Apelidado de ‘GTA brasileiro’, jogo tem cenários inspirados em Sumaré

“171” é um game de mundo aberto, onde o jogador pode andar livremente pelos cenários, interagindo com diversos elementos espalhados pelas rua


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No game brasileiro, o jogador conhecerá Sumariti, uma cidade que busca emular diversas regiões do interior e do litoral de São Paulo

Fiação elétrica exposta, sacos de lixo, orelhão, casas simples com muros sem reboco e um cachorro caramelo passeando despreocupado pela rua sem asfalto… Os detalhes acima ajudam não só a descrever um cenário comum dos bairros populares de todo o Brasil como também do game “171”, desenvolvido pela Betagames Group e que tem como fonte de inspiração a cidade de Sumaré.

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Apelidado de “GTA brasileiro”, “171” é um game de mundo aberto, onde o jogador pode andar livremente pelos cenários, interagindo com diversos elementos espalhados pelas ruas. Em GTA (“Grand Theft Auto”, na sigla em inglês), série de jogos desenvolvida pela Rockstar Games, o jogador segue a mesma premissa: o jogador é livre para vagar por locais fictícios inspirados em cidades famosas (como Los Angeles), dominados por atividades ilegais, como tráfico de drogas e roubos de carro.

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O jogo “171” ainda não tem uma previsão de lançamento, mas segundo o estúdio, uma versão beta deve ficar pronta em 2021

No game brasileiro, o jogador conhecerá Sumariti, uma cidade que busca emular diversas regiões do interior e do litoral de São Paulo. “Acreditamos que a cidade [de Sumaré] sirva muito bem de inspiração por possuir elementos visivelmente familiares”, explicou Diogo Moraes, game designer e morador de Sumaré.

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O enredo do game apresenta a história de Nicolau Souza, um jovem de uma pequena comunidade que sempre demonstrou ser uma pessoa trabalhadora e de boa índole. No entanto, depois que seu irmão mais novo é agredido por uma gangue, as coisas começam a mudar. “A referência a GTA acaba sendo inevitável e nos sentimos honrados pela relação que foi criada, mas além dele, nos inspiramos em outros jogos e em filmes como ‘Cidade de Deus’”, reforçou Moraes.

O jogo “171” ainda não tem uma previsão de lançamento, mas segundo o estúdio, uma versão beta deve ficar pronta em 2021. Ainda em 2019, porém, os apoiadores que participaram do financiamento coletivo do jogo receberão uma cópia pré-alpha.

Jogo foi mostrado pela 1ª vez durante a BGS 2019

Diogo Moraes e outros desenvolvedores do game “171” participaram da BGS (Brasil Game Show), maior feira de jogos eletrônicos da América Latina, realizada em outubro em São Paulo. Lá, os jogadores puderam ter a oportunidade de testar o game por alguns minutos e explorar os cenários inspirados em áreas como, por exemplo, a região do Nova Veneza, em Sumaré.“A nossa presença na BGS 2019 foi incrível, o feedback dos jogadores foi muito bom”, apontou Moraes. “Com esse retorno poderemos polir e melhorar a jogabilidade do game de forma que traga uma experiência agradável para o jogador”, ressaltou o game designer.

O sumareense também falou sobre o atual mercado de produção de games brasileiro. “Esse é o melhor momento para se criar um grande projeto no país”, resumiu. “171” começou a ser elaborado em 2015 e teve seu desenvolvimento acelerado depois de uma campanha de financiamento coletivo realizada no fim de 2018. O estúdio pediu R$ 58 mil, mas arrecadou-se mais de R$ 68 mil. “Realmente acreditamos no potencial do nosso trabalho e estamos animados com as expectativas”.

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Diogo Moraes durante apresentação do jogo no BGS 2019, que aconteceu em outubro na capital paulista

Mesmo assim, Moraes apontou que desenvolver um trabalho desse porte não é fácil. “Gostamos de encarar os desafios como oportunidade para melhorar, mas de fato existem muitos desafios. O maior deles, acredito, é fazer com que todos os elementos do mundo aberto funcionem bem entre si para que a cidade pareça estar viva, independente da ação do jogador”.

Segundo o estúdio, o jogador poderá entrar nas casas e interagir com personagens e objetos. No entanto, invasões podem trazer problemas não só com os policiais, como também com as gangues que comandam as ruas. Afinal, o game não se chama 171 (artigo do Código Penal Brasileiro que faz referência ao crime de estelionato) à toa.

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