Aos 17 anos e sem habilitação, Marcel Coletta estreia na Stock Car no Velopark

A sete meses de completar 18 anos, Marcel Coletta vive uma contradição inusitada para quem escolheu ser piloto de Stock…


A sete meses de completar 18 anos, Marcel Coletta vive uma contradição inusitada para quem escolheu ser piloto de Stock Car. O garoto não tem idade para tirar carteira de motorista e precisa de carona para ir aos autódromos, mas quando chega ao local das provas, pode tranquilamente guiar seu carro a mais de 200 km/h nas pistas.

O novato vai se tornar neste domingo o piloto mais jovem a guiar pela Stock Car. A principal categoria do automobilismo brasileiro tem sua prova de abertura a partir das 11h, no Velopark, em Nova Santa Rita (RS). A temporada marca o aniversário de 40 anos da Stock e a corrida será a 500.ª da história da categoria.

Apesar de ter nomes experientes como Nelsinho Piquet e Rubens Barrichello, a categoria abre as portas também para jovens talentos. Coletta se destacou na Stock Light do ano passado, porém faz questão de apostar na carreira de piloto sem largar mão de cursar a faculdade de Direito, na qual é calouro. “Como faço aniversário só em novembro, acho que na temporada inteira eu vou ter de ir para os autódromos de Uber”, brincou.

O piloto combinou com os colegas de curso para recuperar o conteúdo da faculdade quando tiver de faltar para viajar e participar das corridas. A família pediu para que ele não abandonasse os estudos. O piloto tem aulas pela manhã, revisa o conteúdo à tarde e depois se exercita sob orientação de um personal trainer.

Quase 30 anos mais novo do que o mais velho do grid, Rubens Barrichello, Coletta diz não ter como referências na categoria os mais experientes, mas o jovem Felipe Fraga, que em 2016 se tornou o campeão mais novo da história da Stock car, com apenas 21 anos.

Em 2018, Coletta estreou na Stock Light e foi o quarto melhor entre os novatos, ao mostrar regularidade e boa pilotagem ao longo do ano. Ele tem outros dois irmãos mais velhos que também são corredores.

Nesta temporada, Daniel Serra tenta ser tricampeão da categoria. O vencedor nos dois últimos anos pode repetir o feito do pai, Chico Serra, que ganhou três vezes a disputa nacional. O maior campeão em atividade é Cacá Bueno, dono de cinco conquistas – ele é filho do narrador Galvão Bueno, da Rede Globo. O calendário deste ano terá 12 etapas. A última delas será em dezembro, em Interlagos, pista que também receberá a Corrida do Milhão, em agosto.

A baixa de última hora na edição 2019 foi a da Fittipaldi Team. O time liderado por Wilson Fittipaldi decidiu adiar a participação para 2020, quando a categoria terá um novo carro.

VETERANO – Se por um lado a temporada começa em 2019 com um novato, terá também a presença de um integrante experiente. O chefe de equipe Rosinei Campos, o Meinha, esteve em todas as temporadas da categoria e participou até mesmo da primeira prova da história, em 1979, em Tarumã (RS), como preparador dos carros. “A categoria mudou da água para o vinho. Naquela época se corriam com Opalas e a preparação do carro era diferente. Era tudo mais amador. Os pilotos eram empresários na maioria das vezes”, comparou. Mesmo com a longa vivência na categoria, ele nunca quis pilotar.

Em vez dos autódromos, arquibancadas e camarotes dos tempos atuais, a Stock Car nos primeiros anos vivia em um ambiente bem “raiz” com relação ao público. “O pessoal tinha o costume de acampar em barracas para ver as corridas. Fazia churrasco na beira da pista e todos eles viam a corrida sentados nos barrancos”, contou.

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