Como identificar e lidar com o bullying

Nestes casos, é importante que os pais demonstrem para a criança que o apoio deles é incondicional


O País possui, desde 2015, uma legislação especifica sobre bullying. Mas, na prática, como identificar e evitar um caso de bullying? E o que as escolas e pais podem fazer para evitar o problema?
Embora não seja tão simples detectar que uma criança está sendo vítima de bullying apenas com base em determinadas pistas (especialmente no caso das mais novas), alguns indícios podem ajudar a identificar esse tipo de situação, como explica a pedagoga e especialista em Primeira Infância, Maria Guimarães Drummond Gruppi.

O indicado, nesse tipo de situação, é procurar a direção da escola e solicitar informações de o que pode estar acontecendo com a sua criança e se a direção da escola teria alguma orientação para dar aos pais. Além disso, saber se seria possível ser feito um acompanhamento do caso.

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O bullying é uma agressão, física ou psicológica, que acontece de forma sistemática e repetitiva

Tanto para crianças que são vítimas de bullying quanto para aquelas que praticam esse tipo de ato, uma opção de apoio pode ser a terapia familiar junto a um profissional especializado. Dependendo do caso, pode-se, ainda, recorrer ao Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente.

Caso haja dificuldade de identificar se a criança está ou não sendo vítima se bullying (mesmo com a ajuda da escola), é importante que os pais demonstrem para a criança que o apoio deles é incondicional para que ela se sinta confiante e, desta forma, possa relatar os verdadeiros problemas e, assim, possa ser efetivamente ajudada.

Parte importante no processo de combate ao bullying, a escola – e, sobretudo, seu corpo docente – tem de deixar claro, desde o início quais são as regras da instituição. “É preciso que a autoridade e a hierarquia fiquem claras para as crianças”, explica Maria.

CONVERSAR SEMPRE

Por fim, um ponto importante na relação entre pais e filhos (sejam eles vítimas ou praticantes de bullying) é sempre conversar evitando, com isso, o uso da punição como os castigos e as surras ou até mesmo os tapinhas ou palmadas, que só geram raiva por parte dos pequenos.

Quando os pais perdem os argumentos verbais, partem para a violência física ensinando justamente isso aos filhos. “Os pais se esquecem de que as crianças estão em fase de formação e de aprendizado e de que precisam de apoio, de solidariedade e de acolhimento, principalmente quando erram e falham”, explica Maria. “A palavra tem de estar sempre à frente de tudo”.

DETECTANDO O BULLYING

Alguns indícios podem ajudar a identificar esse tipo de situação

1. Sintomas de depressão
2. Sono excessivo
3. Cansaço ou pouca disposição para brincar
4. Perda frequente do material da escola
5. Irritação
6. Choro excessivo
7. Dificuldade de se separar dos pais
8. Incontinência urinária

UNICEF E SAFERNET

Campanha contra bullying nas redes sociais

A internet, por vezes, é um território aparentemente “sem lei”, em que muitas pessoas acreditam que podem escrever o que querem, inclusive atacar outros internautas. E, no universo dos adolescentes e jovens, o tema é ainda mais delicado.

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Uma agressão nas redes sociais tem um começo, mas não tem um fim

Esta é uma fase da vida do indivíduo em que busca cada vez mais aceitação dos seus pares. Na escola, por exemplo, os adolescentes procuram fazer parte de qualquer grupo, mesmo se for diferente do seu estilo ou do modo como encara o mundo. Quem não consegue se encaixar, corre o risco de se tornar alvo de críticas, julgamentos e ofensas. Esse isolamento pode ser um prato cheio para situações em que o jovem se vê obrigado a aceitar humilhações e as mais variadas agressões.

“Antigamente, o bullying que acontecia no intervalo da escola tinha começo, meio e fim. Quando você publica uma agressão nas redes sociais, aquilo tem um começo, mas não tem um fim. Se torna público. Familiares, amigos do bairro, da escola e a comunidade vão ver a situação constrangedora”, avalia Rodrigo Nejm, diretor de educação da SaferNet.

O bullying é uma agressão, física ou psicológica, que acontece de forma sistemática e repetitiva. Se houver uma ocorrência pontual, não pode ser classificado dessa forma. Para esclarecer essas questões e envolver também aqueles que assistem aos episódios de bullying e não fazem nada para impedi-los, Unicef, SaferNet, Fabebook e Instagram se unem e lançam a campanha “Acabar com o bullying é da minha conta”.

EXPERIÊNCIA

A gerente de Políticas Públicas do Instagram, Natalia Paiva, afirma que a ação foi pensada levando em conta a experiência do usuário na rede social, com hashtag e stories, que serão consumidos pelos internautas a todo momento.

“Este é um tema prioritário para o Instagram: garantir que a plataforma seja um lugar seguro e positivo para todo mundo. A hashtag “é da minha conta” (#édaminhaconta) personaliza muito essa campanha. Sair da dicotomia vítima-agressor e pensar que é uma violência diária que responsabiliza todo mundo”, ressalta.

De forma didática, a campanha explica o “caminho da agressão” por meio da empatia. Tudo começa com a pergunta: “O conteúdo da brincadeira te faz sentir mal, humilha ou discrimina?”.

Se a resposta for não, a campanha elabora uma orientação para que o jovem saiba lidar com a situação. Se a resposta for sim, a ação procura saber mais detalhes: se isso acontece com frequência ou se a vítima é menor de 18 anos, por exemplo.

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