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Bem-Estar

Quando uma ‘boa intenção’ pode mais atrapalhar do que ajudar

Em busca de oferecer um conforto para quem sofre de problemas na saúde mental, algumas pessoas oferecem um ombro amigo por meio da internet chamado “DM Aberta”

Por Raphael Lucca - MF Press Global

10 out 2021 às 10:02

Cerca de 12 mil pessoas tiram suas próprias vidas no Brasil todos os anos enquanto mais um de milhão fazem o mesmo em todo o mundo - Foto: Divulgação - MF Press Global

Se por um lado a iniciativa parece louvável pelo caráter humanitário de escutar o próximo, por outro o PhD, neurocientista, psicanalista e biólogo Fabiano de Abreu alerta que esta ideia pode não dar o efeito esperado, e até trazer mais problemas para a pessoa que já está com a saúde mental abalada. “A ‘DM aberta’ pode atrapalhar mais do que ajudar. A pessoa que está em estágio de depressão grave pode ver aquela mensagem de forma pejorativa. Ela pode pensar que o dono da mensagem está feliz reforçando que ele não está. Há estágios que são delicados e as estratégias cognitivas são minuciosas”.

Assim, Fabiano alerta: “Mesmo que a pessoa esteja realmente com intenção de ajudar ao próximo, é preciso entender que naquele momento não há a presença de um profissional preparado para lidar com isso. Um psiquiatra, por exemplo, saberá o histórico daquela pessoa e a real situação do seu quadro clínico, logo saberá lidar da melhor forma com aquela pessoa que está passando pelos problemas. E um conselho mal dado, ou simplesmente não interpretado corretamente, pode ocasionar uma série de problemas”.

A melhor forma de ajudar quem precisa de amparo nestas horas, recomenda Abreu, é convencer a pessoa a buscar um tratamento com um especialista: “Converse com a pessoa, a escute, mas reforce a ela a importância de procurar um profissional preparado para lidar com isso. Não assuma essa responsabilidade, você pode estar com aquela vida em suas mãos e isso é algo muito sério”, completa o neurocientista.

Fabiano de Abreu dá dicas para pacientes com depressão

Nunca na história este tema se tornou tão relevante como no momento de pandemia que vivemos. Após relatos de suicídios relacionado com o coronavírus e o confinamento a ele associada, o PhD, neurocientista, psicanalista e especialista em estudos da mente humana, Fabiano de Abreu, foi contactado. Após ter confirmado que o número de casos de depressão se acentuou com esta crise psicológica da pandemia, o pesquisador logo concentrou-se em pesquisas e análises para avaliar o que ele já previa ocorrer.

Em momento de reclusão e isolamento social, por conta do cenário mundial – Pandemia de Coronavírus – se você é portador da doença “Depressão”, observe algumas questões “preventivas” bastante pertinentes:

  • Mantenha o seu tratamento psicoterápico via on-line, a grande maioria dos profissionais estão a trabalhar nessa modalidade.
  • Se faz uso de medicação, siga corretamente a prescrição médica. Não aumente a dosagem, nem faça desmame por conta própria.
  • Se a sua medicação está para acabar, entre em contato com o seu psiquiatra, todos estão trabalhando sob novos protocolos.
  • Mantenha-se informado somente por vias sérias e éticas de notícias. Evite “Fake News”.
  • Trabalhe a sua respiração através da meditação. A respiração consciente e ritmada, mantém a homeostase do corpo.
  • Durma bem, o sono fisiológico possibilita uma “psicoprofilaxia”, filtragem e limpeza de metabólitos cerebrais.
  • Mantenha uma alimentação equilibrada. Alimentos funcionais, menos processados e coloridos. “Descasque mais e desembrulhe menos”
  • Beba água, mantenha-se hidratado para o melhor funcionamento de todo o sistema de filtragem e eliminação, mantendo o organismo em bom funcionamento.
  • Use a criatividade e o espaço possível para uma atividade física que goste.
  • Evite excesso de álcool, evite drogas. Mantenha-se lúcido.
  • Mantenha a rotina, isso faz com que você continue orientado no tempo.
  • Desenvolva um plano, e faça um planejamento para realizar uma “comemoração” quando tudo isso passar.
  • Traga para sua mente bons pensamentos e boas emoções. O que nós pensamos nós sentimos.
  • Sinta-se pertencendo a um grupo, o sentimento de pertença traz-nos importância.
  • Faça chamadas de vídeo ou mesmo videoconferência para reunir os amigos.
  • Não falta tempo, por isso organize a casa, os armários, leia os livros que guardou na estante, assista aos filmes e as séries que queria e não tinha “tempo”.
  • Descubra um talento oculto, e trabalhe-o como uma TO – Terapia Ocupacional: Escrever, desenhar, pintar, esculpir, cozinhar, bordar…
  • Para casos mais graves em que tenha ocorrido uma tentativa ou pensamentos de suicídio, trabalhe na “redução de danos”, seguindo orientações básicas:
  • Seja presente de forma integral na vida do sujeito portador do transtorno – depressão.
  • Aproxime-se de pessoas que estão em sofrimento emocional/psicológico.
  • Ofereça conversa com escuta de qualidade.
  • Conduza a conversa até perceber que a pessoa está segura e confiando em si.
  • Pergunte abertamente se ela já pensou na própria morte.
  • Com o terreno preparado, pergunte se ela já pensou em tirar a própria vida.
  • Pergunte que método ela escolheria e por que seria assim?
  • Deixe-a falar, chorar, contar todo o seu plano.
  • Após tomar conhecimento da idealização e do planeamento, mostra-se solidário.
  • Compreenda “sem julgar”, a partir daí ofereça um “pacto ou um contrato de preservação” à vida.
  • O desafio e a confissão trazem alívio. Deixando a pessoa com o recurso de procurar ajuda naquele confidente ou num grupo de ajuda.
  • Quando nos esvaziamos desse sentimento de angústia e desesperança, começamos a valorizar a vida.
  • Ter alguém que guarda o nosso segredo conecta-nos a um outro ser. Esse sentimento de confiança forma um elo e traz motivação para superar o momento.
  • Ter ciência do plano e do planeamento para a execução, podendo tirar da pessoa a ferramenta que ela utilizaria.
  • Recolha a medicação, retire o que puder ser feito de corda, lâminas cortantes, e não deixe a pessoa sozinha.
  • A presença traz a companhia e inibe a tentativa de atentar contra a própria vida.

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