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Desafios incontáveis

Dificuldades na quarentena são ‘comuns’ a familiares de crianças com câncer

Pais de crianças em tratamento oncológico nos ensinam a tirar de letra o período de isolamento

Por Da redação

03 jul 2020 às 15:34

Quando uma criança é diagnosticada com câncer, os desafios que os pais enfrentam são incontáveis. Todas as demandas usuais continuam e a elas soma-se uma nova rotina de tratamentos e cuidados especiais com a saúde do filho, cuja imunidade fica bastante comprometida ao longo do tratamento.

A rotina rígida e restrita que vivemos hoje, cercados de cuidados em função da Covid-19, por exemplo, já é uma realidade para elas há tempos. E mais: estende-se por longos períodos.

A boa notícia é que a maioria das famílias se adapta muito bem, principalmente com o apoio de suas equipes de atendimento e a compreensão de amigos, familiares e comunidade.

Por que não aprendermos então, com eles, a como enfrentar o nosso período de isolamento social, imposto pela pandemia do novo coronavírus?

Durante a quarentena atual, a incerteza diante de um cenário que nunca vivemos e pouco podemos prever, tem gerado ansiedade nas famílias. Como, de fato, há imprevistos nesse caminho, a dica é se concentrar em viver um dia de cada vez e não paralisar as atividades à espera de uma saída.

Maristela Lago e Maria Eduarda – Foto: Divulgação

Isolamento e saudade

Para Maristela Lago, mãe de Maria Eduarda, de 17 anos, em tratamento no Boldrini contra um linfoma Hodgkin, a saída para lidar com tempos de isolamento e a saudade (das pessoas e até na nossa antiga rotina) é aprender a ressignificar e a priorizar.

“Eu, por exemplo, passei mais de um mês com a Duda em um quarto de hospital, após a realização de um transplante, sem sair de lá e sem poder receber visitas. Nesse momento tão difícil, fiz amigos no próprio hospital que lembrarei para a vida inteira. É uma experiência que muda nosso jeito de ver o mundo, de tratar as pessoas e de processar tanta informação diariamente. Ter foco nos dá muita força. É um amadurecimento”, conta Maristela.

Deixar-se ser amparada, segundo Maristela, também é fundamental. “No tratamento contra o câncer, não existe cartilha. É preciso tatear caso a caso, e é difícil lidar com tamanha insegurança. Por isso, um dos maiores ganhos nessa travessia são as amizades e laços que criamos com aqueles que estão passando pelo mesmo desafio que nós. Juntos, vivenciamos dias de oração, recebemos muito amor e, principalmente, compreensão. Temos dias tensos, temos dias de muita alegria. Dia de alegria com nosso filho e preocupação com o da colega ao lado. Celebramos conquistas”.

Priscila Pires Antoniassi e Arthur – Foto: Divulgação

Pequenas coisas são apenas isso – pequenas

Priscila Pires Antoniassi, mãe de Arthur, de 8 anos, que trata de um osteossarcoma no Centro Infantil Boldrini, relata que, desde que recebeu o diagnóstico do filho, há três anos, foi fundamental que a família aprendesse a lidar com as incertezas do tratamento para que todos pudessem continuar aproveitando os bons momentos de cada dia.

“Há três anos, ao receber o diagnóstico de que meu filho Arthur, então com 5 anos, sabia que estava prestes a viver momentos imprevisíveis. Ao mesmo tempo em que enfrentávamos todo nosso medo e angústia, também nos esforçávamos para lembrar que uma vida bem vivida tem que ter risada e amor abundante. Com mais pessoas em casa – e por mais tempo – é comum surgirem atritos”, afirma Priscila.

Nesses momentos, é importante manter uma perspectiva do que é realmente significativo para nós. Trata-se de um exercício constante, pois, é claro, depois de pedir ao seu filho pela 37ª vez para ele limpar o quarto, uma “coisa pequena” vez ou outra acaba nos afetando. Mas vale lembrar: muitas vezes, problemas que nos causam tremenda agitação são mesmo …. pequenos.

Carolina Prado Ruggiero e Bruno – Foto: Divulgação

Estabeleça rotina: o melhor da vida é viver
Carolina Prado Ruggiero, mãe de Bruno, de 3 anos, que trata leucemia, conta que, após a doença do filho, aprendeu que o cotidiano é maravilhoso. E dá essa dica aos pais nesse período turbulento.

“Quanta alegria eu perderia se não tivesse aprendido a ver a vida desta maneira? Valorizo o simples, o cotidiano, o habitual. Acordar e meu filho não ter febre, ver que ele está comendo bem. Por isso, sugiro aos pais que agradeçam pelos dias corriqueiros e cotidianos da quarentena”.

Fonte: Centro Infantil Boldrini, que há 42 anos atua no cuidado a crianças e adolescentes com câncer e doenças do sangue
www.boldrini.org.br