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Bem-Estar

Sinais que podem indicar o Mal de Alzheimer

Celebrado em 21 de setembro, o Dia Mundial do Alzheimer ressalta a importância da prevenção da doença

Por Redação

21 set 2020 às 07:34 • Última atualização 21 set 2020 às 07:35

Alguns sinais de que a pessoa está com a doença são mais precoces - Foto: Divulgação

Doença considerada muito comum no Brasil, o Mal de Alzheimer afeta 1,2 milhões de brasileiros, segundo a Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz). O problema é neurodegenerativo, o que significa uma diminuição gradativa de células e conexões nervosas. O principal sintoma do paciente é a perda de memória.

Portanto, quanto antes a doença for percebida, menos danos serão causados. É com o intuito de reforçar a importância da prevenção e procura pelo diagnóstico médico que foi estabelecido o Dia Mundial do Alzheimer em 21 de setembro.

Alguns sinais de que a pessoa está com a doença são mais precoces e, se reconhecidos, valem uma avaliação médica especializada.

O neurologista do Hospital Santa Catarina, Maurício Hoshino, reuniu sete sinais típicos que podem indicar que a pessoa pode ser um portador de Alzheimer.

  • Repetições de falas e ações: devido aos problemas de memória, pessoas com Alzheimer tendem a repetir as mesmas frases e ações, já que a doença costuma afetar principalmente a memória recente.
  • Problemas para realizar tarefas simples: uma simples tarefa como fazer café pode se tornar um problema para o portador de Alzheimer. Até mesmo a utilização dos utensílios corretos na cozinha passa a ser um obstáculo. Passa a ter dificuldade em manipulação do dinheiro, senhas e para elaborar as compras do supermercado ou padaria.
  • Esquecimento frequente de palavras: em um estágio um pouco mais avançado, o portador de Alzheimer passa a esquecer palavras básicas. A degeneração constante das células no cérebro leva a essa condição.
  • Mudança repentina de humor: é comum uma pessoa que tenha o Mal de Alzheimer ficar facilmente irritada e chateada, com falta de confiança e sentindo-se frustrada.
  • Não saber onde está ou o que está fazendo em determinada situação: é recorrente que o portador da doença neurodegenerativa perca a noção de onde está, esquecendo-se totalmente de seu propósito na situação e no local presente. É costume encontrar uma explicação para suas falhas, embora não justifique a frequência com que ocorrem.
  • Falta de higiene pessoal: algumas mudanças no comportamento são típicas do portador de Alzheimer, por exemplo esquecer-se de tomar banho ou de fazer seus procedimentos básicos de higiene (e frequentemente argumenta que já o fez). Colocar as mesmas roupas também é habitual, assim como a falta de preocupação com a própria imagem.
  • Mudança de linguagem e dificuldade na fala: a pessoa com Alzheimer tende a utilizar uma linguagem mais simplificada, utilizando cada vez menos palavras e apresenta nítida dificuldade de construir frases coesas. O vocabulário fica mais simplificado.

Fonte: Hospital Santa Catarina

Cannabis medicinal para Alzheimer

Segundo a Organização Mundial de Saúde, estima-se que existam no mundo em torno de 50 milhões de pessoas com demência e apontam, que este número deverá triplicar nos próximos 30 anos. A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência e pode contribuir para 60-70% dos casos. De acordo com a Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz) o número de pacientes com Alzheimer no Brasil chega a 1,2 milhão.

A demência é uma das principais causas de incapacidade e dependência entre as pessoas idosas em todo o mundo. A demência tem um impacto físico, psicológico, social e económico, não só nas pessoas com demência, mas também nos seus cuidadores, famílias e sociedade em geral.

A investigação sobre cannabis e Alzheimer continua a desenvolver-se e pode apresentar uma opção adicional de tratamento

Diferentes estudos científicos destacam o uso de cannabis medicinal para o tratamento dos sintomas de Alzheimer. As principais propriedades dos canabinóides para o tratamento dos sintomas seriam: anti-inflamatório, neuroprotector e antioxidante.

