Amigo de Melo, Zverev confirma ascensão e segue o caminho dos grandes campeões

A promessa se tornou realidade. Dois anos após despontar no circuito profissional, o tenista Alexander Zverev confirmou as expectativas e…


A promessa se tornou realidade. Dois anos após despontar no circuito profissional, o tenista Alexander Zverev confirmou as expectativas e vem mostrando que, além de ser o jovem de maior sucesso na atualidade, tem condições de rivalizar com os grandes campeões como Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic. Se depender do alemão, um dos melhores amigos do brasileiro Marcelo Melo, o feito obtido no ATP Finals, no mês passado, é só o começo.

No torneio que reuniu os oito melhores da temporada, em Londres, o tenista de apenas 21 anos derrubou Federer na semifinal e Djokovic, atual número 1, na decisão. Sem perder sets. Foi o maior título de sua carreira até agora. Tornou-se o mais jovem campeão da competição desde 2008. O último alemão a levar o troféu foi Boris Becker, em 1995. E o próprio reconhece a ascensão do jovem compatriota. “Por anos, estamos dizendo que o tênis precisa de novos rostos e novos e bons jogadores. Ele provou que já é o melhor desta nova geração”, elogiou.

O reconhecimento de Becker não é por acaso. Zverev, número 4 do ranking, foi o tenista que mais venceu partidas na temporada: 58 em 77 jogos. Os resultados lhe renderam quatro troféus. Além da consagração no ATP Finals, foi campeão em Munique, Washington e no Masters 1000 de Madri, em diferentes pisos.

Com 21 anos, o alemão já tem desempenho equivalente ao trio que vem dominando o circuito nas últimas duas décadas. Ele supera os números de Federer, que com a mesma idade tinha 6 troféus e alcançara o quarto posto do ranking. Zverev soma 10 títulos e já foi o número 3. Djokovic, também com 21 anos, tinha 11 títulos e a mesma posição na lista da ATP. Nadal é o ponto fora da curva nesta comparação, com 23 troféus e o 2º lugar do ranking.

“Não posso dizer se serei o futuro líder do tênis. Não acho que eu devo ser o único a responder a esta pergunta, não sou qualificado para isso”, disse Zverev, recentemente. “Mas há muitos anos pela frente ainda e tudo pode acontecer. O que posso dizer é que vou fazer o possível para estar no topo”.

O talento do alemão vem de família. Seus pais foram tenistas na União Soviética. Sua mãe, Irina, esteve entre as quatro melhores do país. E o pai, Alexander, foi Top 200 do ranking da ATP. Seu irmão Mischa, de 31 anos, é o atual 69º do mundo. A família russa se mudou em 1991, para Hamburgo, onde Zverev nasceu. E ele ainda mora com a família em Montecarlo.

O contato com o tênis se iniciou aos 5 anos. Se os seus pais contribuíram com a iniciação, o irmão favoreceu o contato precoce com o circuito. Zverev acompanha Mischa desde a adolescência nos principais campeonatos do globo, o que se revelou um trunfo do alemão no mundo dos profissionais. Enquanto outros jovens apenas sonhavam com as quadras centrais dos principais torneios, ele já batia bola até com referências, como Nadal, em Grand Slams.

Outro trunfo de “Sascha”, como Zverev é conhecido pelos mais próximos, é o seu time, composto pelo preparador físico Jez Green e pelo fisioterapeuta Hugo Gravil, ambos fortemente reconhecidos em sua área. Juntos, eles ajudam não apenas na evolução do tenista dentro e fora de quadra mas também em sua atitude nas competições. O atleta de 21 anos ainda é conhecido pelos atos juvenis, por quebrar raquetes em quadra e por declarações polêmicas.

Por conta de uma delas, rompeu com o técnico espanhol Juan Carlos Ferrero, que apontava uma suposta falta de disciplina do pupilo. Para o seu lugar, Zverev contratou o checo Ivan Lendl, uma das lendas do esporte e que voltou aos holofotes nos últimos anos ao ajudar o escocês Andy Murray a alcançar o topo do ranking.

Trabalhando com o alemão desde agosto, ele já colhe frutos. Zverev mudou sua postura em quadra, apresenta estilo mais agressivo em sua técnica e vem mostrando maior evolução física. Com Lendl, Sascha espera romper a barreira mais difícil de sua carreira até agora: brilhar nos Grand Slams. Até agora seu melhor resultado é as quartas de final de Roland Garros deste ano.

A falta de boas sequências nos Slams contrasta com a alta expectativa depositada sobre aquele que foi eleito em 2015 a “Estrela do Amanhã”, prêmio da ATP ao mais jovem jogador a integrar o Top 100 naquela temporada.

AMIZADE COM MELO – Ao levantar o troféu do ATP Finals, no domingo retrasado, Zverev não deixou de citar o duplista Marcelo Melo, seu melhor amigo no circuito. E, como acontece nas grandes amizades, o alemão não deixou de alfinetar o brasileiro em seu discurso. “Queria agradecer ao Marcelo, meu melhor amigo, está sempre comigo. Ele jogou a final aqui no ano passado. Talvez vocês não se lembrem, mas ele também é muito bom neste esporte”, disse, entre risadas.

A amizade começou em 2015 e, desde então, é comum ver a dupla entre brincadeiras e treinos em registros nas redes sociais. Melo também é próximo de Mischa, de quem foi convidado de casamento nas Ilhas Maldivas em novembro do ano passado.

“Eu conheci o Zverev em Roterdã, em 2015, em meio a brincadeiras antes de entrar em quadra. A partir daí, passamos a conversar esporadicamente, com piadas sobre jogos de simples e de duplas. No meio do ano passado, ficamos mais próximos”, afirmou o brasileiro de 35 anos, em entrevista recente ao jornal O Estado de S.Paulo. “Independente da diferença de idade, ele me respeita muito e vice-versa. E a gente acabou criando uma amizade legal fora de quadra”.

Finalizada a temporada, o tenista de simples e o duplista brasileiro já estão aproveitando as férias do circuito, novamente nas Maldivas, local que está virando tradição para os dois amigos.

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