suprir a demanda dos dispositivos de seus modelos, o que alivia o trabalho do motor e melhora o desempenho. Foi o que a marca apresentou recentemente no lançamento da nova Classe C200 EQ Boost e é também o caso da nova Mercedes AMG CLS 53.

Apresentado como destaque no AMG Performance Tour 2018, realizado entre 18 e 24 de outubro, no autódromo Velo Città, em Mogi Guaçu (SP), o modelo inaugura um novo segmento de motores no portfólio da preparadora, os AMG 53 com 435 cv e seis cilindros em linha, e também antecipa a nova identidade visual da Mercedes-Benz, com linhas mais simples e superfícies com menos vincos. O modelo será apresentado no Salão de São Paulo, no próximo mês.

Além do CLS, a AMG apresentou outros dois modelos no evento. O primeiro é o GLC 63 S Coupé, um utilitário esportivo com motor 4.0 litros V8 biturbo de 476 cv, A tração integral e distribuição de torque entre os eixos dianteiro e traseiro on demand, mas prioritariamente nas rodas traseiras. O outro é o AMG GT C Roadster.

Foto: Estúdio Malagrine
Mercedes AMG CLS 53

O modelo, avaliado em mais de R$ 1 milhão, tem motor de 557 cv de potência e entrega 69,3 kgfm, disponíveis de 1.900 rpm a 6.750 rpm. O motor é dianteiro-central, acoplado ao câmbio automático de dupla embreagem com sete marchas que está na parte de trás. O esportivo pode chegar aos 100 km/h, partindo da imobilidade, em 3,7 segundos e acelerar até os 316 km/h.

Mas os holofotes estavam voltados mesmo para terceira geração do cupê de quatro portas CLS 53 vem com motor Mild Hybrid, ou híbrido suave, de 3.0 litros. O propulsor entrega 435 cv de potência e um torque máximo de 53 kgfm, alimentado por um duplo compressor acionado pelos gases de exaustão e por um compressor elétrico auxiliar, que elimina drasticamente o efeito “turbo lag”.

O trem de força conta ainda com o auxílio do motor de arranque/alternador EQ Boost, que alimenta o sistema elétrico embarcado de 48 V, e ainda pode fornecer 22 cv de potência adicional, com mais 25,5 kgfm de torque. Outros destaques do CLS 53 incluem transmissão de nove velocidades e sistema de tração integral 4MATIC+. O modelo acelera de zero a 100 km/h em 4,5 segundos e atinge a máxima de 250 km/h, limitada eletronicamente.

Foto: Estúdio Malagrine
Mercedes AMG CLS 53

O componente EQ Boost é a chave do sistema de 48 V. Ele faz o papel de alternador, mas se converte em motor auxiliar e em motor de arranque, dependendo da exigência. Quando está na função de motor, ele é alimentado pela mesma bateria de 48 V que ele tem de carregar quando está na função alternador. Para aumentar o desempenho do propulsor 3.0 litros, este motor/alternador traciona diretamente o virabrequim numa conexão por correia.

Esse conjunto “meio híbrido” garante um impulso extra, dado diretamente pelo motor elétrico (25,5 kgfm de torque a mais), além de recuperação de energia, mudança do ponto de carga, modo deslizamento (roda livre) e a religação do motor virtualmente, de forma imperceptível, com a função start/stop. O sistema de 12 volts continua ali, mas fornece energia apenas para pontos de consumo como luzes, cockpit, displays do sistema de informação e entretenimento e as unidades de controle.

Visualmente, o novo CLS 53 tem grade do radiador com lâmina dupla, que anteriormente era restrita aos modelos V8 Performance. Ela apresenta um padrão tipo treliça, em preto. Um detalhe funcional são as persianas da grade, em segundo plano, que têm abertura variável conforme a necessidade de resfriamento do motor.

Foto: Estúdio Malagrine
Mercedes AMG CLS 53

A saia dianteira tem aletas pretas e um divisor aerodinâmico frontal. O design dos protetores contra lama contribui para a aerodinâmica na traseira e permite um melhor fluxo de ar ao redor dos arcos das rodas. O defletor na tampa do porta-malas é pintado na cor da carroceria e oferecido opcionalmente em fibra de carbono.

Outros modelos também marcaram presença no AMG Performance Tour 2018. Os participantes (jornalistas, clientes e convidados) puderam dirigir o Mercedes-AMG GLC 63 S Coupé e o Mercedes-AMG GT C Roadster – foram 26 automóveis para experiência de condução no autódromo Velo Città.  Os preços divulgados pela marca foram R$ 599.900 para o CLS 53, R$ 587.900 para o GLC 63 S Coupé, e singelos R$ 1.118.900 pelo GT C Roadster.

Primeiras impressões

Vocações diversas

Logo depois de entrar no CLS 53, a primeira sensação é de espaço. O modelo, apesar dos dotes esportivos e do conjunto mecânico avassalador, acomoda perfeitamente uma família de dois adultos e duas crianças – existem porta-objetos espalhados pelo habitáculo que podem aprimorar mais ainda a experiência familiar numa viagem de fim de semana, por exemplo. O acabamento interno ressalta todo o luxo e sofisticação, e não deixa dúvidas de que se trata de um carro de quase R$ 600 mil.

Foto: Estúdio Malagrine
Mercedes AMG CLS 53

A alta qualidade dos equipamentos também é bem evidente. O painel de instrumentos é totalmente digital e, num formato que se integra à tela central do cluster, exibe as informações do veículo, como rotação, nível de combustível e velocidade – essa última também é exibida diretamente no para-brisa, na direção do campo de visão do motorista, para eliminar e necessidade de desviar o olhar da pista. Por dentro, tudo se vê agradável ao olhar e ao toque também.

Já em pista, o desempenho é o ponto forte. Os 53,03 kgfm de torque estão prontos para serem entregues pelo 3.0 do modelo em qualquer momento. As curvas são feitas com total precisão e estabilidade, o que transmite segurança ao motorista. No caso das retomadas, ao pisar fundo no acelerador, o corpo “afunda” no assento, e o ponteiro da velocidade aumenta exponencialmente, com muita rapidez. O belo ronco do motor se faz presente em todo momento, o que soa como sinfonia aos ouvidos dos entusiastas.

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