Do interior de SC, pilota Bruna Tomaselli trocou boneca por carrinho na infância

Sonhando com uma vaga no grid da W Series, Bruna Tomaselli reforçou a sua preparação física e técnica nos últimos…


Sonhando com uma vaga no grid da W Series, Bruna Tomaselli reforçou a sua preparação física e técnica nos últimos meses, desde que entrou na lista inicial do processo seletivo para se tornar pilota da nova categoria. “Estou fazendo ainda mais academia e simulador para chegar bem preparada e brigar por uma das 18 vagas”, afirmou ao Estado a atleta de 21 anos.

A ansiedade não é por acaso. Em uma modalidade fortemente dominada pelos homens, a chance de correr em uma nova categoria, reservada às mulheres, é quase única para uma pilota, principalmente no Brasil, onde o automobilismo feminino praticamente inexiste.

A trajetória de Bruna, ainda que iniciante, revela as dificuldades para uma mulher se tornar pilota profissional. Nascida em Caibi, no extremo oeste de Santa Catarina (“quase na Argentina”, como ela mesmo brinca), a atleta começou no kart aos 7 anos. Em diferentes categorias que competiu pelo País, nunca enfrentou mais que meia dúzia de meninas. Seus rivais sempre foram meninos e homens. “Em quase todas as corridas que já disputei, eu era a única menina na pista. Às vezes aparecia mais uma ou duas, mas era raro”.

Com bons resultados no kart em nível estadual e regional, ela passou a competir em carros de fórmula aos 15 anos. Competiu na Fórmula Junior, Fórmula RS até chegar na Fórmula 4 Sul-Americana, em que ficou em quarto lugar em 2015. Em outro bom resultado, ficou em terceiro competindo com mais de 80 adversários no Skusa, uma das principais competições de kart do mundo, nos Estados Unidos, em 2011.

Tudo isso bancado pelo pai, dono de uma empresa familiar na mesma Caibi, de apenas 6.213 habitantes, segundo o IBGE. Foi o apoio da família que permitiu Bruna entrar na USF2000, algo como a “quarta divisão” da Fórmula Indy. “Como aqui no Brasil quase não há categorias de fórmula, tínhamos duas opções: EUA ou Europa. Mas só tínhamos condições de bancar a competição nos EUA”, explicou Bruna, que nunca teve patrocínio ou apoio formal das entidades ligadas à modalidade.

O suporte familiar, portanto, permitiu a continuidade de sua carreira. “Meu pai nunca foi muito fã de automobilismo. Não tinha ninguém da família nesta área. Mas todos me apoiaram desde o início”, disse a pilota, que não chegou a sofrer com preconceitos entre familiares e amigos. “Desde pequena eu gostava de carros. Eu desenhava carrinhos, brincava. Troquei as bonecas pelos carrinhos”, lembrou a pilota. “Aos 7 anos, ganhei um kart e comecei a andar nas pistas perto da minha cidade. Até que um dia deixou de ser brincadeira para virar coisa séria”.

Fã de Ayrton Senna, Michael Schumacher e Felipe Massa, a catarinense não esconde que seu maior sonho é chegar na Fórmula 1. E o caminho para a badalada categoria pode passar pela W Series. Para tanto, Bruna conta com uma ajuda especial. “A Bia Figueiredo me disse um dia que seria a minha madrinha no automobilismo. E foi ela mesmo que me indicou para a W Series”.

A indicação foi decisiva para a jovem brasileira entrar na primeira fase do processo seletivo, segundo disse à reportagem Catherine Bond Muir, CEO do novo campeonato. “Nos conhecemos em Santa Cruz (RS) numa corrida da Formula Junior. Ela corria pela Stock Car no mesmo circuito. Trocamos mensagens e hoje procuro ela sempre quando tenho dúvidas. Mantemos contato sempre”, disse a catarinense.

Bruna é uma das 55 selecionadas para a segunda etapa da seleção para a W Series. No final de janeiro, ela viajará para a Áustria, onde será realizado novo estágio do processo de escolha das 18 pilotas que estarão no grid da primeira etapa da nova competição. As escolhidas serão conhecidas somente em maio, às vésperas do início da temporada, que contará com seis etapas na Europa.

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