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Revista Pet

Todo cuidado é pouco

Preparamos um mini guia com tudo o que você pode fazer para garantir uma vida saudável ao seu bichinho

Por Isabella Holouka

07 jul 2020 às 07:43 • Última atualização 07 jul 2020 às 09:14

A saúde dos cães e gatos depende de cuidados especiais e eles merecem toda a atenção para levarem uma vida saudável. Afinal, em se tratando dos nossos melhores amigos todo cuidado é pouco.

Exames, por exemplo, ajudam a garantir que os bichinhos e seus tutores não sejam surpreendidos por problemas de saúde, ao passo que as vacinas são essenciais para a imunização contra algumas doenças.

Paralelamente, uma alimentação balanceada pode acrescentar qualidade de vida e cuidados básicos ajudam a evitar acidentes domésticos. Veja o guia que preparamos sobre os principais cuidados com a saúde dos pets.

Acompanhamento também é importante na prevenção e tratamento de doenças inflamatórias, muitas vezes crônica – Foto: Food photo created by freepik – www.freepik.com

Check-up
A prevenção de problemas de saúde também é importante entre os pets. Segundo a médica veterinária especialista em medicina preventiva e integrativa Salete Cândido, do LM Hospital Veterinário, a partir do primeiro ano de vida já é recomendável que se faça alguns exames nos cães e gatos, com o objetivo de rastrear possíveis problemas relacionados à raça do animal. Depois, o ideal é repetir o check-up anualmente.

“Com os exames de imagem a gente vai ver se anatomicamente está tudo certo. Já com os exames de sangue vamos conferir as funções do órgão”, explica a especialista.

O acompanhamento também é importante na prevenção e tratamento de doenças inflamatórias, muitas vezes crônicas, que podem evoluir para quadros degenerativos. Segundo Salete, é o caso do tártaro, obesidade ou disbiose intestinal, que muitas vezes passam despercebidas. De acordo com a especialista, caso sejam detectados problemas nos exames, o veterinário deve acompanhar o animal com uma frequência maior e indicar uma conduta preventiva ou terapêutica.

Automedicação
Medicar animais em casa, sem orientação de um profissional, é algo prejudicial aos pets. Portanto, os tutores devem se atentar também a esse cuidado, e evitar, principalmente, medicamentos de uso humano.

O médico veterinário Ely Mendes, do Agropet Padovani Mercado Municipal, alerta para o perigo da automedicação, já que cães e gatos são espécies diferentes dos humanos e entre si.

“Um medicamento que nós humanos usamos normalmente pode ser altamente tóxico e causar graves problemas. O paracetamol é muito tóxico para gatos, e o diclofenaco de sódio pode causar intoxicação em cães”, exemplifica ele.

Saúde dos olhos
A especialista Daniela Pereira, da Clínica Oftalmológica Veterinária, explica que os primeiros sinais de que algo não vai bem com a visão do pet são dificuldade de abrir os olhos na claridade, lacrimejamento, olhos vermelhos ou azulados, manchas escuras ou brancas nos olhos, sangue nos olhos, olhos aumentados, dor ocular, coceira ou secreção em excesso.

“As doenças oftalmológicas mais comuns que causam cegueira são as doenças da retina e do nervo óptico, úlcera de córnea, uveíte, glaucoma e catarata. Existem tratamentos para a maioria delas, se o diagnóstico for feito de forma correta e instituído um rápido tratamento”, explica Daniela.

A importância da alimentação
A alimentação contribui com a qualidade de vida e longevidade dos animais. Ela deve ser completa e balanceada para atender todas as necessidades dos pets em cada fase da vida.

A alimentação adequada constitui, inclusive, parte importante em alguns tratamentos de saúde, como nos casos de insuficiência renal, alergia alimentar, diabetes e outras doenças que afetam os pets.

Leandro de Carvalho, da fabricante VitaClassic Nutrição Animal, explica que a alimentação deve ser adequada também para a idade e porte dos animais – filhotes ou adultos, raças pequenas ou grandes.

Segundo ele, esse cuidado é importante porque em cada etapa da vida animal e dependendo do seu porte as necessidades nutricionais e energéticas são diferentes.

No caso dos gatos, eles podem ser mais ativos ou pacatos, demandando mais ou menos energia, e por isso há alimentação específica para aqueles castrados ou não.

Leandro chama atenção ainda para a troca dos alimentos. É importante fazer uma transição, aumentando gradativamente a quantidade do alimento novo e diminuindo a do antigo.

“A mudança na alimentação pode provocar distúrbios gastrointestinais. Um alimento difere do outro em nível de gordura, proteína, qualidade, então o intestino precisa se adaptar”, explica Leandro.

