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Motors

Versão turbo do Renault Duster: além da expectativa

Modelo entrega desempenho, mas faltam recursos de segurança; confira primeiras impressões

Por Ruben Hoyo / Auto Press

01 Maio 2021 às 15:27

Já faz quase uma década que a Renault causou uma revolução na categoria de SUVs compactos. Foi em 2012 que o Duster estreou, sendo um dos catalisadores para o boom de um dos segmentos que cresceu mais intensamente nos últimos anos e que aparentemente não vai arrefecer o ritmo tão cedo.

No entanto, nove anos na indústria automotiva são uma eternidade e a Renault está bem ciente disso. E é por isso que a renovação da Duster foi uma verdadeira urgência. Para dizer a verdade, uma ligeira renovação deste modelo ocorreu em meados do ano passado, quando recebeu melhorias consideráveis que o tornam mais rígido e, consequentemente, mais refinado. Mas uma parte fundamental dessa evolução ficou apenas para este ano: a estreia do motor TCe 1.3 Turbo.

Versão turbo do Renault Duster entrega desempenho, mas faltam recursos de segurança – Foto: Divulgação

O novo motor é produzido na França e montado em modelos que saem da fábrica de São José dos Pinhais, no Paraná, por enquanto apenas na versão a gasolina para países como Colômbia e México. No Brasil, a estreia deste propulsor será com uma versão flex, junto com a remodelação do Captur, que deve ocorrer ainda neste mês de maio.

No Duster, ele aparece apenas no segundo semestre. Em ambos os modelos, vai ocupar as versões de topo, enquanto o atual 1.6 litro com câmbio CVT fica nas configurações de entrada. Com a chegada de um motor mais potente como o TCe – que tem 156 cv com gasolina , a Renault pode voltar a oferecer o Duster numa versão com tração 4X4, opção que saiu de catálogo no Brasil no ano passado.

O motor TCe 1.3 Turbo tem quatro cilindros em linha e foi desenvolvido juntamente com a Mercedes-Benz, que o utiliza em modelos de entrada. Ele rende 156 cv com 25,5 kgfm – são 7 cv a menos e o mesmo torque que nos Mercedes, mas o Duster pesa 144 kg a menos.

A transmissão continua sendo a CVT X-Tronic, de origem Nissan, que envia a força para as rodas dianteiras. A má notícia é que a Renault insiste em oferecer apenas dois airbags, mesmo que certamente a estrutura mais rígida ofereça maior segurança.

Antes da chegada da motorização 1.3 Turbo, o SUV da Renault já era uma opção atraente pela excelente relação preço-espaço. Equação que agora adiciona desempenho e melhor dirigibilidade. Nesse ponto, ele se coloca em vantagem em relação a modelos que contam com motores atmosféricos, caso do Nissan Kicks, do Hyundai Creta, do Honda HR-V e Jeep Renegade.

Primeiras impressões

O novo Duster se mantém fiel ao conceito original dos utilitários esportivos, de ser um modelo robusto e pouco pretensioso. Ou seja: preserva as virtudes que o tornaram um sucesso, como excelente espaço interno, design exterior áspero, acabamentos simples e preço acessível. No entanto, o reforço estrutural que recebeu há pouco mais de um ano trouxe grandes benefícios em termos de condução.

Ele agora é percebido como mais forte e elimina todos os ruídos parasitas que o interior mostrava. Além disso, o isolamento tanto dos ruídos de rolagem quanto do trabalho mecânico é substancialmente melhor. Por outro lado, parte da vibração do motor é transmitida para o volante, o que causa algum desconforto.

A suspensão tem um longo curso, o que permite um acerto com uma fase inicial mais para o macio, o que gera conforto em estradas mais lisas, mas é robusta e tem bom apoio no manuseio em estradas de terra de baixa dificuldade.

Não é um veículo focado no 4X4, mas dada a boa altura e ângulos, não tem dificuldade ao enfrentar trechos mais irregulares, desde que não tenha uma aderência baixa demais.

A responsividade do motor 1.3 litro turbo é um dos pontos altos do Duster, com pouquíssimo turbo lag em qualquer situação. Há até um pouco de lentidão nas arrancadas mais calmas, mas isso tem mais a ver com o CVT.

No modo manual, a caixa tem oito marchas simuladas e se pode facilmente manter o regime de rotação na faixa desejada, o que permite manter um ritmo bem esportivo.

O Duster com motor turbo virou uma excelente opção de viagem. A evolução é dramática em relação ao binômio anterior, com motor de 2.0 litros com caixa automática de quatro trocas.

Mas embora tenha uma boa capacidade de resposta e muita agilidade, não se poderia dizer que o carro se tornou uma nova referência de desempenho na sua categoria, mas pelo menos se alinhou aos melhores.

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