O diretor global da Spectrum Therapeutics, Wellington Briques, destaca alguns destes estudos e os seus resultados:

1.O potencial terapêutico do sistema endocannabinoide para a doença de Alzheimer

Com base na patologia complexa da doença de Alzheimer, parece ideal uma abordagem preventiva e multimodal de medicamentos que vise uma combinação de sintomas patológicos da doença de Alzheimer. É importante notar que os canabinóides apresentam propriedades anti-inflamatórias, neuroprotetoras e antioxidantes e têm efeitos imunossupressores.

2.Estudo IN VIVO das propriedades terapêuticas do Cannabidiol (CBD) para a doença de Alzheimer

Os estudos demonstram a capacidade da CDB de reduzir a gliose reativa e a resposta neuro inflamatória, bem como de promover a neurogênese. É importante notar que a CDB também inverte e impede o desenvolvimento de défices cognitivos em modelos de roedores AD. Curiosamente, as terapias combinadas de CBD e Δ9-tetrahidrocanabinol (THC), o principal ingrediente ativo da cannabis sativa, mostram que a CBD pode antagonizar os efeitos psicoativos associados ao THC e possivelmente mediar maiores benefícios terapêuticos do que qualquer um dos fitocanabinóides sozinho. Os estudos fornecem “prova de princípio” de que o CBD e possivelmente combinações CBD-THC são candidatos válidos para novas terapias AD. Outras investigações devem abordar o potencial a longo prazo da CDB e avaliar os mecanismos envolvidos nos efeitos terapêuticos descritos.

3. Utilização de CBD (Cannabidiol) para tratar os sintomas de Alzheimer e outras demências

As células cerebrais dos doentes de Alzheimer mostram frequentemente um caminho de rápido declínio e destruição. O potencial de estimular o tecido cerebral foi recentemente descoberto como um benefício potencial da CDB. Em ensaios clínicos, a CDB demonstrou a capacidade de reverter e mesmo impedir o desenvolvimento do impacto negativo da doença de Alzheimer. Um estudo realizado em 2011 pelos investigadores australianos Tim Karl e Carl Group revelou que a CBD promove o crescimento e desenvolvimento de células cerebrais, reduzindo o declínio da memória e outras funções cerebrais.

Diagnóstico precoce pode evitar progressão rápida da doença

A doença de Alzheimer não tem cura, porém, o diagnóstico precoce e a reabilitação neuropsicológica são fundamentais para diminuição da progressão da enfermidade e para proporcionar melhor qualidade de vida aos pacientes e seus familiares. Falar sobre o assunto é uma questão de saúde pública, assim como relembrar a população dos principais sintomas e tratamentos.

Ainda segundo a OMS, o Alzheimer é causa de 70% dos casos de demência mundial. Os números expressivos, explicado pelo aumento do envelhecimento da população, geram preocupação e interesse dos cientistas em como frear a doença. “É importante lembrar que o Alzheimer é uma doença crônica, porém estamos vivendo uma onda positiva em relação aos estudos e pesquisas de novas drogas para postergar os seus efeitos. A expectativa é que nos próximos cinco anos, os pacientes terão mais opções de tratamentos, que vão atuar diretamente em mecanismo de progressão”, explica o neurologista e coordenador do Núcleo de Memória da Unidade Campo Belo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Dr. Diogo Haddad.

O diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento da doença. Para isso, a família tem um papel fundamental, pois são as pessoas próximas que costumam perceber os sintomas, como perda de memória recente, disfunção e alteração na linguagem e mudanças comportamentais. “Geralmente, o diagnóstico acontece acima dos 70 anos, mas os sinais já começam a aparecer 10 anos antes, de uma forma discreta que ainda não afeta a vida da pessoa. O diagnóstico precoce vai ajudar a estimular a área afetada”, diz o neurologista.

