Busca pela autonomia com a terapia ocupacional

Trabalho do terapeuta ocupacional consiste em promover atividades que resgatem a autonomia e independência de quem esteja sofrendo alguma limitação


Qualquer pessoa pode precisar, em algum momento da vida, do trabalho de um terapeuta ocupacional. Esse profissional atua na recuperação da capacidade de realizar atividades do cotidiano – chamada de funcionalidade – caso essa esteja prejudicada por conta de alguma limitação, seja ela crônica ou temporária.

A terapia ocupacional pode se ocupar de diversas atividades humanas exercidas dentro do cotidiano, como trabalho, lazer, educação e participação social. Caso a funcionalidade do paciente esteja prejudicada para realizar alguma dessas atividades, o trabalho do terapeuta ocupacional é quem vai propor um tratamento para devolver-lhe a autonomia e a independência, de acordo com suas capacidades.

Foto: Adobe Stock
A terapia ocupacional pode capacitar os idosos para ganhar independência, dentro de suas possibilidades físicas

Diretora da faculdade de Terapia Ocupacional da PUC (Pontifícia Universidade Católica) Campinas, Celia Emilia de Freitas Alves Amaral Moreira explicou que pessoas em qualquer faixa etária podem precisar de tratamento.

“Por exemplo, um trabalhador que sofre acidente e perde uma função. Vamos fazer todo o tratamento para que recupere e depois acompanhar a inserção no local de trabalho, para ser adaptado ou remanejado de função”, indicou.

A terapia ocupacional pode ser oferecida a quem tenha uma limitação relacionada a deficiências, sejam elas físicas ou mentais. A perda de autonomia com o passar dos anos é comum, e não raro os idosos tornam-se cada vez mais dependentes para realização de tarefas básicas.

Algumas pessoas podem enfrentar limitações temporárias que atrapalhem sua funcionalidade. Um exemplo são quadros de depressão, síndrome do pânico e períodos de crise de outras condições.
Além das limitações físicas, psicológicas e cognitivas podem ocorrer, também, no âmbito social. Celia explicou que pessoas no cumprimento de penas ou até mesmo afastadas do convívio para tratamentos de saúde podem precisar de terapia ocupacional.

“Tudo que compõe seu cotidiano são suas áreas ocupacionais. Qualquer pessoa – adulto, jovem, criança, idoso – que tiver dificuldade de realizar qualquer uma dessas atividades está dentro do nosso nicho de trabalho. Nosso foco é a funcionalidade”, defende a especialista.

O leque de atividades que podem ser desenvolvidas durante o tratamento é imenso, passando por música, dança, teatro, artesanato, fotografia, grupos de discussão, caminhadas, yoga, meditação, técnicas de relaxamento.

CHEGADA

Existem duas portas de entrada para o serviço. Na primeira, um profissional de outra área observa no paciente uma limitação da funcionalidade e faz o encaminhamento. Quem está capacitado para fazer essa indicação são médicos, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas e fonoaudiólogos.
O início do tratamento pode também ser realizado por meio da análise de uma equipe multidisciplinar em algum serviço de saúde.

Legislação é descumprida

A presença de um terapeuta ocupacional nas equipes mínimas de alguns serviços da saúde pública é prevista em leis. Contudo, nem sempre essas contratações são realizadas. Já a legislação que define os atendimentos dos Caps (Centros de Atenção Psicossocial) determina, para além da presença de médicos e enfermeiros, a contratação de profissionais de ensino superior.

O número desses trabalhadores vai depender da capacidade de atendimento e, dentre as formações indicadas como possíveis, está a terapeuta ocupacional. O número da portaria é 336/2002.

“Percebemos que nos locais do país onde estamos inseridos existe o reconhecimento e valorização, inclusive por parte da população. Mas existem regiões em que o curso não existe e a profissão não é conhecida. Também tem uma questão governamental, está na lei, mas os profissionais nem sempre são contratados para compor as equipes mínimas”, criticou a diretora da faculdade de Terapia Ocupacional da PUC (Pontifícia Universidade Católica) Campinas, Celia Emilia de Freitas Alves Amaral Moreira.

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