Desafio da rasteira pode causar lesões irreversíveis e até morte – O Liberal

Desafio da rasteira pode causar lesões irreversíveis e até morte

Especialista alerta para os riscos envolvidos na queda brusca, provocada pela rasteira da brincadeira que viralizou nas redes sociais nos últimos dias


O desafio da rasteira, também chamado de “quebra-crânio”, pode resultar em lesões e traumas irreversíveis não só no crânio e no cérebro, mas também no tórax e na coluna cervical, em um quadro que pode evoluir ao óbito. Na última semana, viralizaram nas redes sociais vídeos em que adolescentes e crianças fazem a “brincadeira”, seja na escola ou até mesmo em casa. Um especialista ouvido pelo LIBERAL alerta para os riscos envolvidos na queda brusca, provocada pela rasteira.

“Nosso cérebro é uma gelatina muito sensível, com camadas mais pesadas e mais leves, sobrepostas umas às outras. Elas ficam dentro do crânio nadando em um líquido, que é uma proteção”, explica o neurologista Nestor Colletes Truite Júnior, de Americana. A desaceleração repentina, causada pela queda e pelo impacto contra o chão, pode causar graves problemas.

Foto: Reprodução
Neurologista destaca que a queda pode resultar em prejuízos para o funcionamento do cérebro de uma maneira generalizada

O neurologista destaca que a queda pode resultar em prejuízos para o funcionamento do cérebro de uma maneira generalizada, afetando raciocínio, sistema motor e de sensibilidade. Podem ocorrer lesões nos neurônios, rompimento de vasos sanguíneos, causando sangramentos e hematomas, edema cerebral, com o inchaço e aumento da pressão no interior do crânio, e  até mesmo lesão no tronco cerebral – em casos mais graves.

“No tronco cerebral diversas funções estão retidas, controle da respiração, por exemplo, e outras atividades automáticas que caracterizam a nossa vida primitiva. Essa lesão no tronco resulta em morte súbita”, explica o neurologista.

Além dos riscos cerebrais, a rasteira também pode causar um politraumatismo. O especialista lembra que o desafio provoca uma queda brusca, com possibilidade de lesões no tórax e na coluna cervical.

A “pegadinha” chegou a vitimar a estudante Emanuela Medeiros, de 16 anos, que sofreu um traumatismo craniano ao bater a cabeça no chão na escola em que estudava, em Mossoró, no Rio Grande do Norte, em novembro do ano passado.

O desafio, entretanto, voltou a se fazer presente nas redes sociais depois que um influenciador digital postou em seu canal no YouTube um vídeo em que aplica a rasteira na própria mãe, com a ajuda do irmão.

Nesta quarta-feira (12) a Sociedade Brasileira de Neurologia divulgou um comunicado em que alerta sobre a necessidade de se reforçar a atenção com crianças e adolescentes, que são maioria nos vídeos que circulam nas redes sociais.

O comunicado se dirige principalmente aos pais e educadores, com o objetivo de “interromper o movimento e prevenir a ocorrência de novas vítimas”, sendo que a informação seria a primeira linha de ação. Leia o comunicado na íntegra:

Nesta semana, algumas escolas particulares da região já divulgaram vídeos de alunos conscientizando os colegas sobre o perigo da brincadeira.

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Os alunos Felipe, Lucca e Samir dos 8ºs anos, têm um recado para vocês!

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