Lentes que ajudam contra a luz azul

Luz azul nada mais é do que um espectro que compõe a luz visível, porém com intensidade de energia muito próxima da luz UV


A luz é fonte de vida, no entanto, em se tratando de saúde dos olhos, alguns tipos de luzes podem ser prejudiciais. Uma delas é a luz azul, emitida pelos raios do sol e pelos aparelhos eletrônicos como celular, tablets, computadores e ainda nas lâmpadas de LED e fluorescentes.

A luz azul nada mais é do que um espectro que compõe a luz visível – formada pelas cores azul, verde, amarela, vermelha e laranja –, porém, com intensidade de energia muito próxima da luz UV, podendo causar lesões na retina assim como os raios ultravioletas. Segundo o oftalmologista da Essilor, Milton Ruiz, existem dois tipos de luz azul: a azul-turquesa e a azul-violeta.

Foto: Adobe Stock
As crianças são as mais expostas aos efeitos da luz azul por causa dos entretenimentos à base de celulares

“A azul-turquesa é benéfica e regula o sono e a hora de despertar, além de fazer bem ao humor e à memória. Já a luz azul-violeta é nociva e causa cansaço visual, dor nos olhos, dor de cabeça, e provoca o envelhecimento precoce da retina dos olhos. Trata-se de uma ameaça, assim como os raios UV. Quanto maior a exposição, maior é o risco”, explica Ruiz.

Embora naturais à luz solar, os riscos provocados pela luz azul-violeta são reais, uma vez que a exposição aos aparelhos eletrônicos, bem como a permanência em ambientes iluminados por lâmpadas de LED e fluorescentes (já conhecidas pelos danos causados à pele), têm sido cada vez maior.

“Todos estão expostos à luz azul, pois ela é natural, emitida pelo sol. O que acontece hoje é que, além da luz natural, as luzes de baixo consumo de energia emitem maior quantidade de luz azul, assim como os dispositivos eletrônicos que usamos diariamente. Isso aumenta nossa exposição a ela e os riscos à saúde ocular, seja adulto ou criança”, enfatiza a oftalmologista pediatra da Zeiss, Marcela Barreira.

Foto: Divulgação_Zeiis
Os óculos com lentes que filtram a luz azul violenta são indicados para proteger a saúde ocular das crianças

Devido à crescente exposição, empresas do setor óptico têm investido em tecnologia para bloquear a luz nociva e preservar a saúde dos olhos. A “lente contra a luz azul” é uma das novidades no setor e chamou a atenção no maior evento óptico da América Latina, a Expo Óptica Brasil, realizado em abril, na cidade de São Paulo.

As grandes do setor marcaram presença com tecnologias próprias: a Zeiss com a Duravisiona BlueProtect, a Essilor com a BlueUV Filter, e a Fhocus Optical com a Lothos Control UV Protect. Lentes capazes de filtrar até 100% da luz azul violeta, deixando passar apenas a luz turquesa, e podem ser adequadas tanto aos óculos de sol com aos óculos de grau.

“O uso da lente é aconselhada inclusive para quem não usa óculos de grau, justamente com o intuito de proteger os olhos contra os danos causados à retina e demais efeitos como a fadiga, irritabilidade e insônia, que afetam a qualidade de vida da pessoa”, ressalta o diretor da Fhocus Optical, Ivan T. Dias Pereira.

O conforto e prevenção gerados pela tecnologia podem ser potencializados quando somada à proteção contra raios ultravioletas, asseguram os especialistas.

Consultoria: Fhocus Optical, Zeiss e Essilor

Existem dois tipos de luz azul

LUZ AZUL VIOLETA (NOCIVA)

* presente nos raios solares e na luz emitida pelos aparelhos eletrônicos e lâmpadas de LED e fluorescente
* aumenta o estresse oxidativo
* baixa a defesa antioxidante
* contribui para a aceleração do envelhecimento e morte das células da retina

LUZ AZUL TURQUESA (BENÉFICA)

* presente nos raios solares
* estimula o reflexo pupilar e as partes do cérebro onde a melatonina é produzida, regulando o ciclo do sono
* regula o funcionamento biológico do ritmo cardíaco
* estimula a produção da serotonina, hormônio responsável pelo bem-estar e bom humor.
* estimula a produção do hormônio do crescimento

Fonte: Essilor

Crianças e adolescentes são os mais expostos

Entretenimento através de aparelhos celulares e tablets pode ser prejudicial ao desenvolvimento visual dos mais jovens

Animações, joguinhos, gincanas e contação de histórias são algumas das opções de entretenimento disponíveis para crianças na internet e em aparelhos de celular e tablets. Sim, os pequenos estão cada vez mais espertos e hiperconectados. Não a toa são eles os mais expostos aos efeitos da luz azul.
De acordo com a oftalmologista pediatra da Zeiss, Marcela Barreira, a exposição a luz azul pode trazer consequências ao desenvolvimento visual da criança. “É o público que ainda está em desenvolvimento e, os danos nesse período (infância) pode acarretar um prejuízo no desenvolvimento visual e isso é o que mais preocupa”, ressalta.

O aumento na exposição a luz azul não só gera danos à retina como pode atrapalhar também o clico do sono da criança, uma vez que ela induz a liberação de endorfina deixando a criança mais desperta e diminuindo seu tempo de sono. O excesso no uso dos aparelhos influencia ainda no aproveitamento escolar (concentração e memória) e no humor do pequeno.

Os óculos com lentes que filtram a luz azul violenta são indicados para proteger a saúde ocular das crianças, independente de usarem óculos de grau ou não. “Não é necessário ter grau para usar essas lentes de proteção. Mesmo as crianças, adultos e adolescentes que não apresentem nenhum tipo de grau podem usar para se proteger dos efeitos nocivos da luz azul”, reforça Marcela.

CUIDADOS COM AS LENTES

Crianças são muito ativas e precisam de lentes que não quebrem com facilidade nem as machuquem em uma queda ou impacto. As lentes de policarbonato são mais resistentes e as mais indicadas para o público infantil. Para crianças com astigmatismo, o ideal são lentes planas para evitar que as imagens fiquem distorcidas. Incluir proteções contra a luz azul e raios UV é fundamental para crianças e adultos.
“Os pais devem envolver o filho na compra do óculos. Permitir que ele escolha o modelo e a cor da armação e respeitar a escolha dele. É possível ainda personalizar a lente com o nome da criança, estimulando ainda mais o seu uso”, comenta a oftalmologista.

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