Prefeitura ignora CBF e paulistas ‘ficam sem’ o Pacaembu

Segundo a assessoria de imprensa da CBF, a restrição vale também para os jogos da Copa América e partidas da seleção brasileira


O Pacaembu, segunda opção de estádio para partidas de mandos de campo de Palmeiras, Santos e São Paulo, não poderá receber jogos do Campeonato Brasileiro neste ano. A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) pediu adaptações no sistema de iluminação do estádio, dentro de seu Programa de Licenciamento dos Clubes, que a Prefeitura informou que não serão feitas.

A Prefeitura teria de trocar as luminárias atuais, de 600 lux (medida que aponta quanto um sistema ilumina), por outras, de 800 lux, o padrão exigido nos estádios do País. Mas decidiu que não fará o serviço, pois isso poderia atrapalhar o projeto, em andamento, de conceder o estádio municipal à iniciativa privada. “O Pacaembu está em vias de concessão e a estrutura atual do equipamento não pode sofrer alterações”, informou ao Estado, por nota, a gestão do prefeito Bruno Covas (PSDB).

“No caso específico, o investimento da troca de iluminação demandaria um gasto que aumentaria o valor comercial da proposta e implicaria no cancelamento do processo”, explica o texto. Ou seja: se fizesse a troca, a Prefeitura teria de suspender um processo que já foi paralisado pelo Tribunal de Contas do Município (TCM) e pela Justiça, que se arrasta desde março do ano passado, e entrou agora em sua etapa final. Então, o órgão optou por não se adaptar.

Segundo a assessoria de imprensa da CBF, a restrição vale também para os jogos da Copa América – o estádio já estava descartado da competição internacional – e partidas da seleção brasileira.

Dos três times que inscreveram o estádio como segunda opção de mando, o Santos era o maior interessado no Pacaembu. O time chegou a se associar com a Universidade do Brasil e disputou a concessão do complexo. O presidente do clube, José Carlos Peres, chegou a ir na sessão de abertura dos envelopes. O consórcio apresentou proposta de R$ 88 milhões, a segunda melhor da corrida.

O consórcio Patrimônio SP, formado pela Progen, empresa de engenharia que gerenciou os complexos esportivos durante os Jogos Olímpicos do Rio-2016, e um fundo de investimentos, ofereceu R$ 111 milhões pelo estádio, e promete investir R$ 400 milhões no local esportivo ao longo de 35 anos.

Ao Estado, no dia da abertura das propostas, o presidente da Progen, Eduardo Barella, afirmou que, mesmo que os entraves burocráticos fossem solucionados a tempo e a empresa assumisse o estádio, também não mexerá na iluminação. “O prazo para início dos investimentos é de 28 meses após a concessão”, diz.

O processo está suspenso por determinação da 13ª Vara da Fazenda da capital, que analisa, entre outros pontos, se o local poderá ter shows. Não há prazo para liberação.

LICENCIAMENTO – Desde 2017, o Programa de Licenciamento de Clubes da CBF vem, gradualmente, fazendo requerimentos técnicos mínimos às equipes de futebol, que vão da qualidade do campo e da infraestrutura para a torcida a até a capacitação de jogadores. As exigências buscam um padrão para o futebol do País, de acordo com regras internacionais. As primeiras começaram a ser cobradas dos times da Série A no ano passado.

No Pacaembu, por exemplo, em 2018, o programa requereu alterações no gramado. Embora já existisse uma discussão sobre a concessão do estádio, o serviço foi feito. A Secretaria Municipal de Esportes tinha um contrato de manutenção vigente com uma empresa terceirizada, que executou as mudanças sem fazer novos gastos.

Segundo a CBF, embora sejam os três clubes que apontem o Pacaembu como opção para partidas, a confederação trata do assunto diretamente com a dona do complexo, a Prefeitura.

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