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Bem-Estar

Unicamp lança site e aplicativo de saúde adolescente

Alunos do curso de Medicina lançaram plataforma para que jovens possam aprender sobre a prevenção de problemas comuns na adolescência

Por *Natália Velosa

21 mar 2021 às 07:57

Os alunos de Medicina da FCM (Faculdade de Ciências Médicas) da Unicamp lançaram o projeto “Adolescentes”, com plataforma composta por um site e aplicativo, com o objetivo de veicular conteúdos para promoção da saúde do público jovem.

O site Adolescentes contém textos sobre diversos temas relacionados ao público jovem – Foto: Divulgação

Pelo site e aplicativo, os adolescentes podem obter informações sobre a prevenção de problemas comuns na adolescência, como depressão, ansiedade, gravidez precoce, transmissão de ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis) e outros.

O projeto faz parte do grupo de pesquisa NRG (Neuroeducation Research Group), vinculado ao CEPID Brainn (Brazilian Institute of Neuroscience and Neurotechnology) da Unicamp, e é de autoria dos estudantes de Medicina da FCM, Sérgio Polo, Letícia Mansano e Paula Maria Bernardes Camargos, além da estudante de Medicina da PUC-Campinas Thaís Tawil.

Fazem parte também do projeto o pós-doutorando no NGR e orientador de Iniciação Científica, Ricardo Rodrigues Nunes, e a professora do Departamento de Pediatria da FCM da Unicamp e coordenadora do projeto, Lília Freire Rodrigues de Souza Li.

O site Adolescentes contém textos sobre diversos temas relacionados ao público jovem. Já o aplicativo é formulado através de quizzes para que o jovem possa aprender jogando, ganhando pontos, progredindo e se divertindo, tornando o processo de aquisição de informações mais atrativo.

O conceito utilizado é chamado de gamificação da aprendizagem, utilizado em diversos aplicativos já conceituados, como o Duolingo, focado na aprendizagem de idiomas.

“Se você só der um texto para eles lerem, é muito difícil aprenderem. Por isso tivemos a ideia da gamificação”, comenta o estudante Sérgio Polo.

Além disso, o aplicativo possui um campo destinado para perguntas, no qual o adolescente pode entrar em contato com a equipe. A ideia é que os jovens também possam ser ouvidos.

De acordo com a professora Lília, a ideia do projeto partiu da percepção de que existe uma lacuna de conhecimento no que deve ser feito, em relação às doenças, e no que o adolescente realmente sabe.

Segundo Lília, a adolescência é uma idade em que existe um certo distanciamento entre pais e filhos e uma busca por autonomia por parte do jovem. Entretanto, a falta de diálogo com os pais pode ocasionar uma ausência na procura de médicos especialistas quando necessário.

“Eles precisam ter mais autonomia e ter uma fonte de informação que consigam acessar os seus problemas de uma forma lúdica. No aplicativo a gente estimula essa autonomia, porque não tem a mãe nem o pai para responder por eles”, explica a coordenadora do projeto.

Com uma linguagem mais simplificada, o aplicativo facilita o entendimento do adolescente que, segundo a especialista, apresenta conhecimento de metade de um vocabulário de um adulto.

Qualquer adolescente pode acessar o site e baixar o aplicativo, que está disponível somente para Android na PlayStore do Google.

Principais doenças selecionadas no projeto

SÍNDROME ALCOÓLICA FETAL
É o transtorno mais grave do espectro de desordens fetais alcoólicas. Constitui um complexo quadro clínico de manifestações diversas, que podem ocorrer no feto em cuja mãe consumiu bebida alcoólica durante a gestação. Os prejuízos causados pela exposição pré-natal ao álcool estão relacionados a diversas partes do corpo e por diferentes processos, em vários locais que ainda estão em desenvolvimento, como por exemplo, a morte de uma série de tipos celulares, que pode causar desenvolvimento anormal de diferentes partes do corpo do feto. Não existe cura para a SAF, apenas intervenções propostas para crianças e para a família capazes de minimizar os danos causados.

CIRROSE
A cirrose pode ser definida como a formação de cicatrizes no fígado causadas por uma lesão, na maioria dos casos consequência do abuso de bebidas alcoólicas ou resultados de hepatites crônicas. Para aqueles indivíduos com cirrose avançada, já descompensada, o melhor tratamento é o transplante de fígado. Não existe uma cura medicinal para cirrose, somente estão disponíveis medicamentos para evitar uma progressão acelerada e para tratar dos sintomas e eventos provocados pela descompensação.

EPILEPSIA
A epilepsia é uma alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro, que não tenha sido causada por febre, drogas ou distúrbios metabólicos. Durante alguns segundos ou minutos, uma parte do cérebro emite sinais incorretos, que podem ficar restritos a esse local ou se espalhar. Muitas vezes, a causa é desconhecida, mas pode ter origem em ferimentos sofridos na cabeça, recentemente ou não. Traumas na hora do parto, abusos de álcool e drogas, tumores e outras doenças neurológicas também facilitam o aparecimento da epilepsia.

HEPATITE A
É uma infecção causada pelo vírus A (HAV) da hepatite, também conhecida como “hepatite infecciosa”. Na maioria dos casos é uma doença de caráter benigno, contudo o curso sintomático e a letalidade aumentam com a idade. A transmissão da hepatite A é fecal-oral (por contato entre indivíduos ou por meio de água ou alimentos contaminados pelo vírus.). Geralmente, quando presentes, os sintomas são inespecíficos, podendo se manifestar inicialmente como: fadiga, mal-estar, febre, dores musculares. A presença de urina escura ocorre antes do início da fase onde a pessoa pode ficar com a pele e os olhos amarelados (icterícia). A vacina contra a hepatite A é altamente eficaz e segura e é a principal medida de prevenção contra a hepatite A.

HEPATITE C
É um processo infeccioso e inflamatório causado pelo vírus C da hepatite e que pode se manifestar na forma aguda ou crônica, sendo esta segunda a forma mais comum. O surgimento de sintomas em pessoas com hepatite C é muito raro, cerca de 80% não apresentam qualquer manifestação, por esta razão a testagem espontânea da população prioritária é tão importante no combate a este agravo. Não existe vacina contra a hepatite C. Para evitar a infecção é importante não compartilhar com outras pessoas qualquer objeto que possa ter entrado em contato com sangue, usar preservativo nas relações sexuais e não compartilhar quaisquer objetos utilizados para o uso de drogas.

*Estagiária sob supervisão de Cristina Bianco

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