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Bem-Estar

Sinais que as redes sociais estão prejudicando a saúde mental

Se a mente está condicionada a ver somente o que as crenças permitem, internauta pode acreditar que 100% daquilo é real

Por Ana Ferrari/Com.tato

16 de junho de 2024, às 11h01

 Preventivamente, precisamos ter um olhar consciente para as redes sociais. Usadas de uma forma equilibrada, elas oferecem soluções produtivas e proveitosas. Porém, utilizando as redes como meio de entretenimento ou ferramenta profissional, de toda maneira acessamos a vitrine do mundo em tempo real, vemos a vida de pessoas que têm uma realidade totalmente diferente.

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Se a mente está condicionada a ver somente o que as crenças permitem, o frequentador das redes pode acreditar que 100% daquilo que está exposto é real, que não há nenhum tipo de edição, que a vida é sempre linda e isso pode ser perigoso, principalmente para quem sofre de depressão.

A maioria, quando quer navegar pelas redes, pega o celular ou o computador e começa, sem método ou controle do tempo. A dica é que estabeleça e respeite horários para navegar. Além de não ficar refém dos posts e dos vídeos, essa estratégia há de permitir que consiga tempo para as demais pessoas e áreas da vida que precisam de atenção.

Há um certo preconceito em relação àqueles que decidiram usar pouco ou não usar as redes sociais, que preferem uma vida analógica e regada ao convívio presencial. Por mais que sejamos antagônicos sobre essa decisão, precisamos estar cientes de que é um direito da pessoa, que não pode nem deve ser julgada por isso, pois ela não está certa ou errada, simplesmente fez uma escolha e sente-se bem assim.

Observe que, nos últimos meses, decerto você foi convidado (em alguns casos, convocado) a fazer parte de um ou vários grupos das redes. Em dado momento, cabe estudar a hora de gentilmente se desligar, pois os grupos são os principais ladrões de tempo e escondem ainda um perigo: quase todo grupo tem protagonistas, opiniões acaloradas, ofensas, coisas positivas e outras nem tanto. Ao identificar o instante em que determinado grupo deixou de fazer bem a você, não hesite, nem se sinta obrigado a manter-se ali porque aprecia quem o incluiu. Certamente, a pessoa vai entender que você deseja sair para focar outras áreas importantes.

Por mais que a empresa permita o uso de telefone celular ou das redes sociais no trabalho, cabe ao profissional o bom senso de evitá-las pela perspectiva pessoal. Ou seja, se está usando as redes para divulgar o produto ou serviço da empresa, sem problemas. Contudo, usar o horário que deveria ser dedicado ao trabalho para verificar posts pessoais é uma ação que não prejudica somente a empresa ou o patrão. Pelo contrário, o profissional prejudica a sua imagem, produtividade e carreira como um todo.

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Às vezes, alguém nos pede amizade porque há amigos em comum e aceitamos. Com o tempo, descobrimos por meio das postagens que discordamos da maneira com que essa pessoa enxerga o mundo, a vida, as convicções e, sem querer, passamos a ter na rede uma pessoa de comentários tóxicos, inconvenientes, sempre disposta a embates desrespeitosos. Se esse é o caso, a recomendação é que não mantenha dentre os seus “amigos” alguém cujo conteúdo não lhe faz bem.

Fonte: Artigo de Julio Cerquetane, estudioso do comportamento e da mente, ministra palestras e dedica parte de seu tempo aos estudos nesse campo.

Alguns sinais de alerta que evidenciam que as redes sociais estão prejudicando a saúde mental do usuário, segundo Julio Cerquetane:

Isolamento social – Uma das primeiras características de alguém que se torna “dependente digital” é deixar de lado a vida social. “Então, recomendo atenção redobrada para a pessoa que você ama e que, aos poucos, tem ficado cada vez mais tempo em um canto, sem interagir, restrita ao microuniverso do telefone celular”;

Descompromisso com os relacionamentos – outro termômetro que indica a proximidade da pessoa com a depressão é o momento em que ela prioriza as redes sociais e não se preocupa com as consequências que isso pode acarretar aos seus relacionamentos. Por exemplo: casais que se sentam à mesa para almoçar e, na verdade, só fazem “navegar”. Antes que a depressão se instale, o caminho é reduzir o distanciamento social, passando a interagir, viver e conviver;

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Agressividade – proponha retirar o celular de alguém ou observe o comportamento da pessoa quando a internet cai. Se qualquer dessas situações deixar a pessoa agressiva, o sinal de alerta está aceso.

Bullying digital – É nas redes sociais que os nossos filhos interagem e, uma vez lá, podem ser ofendidos pela aparência, pelo estilo ou por razões diversas. As pessoas que frequentam as redes sociais podem ser bem cruéis, o que deixa para nós, pais e educadores, o compromisso de entender “de quem” os nossos filhos são “amigos” e se recebem dessas pessoas o merecido respeito;

Comparação digital – cuidado com as associações e comparações involuntárias. Cada ser é único por essência, mas não é fácil legitimar essa unicidade, uma vez que vemos nas redes pessoas mais magras, mais belas, mais ricas, mais isto e mais aquilo. Lembre-se de algo que há de fazer toda a diferença no sentido de que você não se aproxime da depressão: a única pessoa que pode fazer comparações é você. Ou seja, ninguém vai forçar você a se comparar e, além disso, é possível ser feliz e manter a alegria do jeitinho que você é, com aquilo que possui e com as pessoas que escolheu para viverem ao seu lado.

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