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Rio Branco 90

Passo a passo da campanha: plano começou um ano antes

Projeto até conquista do acesso passou pela saída de técnico antes do início da campanha; veja fotos dos atletas e saiba onde estão atualmente

Por Claudio Gioria

01 dez 2019 às 08:26 • Última atualização 27 abr 2020 às 12:17

Macedo, ex-atacante, é olheiro do clube Torrejón, da Espanha, e reside em Americana - "Eu venho aqui para o Brasil, pego jogador e levo para lá, para a Europa"O ex-lateral-esquerdo Gilson atua como receptor na Indústria Têxtil Poles, em Americana - "Eu confiro e assino a nota para o cliente que traz o tecido"O ex-meia Pianelli trabalha no almoxarifado de uma empresa voltada para o agronegócio, em Piracicaba - "Trabalho no almoxarifado separando os produtos para agropecuária"Ailton Luiz, ex-zagueiro, trabalha na Secretaria de Esportes e Lazer de Vinhedo - "Entrei na parte de organização de campeonato, de acompanhamento nos Jogos Regionais, Jogos Abertos"Sumareense, o ex-meia-atacante Waguinho tornou-se técnico de futebol. Hoje, está no América-RN - "Sempre fui [um jogador] muito tático, tanto é que me formei em educação física"Carlos Pracidelli, que era o goleiro reserva, tornou-se preparador de goleiros e braço direito do técnico Luiz Felipe Scolari - "Eu já vinha me preparando, estudando, fazendo cursos"O ex-lateral-direito Bira atua como eletricista da CPFL em Bauru - "Não é qualquer servicinho de instalar tomada. A gente mexe com a rede primária ligada"O ex-volante Miel trabalha como técnico de um projeto social de futebol em Itabuna (BA) - "Aprendi muito como jogador. O que eu aprendi procuro passar melhor para a garotada"Ex-atacante, Mirandinha atua como vigilante de escola em Campina Grande (PB) - "Sou funcionário da prefeitura e fiquei por aqui mesmo, já que sou natural de Campina Grande"Ex-atacante, Rinaldo é segurança noturno de escola em São Simão, como servidor concursado da prefeitura - "Tomo conta do patrimônio público"Rogério, ex-goleiro, tornou-se empresário, mas está aposentado desde 2016. Ele reside em Domingos Martins (ES), sua cidade natal - "Só pescando, tomando a minha cervejinha"O ex-atacante Silva ensina educação física numa escola particular de Franca e se formou em Biologia - "A biologia com a educação física tem tudo a ver. Então, quero passar isso para esses alunos"Ex-atacante, Adilson é proprietário de uma escolinha particular de futebol em Fernandópolis - "A gente vem fazendo o possível e ajudando o máximo que pode essas crianças a terem um futuro melhor"Ex-atacante, Bugre virou técnico de futebol e, neste ano, trabalhou no Próspera-SC - "A gente não vive longe no futebol. Mesmo em casa, a gente está sempre acompanhando"O ex-atacante Cido está aposentado desde 2016 e reside em Campo Grande (MS). Antes, era vendedor de automóveis- "A minha vida está tranquila, graças a Deus"Ex-atacante, Claudio José é secretário de Esporte e Lazer de São José de Ubá (RJ) - "A gente trabalha com escolinha de futebol, faz eventos de futebol de salão. Tem outros eventos também de judô"Pedro Paulo, ex-volante, é motorista particular no Rio de Janeiro. Presta serviço, principalmente, para atores da Record, como Fernando Pavão (foto, à esquerda) - "Tenho muito carinho por eles"Ex-atacante, Henrique trabalha como motorista na Prefeitura de Corumbataí, onde transporta estudantes - "É uma maravilha, fazendo o que gosto, sempre respeitado pelas crianças"Claudir, ex-zagueiro, é fundador e presidente do Juventude, time de futebol feminino sediado em Vitória da Conquista (BA) - "Eu tento colocar em prática tudo que eu aprendi"O ex-zagueiro Edson Fumaça é suplente de vereador em Birigui, onde administra um projeto social de futebol - "É um trabalho social. Não é um trabalho que tem custo, de cobrar taxa"Ex-atacante, Elder se aposentou em 2012, após ter trabahado como garçom numa boate de Passos (MG) - "Estou bem tranquilo. Estou sossegado na minha vida"Morador de Vinhedo, o ex-lateral-direito Jorge Luís é empresário de atletas - "A gente trabalha em cima desse jogador e, quando eles conseguem o objetivo deles, muitos dão as costas para a gente"Flávio, ex-zagueiro, é porteiro em um hospital psiquiátrico da capital paulista - "Trabalhei como segurança e, depois, vim trabalhar na portaria, que é mais tranquilo"

