Jovem relata transtorno de ansiedade

Você se preocupa em excesso e tem expectativa exagerada? Cuidado, a TAG pode te pegar!


Quando criança, a estudante de engenharia de produção Thais Martinelli Ferragutt, 20, não conseguia pregar os olhos na véspera de uma viagem, tamanha era sua ansiedade. A inquietação, no entanto, desaparecia como num passe de mágica com a realização do passeio. O segredo? Nenhum! Todo ser humano, seja ele criança, adolescente ou adulto, tem picos de ansiedade horas antes de uma prova, de uma entrevista de emprego e até mesmo de uma viagem.

O que não é normal, no entanto, é quando esse “desassossego” cria raízes. Quando ele se fixa por algum motivo e se torna crônico. Se isso acontece, muito possivelmente a pessoa pode estar com transtorno de ansiedade generalizada, popularmente identificado pela sigla TAG.

“A ansiedade é uma reação normal diante de situações que podem provocar medo, dúvida ou expectativa. É considerada positiva quando funciona como um sinal que prepara a pessoa para enfrentar um determinado desafio. Já o transtorno de ansiedade generalizada é um distúrbio caracterizado pela preocupação excessiva e expectativa exagerada. Ele prejudica o ser humano no seu dia a dia, mas não tem um foco principal”, explica a doutora em psicologia cognitiva comportamental Maria do Sacramento Tanganelli.

Relaxa, menina!

Thais*, que até então só havia experimentado a ansiedade na infância, tenta há pouco mais de dois meses tomar as rédeas do seu emocional. Ela viu seu nível de inquietação disparar quando foi convidada para uma vaga de liderança em uma multinacional. “Quando soube que havia sido escolhida para a vaga [líder de produção], minha ansiedade foi a mil. Vários questionamentos surgiram na minha cabeça. ‘Será que vou conseguir? Será que devo mesmo aceitar? E se não der certo?'”, afirma.

Ela não só voltou a perder o sono, como passou a ter palpitações, sentir o coração disparado sem motivo aparente, sensação de fadiga, esquecimento e aumento do apetite. “Além de ser cobrada pelo trabalho [ela está em fase de adaptação], me cobro muito por resultados pessoais. É uma ansiedade constante”, diz.
A jovem procurou ajuda de um psicólogo para lidar com a questão do esquecimento, está tomando um medicamento homeopático para tentar relaxar e nos finais de semana, recorre aos amigos e familiares para sair da rotina e deixar de lado as cobranças do dia a dia.

(*) nome fictício

Palavra de especialista
A ansiedade tende a aparecer em certos momentos da vida ou em determinadas situações. “Adolescentes, por exemplo, ficam mais estressados por conta da preocupação excessiva ou expectativa exagerada com o futuro. Quando os sintomas são passageiros, podemos dizer que se tratam de uma ansiedade normal, mas quando se estendem por muito tempo e o jovem não consegue lidar com eles, estamos diante de uma síndrome”, afirma a psicóloga Maria do Sacramento.

Por estar em uma fase de desenvolvimento, o adolescente está sempre preocupado com o que vai acontecer com ele, afirma a profissional. “Surgem vários questionamentos em relação às mudanças do corpo, as amizades, as paqueras, a maneira de se vestir. É uma condição de expectativa, de receio com o que está acontecendo e o que está por acontecer na vida dele”, explica. “Se mantida a níveis normais, podemos dizer que é uma ansiedade positiva. Caso contrário, merece atenção”, avisa a psicóloga.

Sintomas da TAG
inquietação
fadiga
irritabilidade
dificuldade de concentração
tensão muscular
palpitações
falta de ar
aumento da pressão arterial
suor excessivo
dor de cabeça
alteração nos hábitos intestinais
náuseas
aperto no peito
dores musculares

É hora de pedir socorro!
Quando o adolescente deixa de ir a uma festa porque está muito nervoso, abre mão das perguntas em sala de aula por temer “zoação” por parte dos amigos ou desiste de uma balada porque saiu uma espinha no rosto, entre outras situações, deve procurar ajuda de um especialista. “Se o socorro é imediato, muitas vezes não é necessária terapia prolongada. Uma orientação pode ser suficiente”, diz Maria do Sacramento.

O uso de medicamentos, segundo a psicóloga, é sempre a última opção. “Só quando são quadros de ansiedade que causam prejuízos à vida do adolescente ou jovem e não há tempo suficiente para esperar o resultado da terapia. Uma viagem de intercâmbio, por exemplo, que se aproxima e desencadeia um quadro de ansiedade. Nesse caso, o remédio pode ser um coadjuvante”, afirma.

Isso ajuda!
Um ótimo aliado no combate ao TAG é o exercício físico. Vale desde uma simples caminhada até uma aula na academia. Leitura e atividades extracurriculares como teatro, por exemplo, também são bem-vindas, para não deixar a situação extrapolar.

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