Sensação mista divide Furlan após seis anos

"Senhor dos Dérbis", dirigente encerra dois mandatos marcados por acesso e queda


Dário Furlan viveu seis anos intensos à frente do União Barbarense. Desde que tomou posse, em 2010, foi o presidente de um acesso para o Paulistão, de um rebaixamento no ano seguinte e de decisões polêmicas, ao entregar duas vezes o comando do futebol para parcerias de fora da cidade: primeiro a Abra Sports e depois a Carmo de Sousa. Furlan encerra seu segundo e último mandato nesta quinta-feira (31) para dar lugar ao seu então vice Ademir Pereira da Cruz, o Bibi.

Com ele, ficarão as lembranças pelo ótimo retrospecto no clássico contra o Rio Branco, mas também as muitas ações trabalhistas movidas por ex-jogadores e funcionários que alegaram salários atrasados. [\img]Confira a entrevista completa com Dário Furlan, realizada nas arquibancadas do estádio Antônio Lins Ribeiro Guimarães.

LIBERAL: Dário, de 0 a 10, como você avalia os seis anos em que esteve à frente do União Barbarense?
DÁRIO FURLAN: É difícil a gente julgar nosso próprio trabalho, mas se levarmos em consideração que nestes seis anos o União se manteve na Série A2, teve um acesso para a Série A1 e uma reforma no estádio que o adequou para receber jogos da elite, acho que uma nota 7 ou 8 ficaria de bom tamanho.

LIBERAL: Você acha que vai ficar mais marcado como o presidente do acesso de 2012 ou do rebaixamento de 2013?
DÁRIO FURLAN: O povo brasileiro esquece muito rápido o que você faz de bom. Provavelmente vão lembrar mais do rebaixamento que do acesso. Vão esquecer que fui eu quem colocou o time na principal divisão, mas vão se lembrar que eu derrubei de novo para a Série A2. Para mim não há a menor dúvida. O acesso não tem preço, é a alegria que você proporciona para a cidade, a expectativa de receber os grandes aqui em Santa Bárbara d’Oeste. É inesquecível.

LIBERAL: Seu aproveitamento em dérbis impressiona. São 10 vitórias, 3 empates e apenas uma derrota no clássico com o Rio Branco. Como foi receber a alcunha de “Senhor dos Dérbis” e como este jogo se tornou tão especial para você?
DÁRIO FURLAN: Aquela capa do caderno de Esportes com a manchete “Senhor dos Dérbis” e uma foto minha foi muito bem bolada pelo pessoal do LIBERAL. Esse jornal chegou até a FPF (Federação Paulista de Futebol), onde me chamaram disso. Foi muito gratificante para mim. Até mandei enquadrar em casa. É um trabalho reconhecido, porque ganhar dérbis não é fácil. Pode qualquer uma das equipes estar mal das pernas que no dia do jogo muda tudo e aquele que errar menos sai vencedor. Teve muitos jogos também que a sorte nos ajudou. Temos que fazer um trabalho sério e depois contar com um pouco de sorte. Ganhar dérbi tem um gosto diferente. Para a nossa torcida é um título. Não se pode perder para o maior rival. Graças a Deus nestes seis anos fui muito feliz neste clássico, os números mostram isso. E isso é algo que vai ficar gravado comigo para sempre.

LIBERAL:Se pudesse apontar um grande erro e uma grande virtude de suas gestões, quais seriam?
DÁRIO FURLAN: O grande erro meu e de vários presidentes que passaram aqui foi, por falta de opção, acabar confiando em certas pessoas que acabam prejudicando você, a sua gestão, o seu trabalho e o clube como um todo. A grande virtude foi que eu nunca desisti. Por mais complicado que estivesse, eu não abaixei a cabeça. Se eu caí, eu levantei e fui de novo. Sou um cara muito aguerrido e não desisto nunca de nada que eu quero.

LIBERAL: Durante seu mandato, o União recorreu a parcerias com empresas de fora da cidade, mas todas deixaram o clube pela porta dos fundos. Se arrepende de ter buscado estas saídas para manter ativo o futebol?
DÁRIO FURLAN: A gente não tem que se arrepender. Se não fossem eles (parceiros), talvez hoje o União não estivesse na Série A2. Poderia estar como o União São João de Araras e o XV de Jaú: de portas fechadas. O apoio que a gente recebe da cidade é quase nada, então você tem que buscar fora. Às vezes não sabe exatamente o que está trazendo, confia que vai dar certo, abre as portas e dá autonomia para o pessoal trabalhar, e em duas parcerias as coisas acabaram não acontecendo como o esperado. Mas se a gente não tivesse corrido aqueles riscos, não teríamos conseguido montar um time. Principalmente neste ano, em que as coisas estavam muito difíceis.

LIBERAL: Se compararmos o estado do União em 2010, quando o senhor assumiu, para o União de agora, qual se encontrava em melhor situação?
DÁRIO FURLAN: O de agora, sem dúvidas. Eu peguei o clube muito pior que o Bibi (Ademir Pereira da Cruz, seu sucessor) está pegando aqui. Além de a gente não ter nada na época em termos de dinheiro, não tínhamos estrutura na parte do futebol e do social. Tem muita coisa que a gente faz que não aparece. Por exemplo: reformamos toda estrutura metálica da arquibancada. Se não tivéssemos feito, estaria tudo caindo agora e não teria laudos, não teria jogos aqui. Hoje temos placar eletrônico, não estamos com nenhuma cadeira quebrada. Temos um estádio apto para a elite do Paulistão.

LIBERAL: O que o senhor espera do futuro do clube? Seu sucessor Ademir Pereira da Cruz, o Bibi, será capaz de reconduzir o Leão da 13 à elite do futebol paulista?
DÁRIO FURLAN: Ele é uma pessoa que gosta do União. Chegar à Série A1 é consequência do trabalho. Ele é um cara estudado, que tem faculdade, já está no futebol há quase 20 anos, mas se ele ficar sozinho, não vai conseguir nada. Tudo vai depender de quem o Bibi buscar para correr junto com ele, todo mundo puxando para o mesmo lado. Assim fica mais fácil para se trabalhar.

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