Segundo o médico, o fator genético dificilmente é o responsável pelo Alzheimer, ou seja, familiares de pessoas com a doença não estão necessariamente predispostos a contraírem a patologia. Entre os fatores de risco estão a falta de atividade intelectual e física, tabagismo, obesidade e diabetes, situações que podem ser controladas ao longo da vida. Porém, o Alzheimer não tem uma causa apenas definida, a recomendação dos especialistas é que as pessoas mantenham os estímulos cerebrais ativos, realizando atividades intelectuais durante toda a vida.

AJUDA. A neuropsicóloga do Núcleo, Priscilla Brandi Gomes Godoy, explica que ao menor sinal dos sintomas é fundamental que o paciente seja encaminhado para um especialista. “Existem vários tipos de demências e doenças que geram perda de memória e que podem ser confundidas com Alzheimer. Procurar um profissional para realizar os exames é fundamental para a detecção precoce da doença”, afirma.

Durante a avaliação são realizados testes de memória, de linguagem, além de testes físicos. “Em seguida, o paciente recebe o diagnóstico do neurologista e, se for o caso, é encaminhado para reabilitação neuropsicológica, onde passará por diversos processos e atividades cognitivas para o fortalecimento dos neurônios”, explica Priscilla.

Fonte: Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Oito mitos e verdades sobre a doença

Para esclarecer algumas informações que podem nos confundir devido a alguns mitos da ‘sabedoria’ popular, a EUROIMMUN, laboratório especializado no diagnóstico de doenças autoimunes, infecciosas, alergias e genéticas, esclarece oito mitos e verdades sobre o Alzheimer.

1. Alzheimer é uma doença genética

MITO. Apenas 2 a 5% dos casos de Alzheimer são causados por mutação genética, e mesmo assim sem correlação de hereditariedade. A maioria das desordens mentais, como o Alzheimer, são aleatórias e o fator de risco mais importante é a idade.

2. O primeiro sintoma da doença de Alzheimer é a perda de memória.

MITO. A perda de memória é um sinal comum do Alzheimer, mas nem sempre é o sintoma inicial. A dificuldade de linguagem, desorientação no tempo e espaço, alterações de comportamento e humor e dificuldade de planejamento são em muitos casos os primeiros sintomas da doença.

3. Nem todos os problemas de memória são devido ao Alzheimer

VERDADEIRO. O Alzheimer é apenas uma das doenças que podem afetar a memória. O estresse, depressão, diabetes, doença da tireóide e outras demências como Doença de Parkinson e esclerose múltipla, podem afetar a memória.

4. Mulheres têm mais chance de desenvolver Alzheimer

VERDADEIRO. A doença de Alzheimer afeta duas vezes mais mulheres que os homens! O fato é que as mulheres vivem mais que os homens e um dos principais fatores de risco da doença é a idade.

5. Demências são consequências do envelhecimento

MITO. Primeiro devemos explicar que demência não significa loucura. Demência é um quadro diagnóstico cujo paciente apresenta perda cognitiva progressiva. As demências não são consequência do envelhecimento, apesar de comum, as demências não fazem parte do envelhecimento normal.

6. O diagnóstico do Alzheimer é muito difícil

FALSO. Não existe um único critério específico e confiável para o diagnóstico de Alzheimer, mas uma combinação de testes, e todos disponíveis na medicina laboratorial. A combinação de anamnese, perfil neuropsicológico, imagens cerebrais e biomarcadores de líquor (proteína total tau, tau fosforilada, Beta-amilóides 1-40 e 1-42) diferenciam o Alzheimer de outras demências ainda no estágio inicial da doença. Esses testes estão todos disponíveis no Brasil atualmente, converse com seu médico.

7. A doença de Alzheimer não tem cura.

VERDADEIRO. Apesar de não ter cura, alguns tratamentos podem retardar a evolução da doença e minimizar os sintomas. Por isso o diagnóstico precoce é um importante aliado para retardar a progressão da doença.

8. É possível evitar o Alzheimer.

PARCIALMENTE VERDADEIRO. Atividades cognitivas, alimentação saudável e exercícios físicos apesar de não impedirem o desenvolvimento da doença, contribuem para retardar o início e o aparecimento dos sintomas.

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