Ultrassonografia
A ultrassonografia muitas vezes é a primeira escolha do clínico geral para entender problemas na saúde dos animais, antes mesmo dos exames de sangue.

“Usamos a ultrassonografia em várias situações. É um exame não invasivo, relativamente barato e que não precisa de anestesia. O mais comum é a pesquisa de corpo estranho. Chegamos a ver bolinhas e chupetas no intestino ou no estômago do animal”, explica a médica veterinária especialista em diagnóstico da Junto – Ultrassom Veterinário in Home, Fabiana Sicci Del Lama.

De acordo com ela, além dos casos em que os animais engolem objetos, a ultrassom também é realizada diante de dores agudas abdominais ou abdômen inchado, urina com sangue ou em grande quantidade, febre, sangramento uterino, tumores. Além destes casos, pode ser feita na cervical ou no globo ocular.

Também é indicada para a coleta de urina ou drenagem de líquidos do abdômen ou do tórax, com agulha guiada pelo ultrassom.

Hidratação
Alguns animais têm dificuldade para manter a hidratação, e também há aqueles que não parecem gostar da alimentação tradicional. Em ambos os casos, a alimentação úmida se mostra uma opção.

“É um alimento completo, balanceado como a ração. A vantagem é a umidade, que ajuda na hidratação do pet. Os gatos não têm um costume muito grande de beber água, e por isso acabam tendo problemas. Com o sachê eles podem absorver um pouco da água que precisam”, explica Alan Maia, do agropet Agrosete.

Para tornar os momentos de hidratação e alimentação ainda mais agradáveis e interessantes, ele sugere o uso de bebedouros e comedouros inteligentes.

Os bebedouros ajudam os animais mais peludinhos a se hidratarem sem molhar os pelos, enquanto os comedouros entretêm os animais durante a refeição, colaborando para diminuir a ansiedade.

Problemas renais
Sintomas como variação na ingestão de água e na quantidade de urina, além de vômitos, perda de peso e hálito ruim costumam indicar problemas renais nos pets.

As causas costumam estar ligadas à idade do pet, doenças genéticas ou infecções, como é o caso de animais que contraem a leptospirose. A recomendação é que, a partir dos 7 anos de idade, se façam exames periódicos em ambas as espécies, com o objetivo de diagnosticar possíveis problemas precocemente.

A médica veterinária radiologista Vanessa Páfaro, da Páfaro Medicina Veterinária Diagnóstica, pontua que atualmente há exames que possibilitam a descoberta de doença renal antes mesmo da aparição de sintomas. Ela sugere a realização de um exame chamado SDMA, combinado a ultrassonografia de alta resolução e exame de urina, para checar a função renal e possíveis variações anatômicas.

“Antes precisávamos esperar o rim ter uma lesão muito grande para começar a alterar os outros exames. Um paciente que antes poderia morrer aos 6 ou 7 anos, hoje pode passar dos 10 anos, pois podemos começar a tratar quando ele tem apenas um ano, por exemplo”, afirma.

Oncologia veterinária
Considerando a população de animais de estimação no Brasil, estima-se que 45% daqueles que ultrapassam a expectativa de vida de 10 anos desenvolvem algum tipo de câncer, segundo a médica veterinária Marcela Custódio Scherr, mestre em genética do câncer e doutoranda em imunoterapia em pequenos animais, do Vitae Oncologia Veterinária.

“Dentre os tumores mais frequentes podemos ressaltar os tumores de mama, pele e sistema linfático. Acreditávamos em raças que poderiam ser mais acometidas, mas, na verdade, cada raça tem suas particularidades e predisposição individual, inclusive os animais sem raça definida”, explica.

Os sinais clínicos podem ser localizados, como ferimentos que não cicatrizam ou aumentam rapidamente, nódulos ou aumento de volume no corpo do animal. Mas também podem ser generalizados, como febre sem causa aparente, sangramento na urina, nas fezes ou focinho, emagrecimento, tristeza, aumento na sede e quantidade de urina ou gengiva pálida.

“O diagnóstico definitivo é com exames laboratoriais que vão desde uma simples punção com agulha e seringa até exames mais complexos como biópsia, imunohistoquimica e citometria de fluxo”, afirma Marcela.

Dentre as opções de tratamento estão cirurgias, quimioterapias, eletroquimioterapia, imunoterapia e controle da dor.

Ela cita ainda cuidados que ajudam na proteção dos animais, como evitar fumar próximo a eles, evitar a exposição direta ao sol, evitar a obesidade, incentivar exercícios físicos, nunca utilizar medicamentos sem prescrição e castrar as fêmeas de pequeno porte até antes do terceiro cio.