Luiz Carlos Ferreira, o Ferreirão, seria o técnico do Rio Branco em 1990. Ele havia encerrado a Divisão Especial de 1989 no cargo após substituir Walter Zaparolli e planejava a temporada seguinte quando o supervisor de futebol, Afrânio Riul, decidiu ir buscar no Operário (MS) três jogadores que já havia visto jogar: Silva, Bugre e Gilson.

Ferreirão não gostou, achou que era ele quem deveria montar o time e foi embora. Era dezembro de 1989 e mais uma vez o nome do próprio Afrânio voltava a ser cotado para treinar o time, algo que ele descartava desde quando havia voltado ao clube como supervisor, em junho daquele ano.

Foto: Arquivo / Claudio Gioria
Times perfilados antes da partida de estreia diante da Central Brasileira de Cotia

Nomes foram aparecendo, entre eles Nicanor de Carvalho, João Magoga, Zé Duarte, Ernesto Guedes, Borba Filho e Lauro Burigo. Não houve acerto. Enquanto isso, Afrânio seguiu com a montagem do elenco e foi buscar mais dois jogadores no mesmo Operário, Jorge Luis e Cido.

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A pedido de Afrânio, o garoto Macedo voltou de empréstimo do Palmeiras de Porto Ferreira e assinou contrato. Para ficar, teve de cortar o cabelo, apelidado pelos companheiros de “Três Andares”, para transmitir uma imagem mais séria. Afrânio trouxe ainda o atacante Rinaldo, colocou o ex-zagueiro Agenor como auxiliar, negociou a manutenção de jogadores do ano anterior e acabou aceitando o desafio: seria o técnico do grupo que havia montado.

Foto: Arquivo / Divulgação
Chegada em Americana

O time, que se concentrava no Florença Palace Hotel, encaixou desde o início da competição e poucos reforços foram necessários durante a maratona que era a Divisão Especial: 42 jogos para quem chegasse ao fim, entre março e dezembro. Na 1ª fase, o Tigre teve a melhor campanha entre os 26 participantes. Na 2ª, repetiu a dose. Na 3ª, foi o melhor de seu grupo e garantiu vaga no hexagonal final com duas rodadas ainda por jogar. Dos seis finalistas, quatro subiriam.

Clique aqui e confira as fichas técnicas de todos os jogos do Rio Branco na campanha do acesso

O início da fase decisiva assustou a torcida. Em três jogos, o time perdeu um e empatou dois, mas conseguiu reagir na sequência. O acesso veio com um empate sem gols em Olímpia, em uma tarde de sábado, na penúltima rodada.

Foto: Arquivo / Divulgação
Invasão de campo em 1990, após Rio Branco x Comercial

Na volta, a delegação dormiu em Limeira para ser recebida com festa no domingo pela manhã. Uma caravana de 150 veículos seguiu o carro dos bombeiros onde estavam jogadores, dirigentes e comissão técnica. Na sede social, 5 mil litros de chope e 5 mil litros de refrigerantes. À época, estimou-se de 4 mil a 5 mil pessoas na festa, que foi até as 15h30.

“A cidade inteira em festa. Uma carreata, fogos, rojões, todo mundo festejando. Essa é uma cena que me marcou muito”, conta Chico Sardelli, que era o presidente do clube naquele ano.

O tão sonhado acesso chegou com o vice-campeonato, mas na soma de todas as fases ninguém fez mais pontos que o Tigre, nem mesmo o Olímpia, que embora tenha disputado quatro partidas a mais (46 x 42), somou três pontos a menos que o Rio Branco (60 x 57). O Tigre teve ainda o melhor ataque da competição, com 61 gols.

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