Campanha do vôlei feminino do Brasil no Pan divide opinião de ex-jogadoras


A campanha da seleção brasileira feminina de vôlei nos Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru, dividiu opiniões. O técnico José Roberto Guimarães optou por levar jogadoras mais jovens, poupando as atletas principais, que recentemente haviam conquistado vaga para a Olimpíada de Tóquio-2020.

Com um time considerado B, o Brasil perdeu de virada nas semifinais para a Colômbia por 3 sets a 2. A seleção brasileira saiu na frente, abriu 2 a 0 e chegou a ter um match point a seu favor, mas permitiu a virada. Na disputa pela medalha de bronze, completamente desconcentrada, a equipe levou 3 sets a 0 da Argentina.

A ex-jogadora Isabel, bronze no Pan de San Juan-1979, em Porto Rico, defendeu a opção do treinador. “Acho ótimo fazer testes. Só competindo se pode aferir melhor. Nada como uma competição como essa, que tem formato bom, tem visibilidade… Ele foi corajoso, deu a cara a tapa. Foi importante. Deu a possibilidade de jogar a essa meninada”, analisou, em entrevista ao Estado.

Prata no Pan de Havana-1991, em Cuba, Fernanda Venturini não gostou de ver a seleção brasileira cair diante da Colômbia. “Foi decepcionante. Estamos acostumados a ver o Brasil nas finais. Ter saído, disputar terceiro e quarto…. Remeteu ao começo da minha carreira, quando a gente perdia para o Peru. De lá para cá o vôlei cresceu muito e há muitos anos só ganhava. É triste ver que o vôlei regrediu. Estava em um patamar à frente e agora não sei”, comentou ao Estado.

Para Isabel, o tropeço em Lima não afeta o planejamento para o principal objetivo, que é a Olimpíada de Tóquio. “Esse time tem trajetória de vitórias em grandes competições. A derrota não coloca em xeque o trabalho. Acho também que não prejudica também essas atletas. Uma competição não traduz o potencial de uma atleta. Seria muito precipitado. Se fez essa opção, fez porque pôde, porque está credenciado para escolher dessa maneira”, justificou.

Fernanda pensa diferente. Para ela, Zé Roberto perdeu a oportunidade de dar mais bagagem ao time principal. “O Brasil tem muito material. Daria para fazer umas três seleções boas, competitivas. Véspera de ano olímpico deveria estar com o que tem de melhor nas principais competições. Quanto mais jogar, mais experiência se ganha. Se estivesse no lugar dele, teria levado as melhores. Cada um pensa de um jeito. Mas é bom que sirva de exemplo”, disse.

Fernanda e Isabel concordam que sempre dá para tirar algo positivo nas derrotas. “Não tem mais bobo no mundo do vôlei. Deu para ver que todo mundo hoje sabe jogar vôlei. O Brasil não é mais aquele que ganhava de todo mundo fácil. Temos que nos reinventar pra poder melhorar”, disse a ex-levantadora do Brasil. Fernanda ainda destacou algumas atletas. “Gosto da Lara, atacante de meio. A Macriz cresceu muito durante a competição. A Lorenne é uma promessa, mas pelo que senti estava com problema físico e continuou jogando. Estava meio mancando. Não sei”, avaliou.

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