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Revista L Educação

Sem fórmula perfeita para o ‘estudante de sucesso’

Aprovação no vestibular vai além do conhecimento acadêmico e estudante precisa lidar com cobranças e incertezas

Por Natália Velosa

26 Novembro 2021, às 07h33

Aprovação no vestibular vai além do conhecimento acadêmico – Foto: Adobe Stock

O período pré-vestibular é bastante delicado para os estudantes. Uns são aprovados na faculdade logo depois do ensino médio, outros precisam de curso pré-vestibular e passam anos estudando. Alguns, ainda, mudam de carreira ou só conseguem se encontrar depois de algum tempo.

Em meio a um mar de incertezas e cobranças externa e interna, não existe um guia ou receita para o “estudante de sucesso”. Cada processo é único e individual, sem um caminho perfeito.

O estudante Sandro Antonio Grossi, de 32 anos, tomou a decisão de deixar o emprego de técnico de informática e uma vida de estabilidade aos 27 anos para ir atrás da profissão dos sonhos. Apesar da felicidade “indescritível” da aprovação, o estudante confessa que não foi fácil lidar com a pressão interna durante os cinco anos de preparo.

A rotina consistia em aulas de aprofundamento pela manhã e revisão do conteúdo à tarde e à noite. Aos finais de semana, estudava por 10 horas no sábado e descansava no domingo. Essa rotina exaustiva perdurou até Sandro ser aprovado este ano em medicina na UniCesumar, em Maringá, no Paraná, através do Fies (Financiamento Estudantil), pelo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

Apesar de toda determinação, nem todos os dias eram assim. “Eu tentava ao máximo manter o cronograma de estudos para não acumular matéria, mas com certeza existiam dias em que não tinha como. Nessas ocasiões eu tentava descansar um pouco e compensava esse dia de descanso nos finais de semana”, diz o estudante.

A psicóloga clínica e coordenadora do curso de psicologia do Unisal, Marcia Calixto, explica que o aluno precisa ter em mente que o perfeito não existe. É necessário que ele compreenda que as pessoas terão expectativas sobre ele, mas que não precisam, necessariamente, serem atendidas.

“Ter os próprios objetivos e ter consciência das próprias limitações será fundamental para que o estudante preserve a saúde mental nesse momento de desafio. É preciso trabalhar com os jovens para que essa ideia da perfeição não se torne uma demanda”, diz Marcia.

A psicóloga explica que a fase de vestibular é marcada por pressões e cobranças de diferentes fontes e, a longo prazo, quando não há boas estratégias de compensar os seus impactos, podem desencadear altos níveis de ansiedade. Como consequência, prejudicam-se aspectos cognitivos, como a memória, a concentração e a atenção.

Gabriela Miano durante aula no curso de medicina: “O melhor conselho é não se comparar com outras pessoas” – Foto: Arquivo pessoal

A estudante Gabriela Miano, de 24 anos, sentiu na pele como a saúde mental e o descanso fazem diferença nos resultados. Durante cinco anos, Gabriela passou pelo processo pré-vestibular para conseguir a aprovação este ano em medicina, na Universidade Anhembi Morumbi, em Piracicaba. Mesmo tendo um ótimo resultado nos simulados, o nervosismo e ansiedade faziam com que o desempenho nas provas fosse ruim. 

Para a ex-vestibulanda, o melhor conselho para quem passa por essa situação no momento, é não se comparar com outras pessoas. “Estudar é uma profissão. Cansa, dá trabalho. Cada um tem sua hora para realizar seus sonhos. Na faculdade há pessoas de todas as idades, então não acredite na convenção social de que o estudante tem que sair do ambiente escolar e ir direto para a universidade”, diz.

O estudante que está no preparo para realizar vestibulares saiu de uma empreitada de nove anos de conteúdos apresentados diariamente para se preparar durante um ano. Diferentemente do habitual da escola, o aluno passa a ser o principal responsável pela agenda de estudos e carrega o compromisso de se organizar e focar nos temas de maior dificuldade e interesse sozinho. Neste momento, o professor possui papel fundamental para suporte e apoio.

Docente de geografia, Willian Ferreira ressalta que o papel do professor é transmitir segurança para os alunos na preparação para o vestibular – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

No trabalho com os alunos de ensino médio e pré-vestibular, o docente
de geografia do Colégio Antares, Willian Ferreira, defende que o papel do professor é transmitir segurança para os alunos nesse momento decisivo da vida deles. “Eles nos procuram quando estão angustiados e pedem sugestões sobre cursos e áreas de atuação”, conta Willian, enfatizando a proximidade entre eles.

O convívio diário permite que os professores conheçam os pontos fortes de cada aluno, mas também saibam os momentos em que eles precisam de ajuda. Quem afirma é a professora de literatura e gramática do Colégio Antares, Tatiane Gueriero, que participa desse momento com os estudantes.

“A gente consegue bater o olho e saber quando eles estão cansados. Quando isso acontece, mudamos a estrutura da aula, fazemos um bate-papo, assistimos algum filme ou série relacionado com o tema, tentamos fazer algo mais tranquilo para acalmá-los”, diz Tatiane.

Professora de literatura e gramática, Tatiane Gueriero cita que a convivência com os alunos permite saber o momento em que eles precisam de ajuda – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

A mudança de estratégia na hora dos estudos também é defendida pela gerente dos polos regionais de Americana e Paulínia da Universidade Anhembi Morumbi, Lorena Carla de Lima. Para ela, um modelo de estudos interativos e multifacetado possibilita ao estudante interagir com o tema que lhe é sensível e fugir de um modelo monótono de estudos.

Também responsável pelo portal Enem na Mira, projeto gratuito e socioeducativo que ajuda alunos do ensino médio a conquistarem uma nota alta no exame, Lorena explica que é fundamental que o estudante tenha autonomia do processo de aprendizado, porque assim consegue respeitar o próprio processo de acordo com os seus repertórios e habilidades.

“A cada 15 dias temos uma live de um assunto específico, mas o estudante pode acessar esse conteúdo no momento que ele quiser. Da mesma forma que ele pode acessar os podcasts, dicas e e-books em seu próprio tempo, conforme o seu planejamento acadêmico”, diz a gerente. 

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