Aborto: contra ou a favor?

Você faria um aborto ou incentivaria sua namorada a interromper a gravidez? Tema divide opiniões!


O assunto é polêmico e divide opiniões. Enquanto muitos se posicionam contra o aborto, outros ressaltam que são a favor. A prática é proibida no Brasil desde quando o País ainda era uma colônia. Sua criminalização é questionada por diversos grupos, justamente pelo aumento da procura por clínicas clandestinas ou por métodos caseiros, medidas que causam a morte de muitas mulheres. Segundo dados da UnB (Universidade de Brasília), pelo menos uma a cada cinco mulheres, antes de completar 40 anos, já interrompeu a gravidez. Mas afinal, o que pensam os jovens sobre esse assunto?

Foto: Dener Chimeli / O Liberal
O Nuberealizou uma pesquisa no início deste ano para saber o posicionamento de 17.217 jovens

O Nube (Núcleo Brasileiro de Estágios) realizou uma pesquisa no início deste ano para saber o posicionamento de 17.217 jovens com faixa etária entre 15 e 26 anos. Do total de respostas, 32,51% – equivalente a 5.723 participantes – são contra a interrupção da gravidez. Porém, 27,76% (4.886 entrevistados) são a favor em casos que ofereçam riscos para a mulher. Essa também é a opinião da estudante Júlia Batista, 15. Ela só é a favor do aborto em caso de estupro ou se a mulher corre riscos durante a gestação. “Nessas circunstâncias, e se for no começo da gravidez, eu sou a favor. Agora, se for por descuido na relação sexual ou se simplesmente por não desejar ter o filho, então eu sou contra. Se ela não se cuidou, a culpa não é do bebê. Penso que ninguém tem direito de destruir uma vida”, ressalta.

Para evitar a morte de mulheres que recorrem a clínicas clandestinas para abortarem, Júlia acredita que é preciso haver uma fiscalização efetiva. “Tem que fiscalizar esses espaços clandestinos para não acabar morrendo mãe e filho. Se continuar assim, são duas vidas interrompidas”, completa. Confira os argumentos usados pelos demais 39,74% dos entrevistados no texto abaixo.

Os pesquisadores do Nube apuraram que mesmo se for para salvar a vida da mãe, 24,26% dos entrevistados (4.271 pessoas) acreditam que o aborto é um crime para o bebê. Por fim, 15,47% (correspondente a 2.723 do público alvo), são a favor da prática e acreditam que a interrupção da gravidez é uma decisão exclusiva da mulher.

Para a analista de treinamento do Nube Rafaela Gonçalves, independentemente das opiniões, o mais importante deve ser a prevenção durante o ato sexual. “Estamos em um momento de extrema mudança de comportamento. Os jovens pensam diferente, fazem suas próprias escolhas e essas respostas reforçam o raciocínio. Ainda assim, não é algo [o aborto] para se fazer a todo momento e circunstância, mesmo em uma condição legal”, cita Nube.

O cuidado com o ato sexual, diz ela, sempre deve vir em primeiro lugar. “Tirar um filho não conserta os erros de uma relação, a mudança está na atitude: há métodos contraceptivos muito mais apropriados”, orienta a analista.

A estudante Camila Nunes, 15, é a favor do aborto, mas desde que o procedimento seja realizado no início da gestação. “Depois de um tempo já não é mais feto, é uma criança, então, fica complicado”, opina. Quem também é a favor da prática é Larissa Alloi, 16, que acredita que em alguns casos é melhor do que gerar um bebê que não terá estrutura familiar. “Também sou a favor da vida, mas com condições de vida. Se um bebê nasce sem condições de qualidade de vida, vai ser ruim para ele mesmo”, acrescenta.

O estudante Thiago Batista, 15, acredita que a mulher é a protagonista da gestação, por isso, deve ter liberdade para interromper ou não a gravidez. “Sou a favor, seja em caso de estupro ou descuido, independentemente da situação. Não acho que seja um desprezo pela vida da criança, porque enquanto ela ainda é um feto, será indolor [sobre o feto sentir dor nas primeiras semanas de gestação, não existe um consenso entre a comunidade científica]”. Ainda na opinião de Thiago, “se a mãe não abortar ela terá que abandonar parte dos seus sonhos para cuidar da criança e talvez não cuide tão bem assim.”

A favor do aborto, Nicolas Marzochi, 18, acredita que o assunto é polêmico e é preciso ampliar as discussões. “Não basta somente ser a favor, temos que ter base para argumentar. Não acho que todas as mulheres devem fazer o procedimento, é necessário ter consciência”, destaca, para em seguida complementar: “Não sei se o Brasil é um País que tem estrutura para lidar com esse tipo de assunto de uma maneira tão aberta. Por isso, é preciso discutir”, enfatiza o estudante.

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