Título do ‘Vasquinho’ na 3ª Divisão completa 50 anos

Extinto Vasco da Gama, popularmente conhecido como Vasquinho, conquistou o primeiro título de Americana no futebol profissional em 20 de abril de 1969


Foto: Acervo - Gabriel Pitor
Em pé: Nenê, Romualdo, Valdecir, Miltinho, Zulu, Helio, Zé Aparecido e Lucídio Camargo (técnico)
Agachados: David Tunussi (diretor de futebol), Bauer, Becati, Demerval, Tuti, Martins e Quebra (massagista)

Há exatos 50 anos, o extinto Vasco da Gama, popularmente conhecido como Vasquinho, conquistava o primeiro título de Americana no futebol profissional. No dia 20 de abril de 1969, a equipe venceu o Campeonato Paulista da Segunda Divisão. O torneio, na época, tinha o apelido de Terceirinha, pois era equivalente à terceira divisão estadual.

Na final, o time comandado por Lucídio Camargo fez 2 a 0 contra o Municipal de Paraguaçu Paulista, posteriormente chamado de Paraguaçuense. O jogo aconteceu no estádio Alfredo de Castilho, em Bauru, por ser o meio do caminho entre Americana e Paraguaçu Paulista, segundo o jornalista e historiador Gabriel Pitor.

Foto: Acervo - Gabriel Pitor
Segundo Pitor, a conquista colocou o Vasquinho em outro patamar, tanto no cenário municipal como no estadual

“Esse [título] está carimbado no coração da gente”, diz Tuti, autor do primeiro gol na decisão, aos 23 minutos do primeiro tempo, em cobrança de falta. Ele ainda deu assistência para o segundo tento, anotado por Martins, aos 13 da segunda etapa. Hoje, Tuti tem 74 anos e mora em Registro.

Segundo Pitor, a conquista colocou o Vasquinho em outro patamar, tanto no cenário municipal como no estadual. Ele aponta que a entrada do clube no futebol profissional, em 1966, já tinha sido uma surpresa dentro da cidade.

Até então, a equipe se sustentava numa rivalidade local com o extinto Flamengo Futebol Clube, da Vila Galo. “Um time que, tempos atrás, vivia de uma rivalidade pequeninha, municipal, de bairros, estava ali conquistando a Terceira Divisão, conquistando uma divisão profissional”, afirma.

HERANÇA. Por conta do título, o Vasquinho também conseguiu vaga para a divisão de acesso à elite, situação que, dez anos depois, ajudou o Rio Branco. Isso porque em 1979, quando já se chamava AEC (Americana Esporte Clube), o Vasquinho se fundiu com o Tigre, que herdou a vaga na segunda divisão.

“Se não fosse o Vasco/AEC passar a vaga dele, o Rio Branco teria de começar na quarta divisão da época. Com essa passagem de bastão, essa passagem da vaga do Vasco/AEC para o Rio Branco, ele pulou duas divisões”, explica Pitor. Americana só foi campeã novamente em 2012, no Paulista da Série A3, com o título obtido pelo Rio Branco.

Gol nos últimos minutos manteve Vasquinho vivo

Foto: Acervo - Gabriel Pitor
Pênalti convertido por Tuti em vitória em cima do DERAC, por 3 a 1, no estádio Victório Scuro

O Vasquinho só chegou à final da Terceirinha, em 1969, por causa de um gol nos últimos minutos na partida anterior, contra o Oeste de Itápolis. O jogo terminou em 3 a 3, e o empate favorecia o time de Americana.

As equipes estavam empatadas em pontos na liderança da Série Brigadeiro Faria Lima, que era um dos grupos da segunda fase. Apenas o campeão da chave avançava para a decisão.

Como na época não havia critérios de desempate, os times precisaram se enfrentar numa espécie de tira-teima, no dia 12 de abril de 1969, em Araraquara. O Vasquinho tinha a vantagem do empate, porque havia feito uma campanha melhor que o adversário na soma de toda a competição.

Até os 43 minutos do segundo tempo, porém, o Oeste vencia por 3 a 2. A situação só mudou quando Demerval, de cabeça, deixou tudo igual.

Para o jornalista e historiador Gabriel Pitor, essa foi a partida mais “marcante” do campeonato. “Foi marcante porque foi um gol nos últimos minutos. O Vasco estava sendo eliminado, estava perdendo o título e acabou empatando nos minutos finais”, diz.

BENEFICIADO. O torneio também ficou marcado por uma “virada de mesa”. Na primeira fase, os times estavam divididos em quatro grupos, e somente o líder de cada chave avançaria para a segunda etapa da competição.

O Vasquinho havia ficado em segundo lugar no Grupo 2 e, portanto, ficaria fora da sequência do campeonato. No entanto, por suposta influência do Santo André, que também seria eliminado, a FPF (Federação Paulista de Futebol) decidiu classificar os quatro melhores de cada chave.

“Teve, sim, uma virada de mesa. Não partiu do Vasco. Partiu do Santo André. Mas o Vasco acabou indo na bagagem”, afirma Pitor.

Campanha do título do Vasco da Gama

1ª Fase

  • 07/07/68 – Vasco 3 x 0 Bauru
  • 14/07/68 – Vasco 4 x 1 Amparo
  • 21/07/68 – Rio Branco (Ibitinga) 4 x 2 Vasco
  • 28/07/68 – Vasco 3 x 1 Pirassununguense
  • 04/08/68 – Novo Horizonte 0 x 2 Vasco
  • 11/08/68 – Vasco 3 x 2 Araras
  • 18/08/68 – Amália 3 x 0 Vasco
  • 25/08/68 – Bauru 1 x 0 Vasco
  • 01/09/68 – Amparo 2 x 1 Vasco
  • 08/09/68 – Vasco 6 x 0 Rio Branco (Ibitinga)
  • 15/09/68 – Pirassununguense 2 x 2 Vasco
  • 22/09/68 – Vasco 4 x 0 Novo Horizonte
  • 29/09/68 – Araras 2 x 1 Vasco
  • 06/10/68 – Vasco 6 x 0 Amália

2ª Fase

  • 08/12/68 – Amália 3 x 1 Vasco
  • 15/12/68 – Vasco 2 x 1 Fernandópolis
  • 19/01/69 – Vasco 4 x 0 Oeste
  • 26/01/69 – DERAC 2 x 3 Vasco
  • 09/02/69 – Santo André 4 x 2 Vasco
  • 23/02/69 – Vasco 1 x 0 Amália
  • 02/03/69 – Fernandópolis 0 x 2 Vasco
  • 16/03/69 – Oeste 3 x 1 Vasco
  • 23/03/69 – Vasco 3 x 1 DERAC
  • 30/03/69 – Vasco 4 x 1 Santo André

2ª Fase (jogo desempate)

  • 12/04/69 – Vasco 3 x 3 Oeste

Final

  • 20/04/69 – Vasco da Gama 2 x 0 Municipal
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