Pesquisa alerta para os riscos da automedicação

77% das pessoas ouvidas em estudo do CFF disseram que se automedicam e mais da metade altera doses prescritas pelo médico


Foto: Pixabay - CC
O uso de remédios de forma indiscriminada e irresponsável pode trazer efeitos adversos à saúde

Existe no mundo ocidental uma crença absoluta no poder curador dos remédios. Longe de serem dispensáveis no tratamento de doenças, essas drogas não são, contudo, a única opção de tratamento – e nem sempre representam a melhor escolha.

Esse pensamento, contudo, alimenta um hábito que pode ser nocivo à saúde individual e coletiva. A automedicação é uma resposta da população à crença que os desconfortos corporais precisam ser resolvidos com medicamentos, como num passe de mágica.

O uso de remédios de forma indiscriminada e irresponsável pode trazer efeitos adversos à saúde, camuflar doenças que precisam de um tratamento mais forte, além de estimular a proliferação de microrganismos resistentes às drogas já existentes.

A análise é do presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo, Marcos Machado. Uma pesquisa realizada pelo CFF (Conselho Federal de Farmácia) por meio do Instituto Datafolha trouxe dados alarmantes sobre automedicação.

O estudo indicou que tomar remédios por conta própria, sem orientação e nem supervisão profissional, é um hábito comum a 77% dos brasileiros. Quase metade (47%) se automedica pelo menos uma vez por mês, e um quarto (25%) o faz todo dia ou, pelo menos, uma vez por semana.

Machado alertou para diversos riscos decorrentes dessa prática. Ele citou, por exemplo, que sintomas prolongados podem ser camuflados com medicamentos, escondendo doenças que podem ser mais sérias e que precisam de atenção médica.

ANTIBIÓTICOS. Outro risco apontado por ele se refere ao uso de antibióticos. O índice de utilização dessa classe de medicamentos foi de 42%, superado apenas pelo percentual de analgésicos e antitérmicos (50%). O uso indiscriminado de antibióticos contribui, inclusive, para uma seleção natural de bactérias mais resistentes, popularmente conhecidas como “superbactérias”, que preocupam as autoridades mundiais de saúde. “Os antibióticos nem sempre são usados da forma como foi prescrito pelo profissional. Além de não conseguir a cura, isso traz resistência bacteriana e passa para a comunidade”, alertou o profissional.

O presidente avalia que o hábito está enraizado em um pensamento que enxerga os remédios de forma quase milagrosa. “Existe dentro da população essa cultura que medicamentos foram feitos para curar e curam tudo. Eles são importantes pra auxiliar tratamentos e para a cura em alguns casos, mas algumas doenças podem ter tratamentos alternativos. Não necessariamente você precisa tomar medicamento
pra tudo”, explicou.

76% descarta remédios incorretamente

O descarte incorreto de medicamentos pode provocar danos à saúde coletiva e ao meio ambiente. Mesmo assim, 76% dos entrevistados pelo Datafolha indicaram maneiras erradas de destinar os resíduos. Pelos resultados da pesquisa, a maioria da população descarta sobras de medicamentos ou medicamentos vencidos no lixo comum.

Quase 10% afirmaram que jogam os restos no esgoto doméstico (pias, vasos sanitários e tanque). “O ideal é que sejam descartados em postos de recolhimento para serem incinerados. O problema é que existem poucos. Contudo, algumas redes de farmácias e unidades básicas de saúde recolhem”, orientou o presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo, Marcos Machado. “Se as pessoas puderem se atentar a esse fato, estarão fazendo uma grande ação em benefício da saúde coletiva e do meio ambiente”.

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