Proibição de comprar jogadores impõe desafio de gestão ao Chelsea


A suspensão de duas janelas de transferências sem poder contratar, por imposição da Uefa, pode mudar radicalmente a gestão do Chelsea na próxima temporada. E deve afetar diretamente o planejamento que será feito após a disputa da final da Liga Europa, nesta quarta-feira, contra o Arsenal.

Desde que foi adquirido pelo bilionário russo Roman Abramovich, em 2003, o Chelsea se acostumou a suprir as necessidades de seu elenco comprando jogadores consolidados. Quase não existem espaços para revelações atuarem. Curiosamente, a aquisição de jovens promessas foi o motivo da punição imposta pela entidade que comanda o futebol europeu.

O time foi punido por ter violado as regras que protegem menores em 29 casos. A lei da Fifa estabelece que clubes não podem contratar estrangeiros com menos de 18 anos, exceto nos casos em que os pais dos atletas se mudem para o país de destino por motivos não ligados ao futebol.

Mesmo sem dar espaço para jovens em seu elenco principal – a última revelação que jogou com frequência foi John Terry, revelado em 1998 – o Chelsea costuma investir pesado na contratação jogadores que começam a despontar no futebol. Prova disso são os dois títulos e um vice da Liga dos Campeões Jovem, torneio disputado com atletas sub-19 criado há seis anos, ou as sete conquistas da Copa da Inglaterra sub-18 nos últimos 10 anos.

Lukaku, De Bruyne e Thorgan Hazard são alguns dos jogadores renomados atualmente que foram comprados muito novos, defenderam as categorias inferiores do Chelsea e não tiveram espaço no elenco principal. Um dos casos mais emblemáticos da equipe envolve um brasileiro. Lucas Piazon foi comprado por 7,5 milhões de euros (cerca de R$ 17,4 milhões) junto ao São Paulo, em 2011. Na sua primeira temporada, foi eleito melhor jovem em premiação da equipe, mas, sem ter chance de jogar acabou sendo emprestado várias vezes: Málaga-ESP, Vitesse-HOL, Eintracht Frankurt-ALE, Reading-ING e do Fulham-ING. Seu vínculo se encerra em junho deste ano.

Nathan foi outra promessa brasileira que chegou em Londres com a esperança de brilhar, mas acabou envolvido em intermináveis empréstimos. Revelado pelo Athletico-PR, ele foi comprado por 4,5 milhões de libras (cerca de R$ 22 milhões) em 2015 e imediatamente mandado ao Vitesse. Depois passou por Amiens, Belenenses e, por último, Atlético Mineiro.

Para piorar a situação do Chelsea, alguns jogadores de seu elenco são cobiçados por outras equipes, casos de Kanté e Hazard, e poderiam desfalcar ainda mais o elenco. O volante francês, campeão do mundo em 2018, desperta o interesse do Paris Saint-Germain, enquanto o atacante belga é dado como nome certo no Real Madrid, em transferência que deve ultrapassar os 100 milhões de euros (R$ 457 milhões). A negociação pode ser facilitada porque o astro entra em seu último ano de contrato e poderia sair de graça em 2020. Esse valor em caixa, no entanto, de nada adiantaria para os ingleses se reforçarem.

O próprio Zinedine Zidane, técnico da equipe madrilenha, não esconde sua vontade de contar com Hazard. “O que posso dizer é que Hazard é um jogador que sempre apreciei, como todo mundo sabe”, disse o técnico, no mês passado. “É um jogador que jogou na França, que vi muito e conheço pessoalmente. Não há nada de novo no que penso dele, como jogador, é um jogador fantástico.”

ESQUADRÃO EMPRESTADO – O técnico italiano Maurizio Sarri já disse que, com a punição sofrida, o Chelsea não poderá tirar a diferença que tem hoje para Manchester City e Liverpool, campeão e vice do Campeonato inglês, respectivamente.

“Precisamos trabalhar. Provavelmente precisaríamos de algo do mercado. Por isso, não é fácil porque o nível dos dois primeiros é muito, muito alto. Eu não acredito em comprar 10 jogadores. Acho que teríamos que comprar apenas um ou dois jogadores. Caso contrário, é muito difícil melhorar imediatamente. Acho que somos um time muito bom e precisamos apenas de um ou dois jogadores.”

Apesar da limitação imposta de inscrever novos atletas, o Chelsea tem uma alternativa: se reforçar com atletas seus emprestados. Ao todo, são 42 jogadores espalhados por diversas equipes e que poderiam ser chamados de volta.

Entre estes, os principais destaques estão:

Tammy Abraham

Com passagem pela seleção inglesa principal, o atacante de 21 anos marcou 26 gols pelo Aston Villa na segunda divisão inglesa e aparece como alternativa para o ataque, principalmente se Higuaín não tiver seu contrato de empréstimo renovado.

Christian Pulisic

O norte-americano foi comprado por 64 milhões de euros (cerca de R$ 277 milhões) junto ao Borussia Dortmund em janeiro, mas foi mantido na equipe alemã. O atleta é visto como um sucessor para a vaga de Hazard.

Mason Mount

Apontado como “novo Lampard”, o meia inglês de 20 anos foi um dos destaques da campanha do Derby County na segunda divisão, com oito gols, além de outros dois na Copa da Liga Inglesa. Ele é treinado justamente por Frank Lampard, que está em sua primeira aventura no comando técnico e é apontado como substituto de Sarri no Chelsea para a próxima temporada.

Kenedy

O brasileiro de 23 anos não conseguiu repetir o sucesso em seu segundo empréstimo consecutivo para o Newcastle e vive um momento de baixa na Inglaterra. Mesmo assim, sua versatilidade pode ser um diferencial na hora da composição do elenco do Chelsea para 2019/2020.

Kurt Zouma

Contratado em 2014, o zagueiro francês de 24 anos acabou perdendo espaço depois de sofrer uma grave lesão no joelho. Nesta temporada, jogou 32 dos 38 jogos do Everton na primeira divisão inglesa e pode ser opção para a vaga no elenco do Chelsea aberta com a saída de Gary Cahill.

Ola Aina

Lateral-direito com passagens pelas seleções inglesas de base, aproveitou os empréstimos para Hull City e depois para o Torino para se desenvolver. Caso o reserva Davide Zappacosta deixe o Chelsea, sua vaga poderia ser preenchida pelo Aina, que optou por defender a seleção adulta da Nigéria.

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