Medicamentos manipulados

Alguns tratamentos aplicados aos animais são semelhantes aos utilizados pelas pessoas, mas a farmacêutica Flávia Urso, da Farmácia de Manipulação Veterinária Amor ao Bicho, pioneira na região, lembra que “são muitas as diferenças fisiológicas entre os humanos e os animais, e isso se torna ainda mais acentuado se levarmos em consideração a variedade de raças e necessidades especiais de cada bichinho”.

A busca por tratamentos especializados e focados nas necessidades fisiológicas de cada animal também é o que impulsiona a escolha por medicamentos manipulados. Eles podem ser utilizados para a prevenção, controle, erradicação e tratamento de doenças, com a receita profissional de um médico veterinário.

Flávia cita como vantagens dos medicamentos manipulados a personalização de fórmulas farmacêuticas, com o desenvolvimento de produtos que respeitam as diferenças comportamentais e que se ajustam na rotina do tutor e do pet, aumentando o grau de comprometimento ao tratamento, o que aumenta o sucesso da terapia realizada.

Outro benefício é o uso de um produto com quantidades adequadas para o tratamento, evitando sobras ou desperdícios e garantindo a dosagem correta – sem ter que quebrar comprimidos.

Nos casos de animais que necessitam de mais de um medicamento diário, a politerapia é uma possibilidade da farmácia de manipulação, desde que não haja interação medicamentosa. Além disso, para tornar o momento da medicação menos penoso para alguns animais, há ainda a opção de escolher um sabor que agrade o pet.

Imunização
As vacinas são essenciais para o sistema imunológico dos cães e gatos. A imunização também pode proteger a família inteira, especialmente quando se fala em zoonoses, doenças transmissíveis aos humanos, como é o caso da raiva ou da leishmaniose.

As vacinas são essenciais para o sistema imunológico dos cães e gatos – Foto: Adobe Stock

A médica veterinária Mirian Neves, da Clínica Veterinária Univet, explica que antes das aplicações é de extrema importância uma avaliação completa do animal, incluindo ouvidos, mucosas, temperaturas e até o comportamento e o histórico do pet.

“A partir do momento em que a gente aplica uma vacina no animal podemos gerar uma queda de imunidade, então é importante que ele esteja bem no momento da imunização”, explica ela.

O ideal é que o tutor esteja presente na hora da vacina, para diminuir o estresse deste momento e passar segurança ao animal. As reações são comuns e incluem dor, febre baixa e um comportamento mais prostrado. Contudo, se elas persistirem por mais de um dia após a vacina, o ideal é contactar o veterinário.

Vacinas para cães

VACINAPROTEGE CONTRAIDADEDOSESREFORÇO
V8 ou V10Cinomose, parvovirose, hepatite infecciosa canina, adenovirose-2, parainfluenza, coronavirose e tipos mais comuns de leptospirose6 a 8 semanas4 com intervalo de 3 a 4 semanasUma dose anual
Gripe CaninaGripe canina, tosse dos canis, traqueíte ou traqueobronquite infecciosa2 meses2 com intervalo de 4 semanasUma dose anual
AntirrábicaRaiva canina4 mesesÚnicaUma dose anual
LeishmanioseLeishmaniose6 meses3 com intervalo de 3 semanasUma dose anual

Vacinas para gatos

VACINAPROTEGE CONTRAIDADEDOSESREFORÇO
V3, V4 ou V5Panleicopenia, rinotraqueíte, calicivirose, clamidiose e leucemia felinaDe 45 a 60 dias  3 com intervalo de 21 a 30 diasUma dose anual
AntirrábicaRaiva felinaA partir de 4 mesesÚnicaUma dose anual
Produtos de limpeza devem ser mantidos em locais seguros – Foto: Adobe Stock

Evite acidentes
De nada adianta cuidar da saúde do animal se ele está inserido em um ambiente repleto de perigos. Alguns acidentes podem ser fatais, mas costumam ser fáceis de se prevenir.

Veja como:
Faça o possível para evitar que os animais transitem por escadas. Da mesma forma, as piscinas devem ser protegidas com redes ou grades que dificultem o acesso.

Na saída ou entrada de casa, com carro, os tutores devem sempre se certificar de que os animais não estão por perto, evitando atropelamentos.

Produtos de limpeza devem ser mantidos em locais seguros, assim como eventuais venenos ou pesticidas. Pequenos objetos, quando ingeridos, também podem apresentar riscos para os animais.

Nos jardins, a preferência dos tutores deve ser por plantas atóxicas. Em caso de problemas, a recomendação é contatar urgentemente um médico veterinário, que acompanhará a situação para coordenar possíveis soluções.

Consultoria: Salete Cândido, LM Hospital Veterinário

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