Ovacionado por seu público, Putin é ignorado por líderes internacionais

Ovacionado como um herói em seu estádio em Moscou, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, foi solenemente ignorado pelos principais…


Ovacionado como um herói em seu estádio em Moscou, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, foi solenemente ignorado pelos principais líderes mundiais que não aceitaram o convite para participar da festa de abertura da Copa do Mundo. Nem mesmo o secretário-geral da ONU, António Guterres, uma presença constante em todos os eventos globais, fez a viagem até a Rússia.

Na ala vip do estádio, apenas os nanicos do futebol apareceram no esforço de Putin para tentar mostrar ao mundo que o russo não está isolado. Numa abertura da Copa do Mundo marcada por uma mistura de cultura pop mundial e tradição russa, o Kremlin tinha como objetivo mostrar numa dimensão internacional que o embargo internacional não o afetava.

Mas, apesar de o convite ter sido enviado a países de todo o mundo, foram ao evento apenas os chefes de governo de países inexpressivos. Os únicos ocidentais foram os presidentes do Paraguai, Horacio Cartes, e da Bolívia, Evo Morales, além do mandatário do Paraná Clube, Leonardo de Oliveira. Em sua grande maioria, os convidados que aceitaram ir até Moscou eram todos do ex-bloco soviético.

Estavam no estádio Luzhniki os presidentes do Azerbaijão, Armênia, Bielo-Rússia, Casaquistão, Quirguistão, Moldávia, Tajiquistão e Usbequistão. Governos que não são reconhecidos de forma ampla como Abecásia e Ossétia do Sul também mandaram seus “presidentes”. A festa com Putin ainda contou com Ruanda e Líbano, além do norte-coreano Kim Yong-nam, presidente do Parlamento, órgão sem qualquer poder.

Seus convidados puderam degustar salmão, ostras e camarões de tamanhos generosos, tudo regado à champanhe. O Estado entrou na ala VIP do estádio e constatou que, duas horas depois do jogo ter terminado, dezenas de dirigentes continuavam desfrutando das regalias.

Mas a grande estrela entre os convidados era o príncipe da Arábia Saudita, Mohammad bin Salman Al Saud. Ele e Putin se transformaram em um show à parte para a TV oficial, que mostrava os dois a cada gol da Rússia. No primeiro, o saudita apertou a mão do anfitrião. Já no terceiro, ele já dava sinais de desistir, fazendo Putin sorrir no canto do rosto.

Humanizado, o herói russo aplaudia o que parecia ser um começo perfeito para sua Copa, ainda que o Ocidente tenha ignorado seus convidados. Nenhum chefe de estado da Europa Ocidental o prestigiou. O Kremlin ainda esperava que o presidente brasileiro, Michel Temer, também estivesse abertura. Mas o governo enviou apenas o ministro dos Esportes, Leandro Cruz.

Ao Estado, o vice-primeiro-ministro, Vitaly Mutko, comemorou o jogo de abertura. “Foi um show”, disse. Para ele, a presença das autoridades estrangeiras era uma “prova que a tentativa de boicote não funcionou”. Governos europeus não enviaram seus representantes para o evento, alegando que não dariam a oportunidades para que Putin usasse a Copa para se promover, em meio a uma tensão internacional. “Isso mostra como políticos estão distantes da realidade”, afirmou Mutko.

Num discurso para um estádio lotado, Putin insistiu em passar uma imagem diferente de seu país, acusado no Ocidente por crimes de guerra na Síria, por anexações ilegais de território e até envenenamento de ex-espiões. Ele foi ovacionado, enquanto fora do estádio seu primeiro-ministro, Dmitri Medvedev, aproveitava o foco do país na Copa do Mundo para decretar o aumento da idade mínima da aposentadoria.

Mas o que importava era a imagem do país no exterior. Putin insistia que a Rússia era um “país aberto e amistoso”. Vivendo sob quatro anos de embargos internacionais, desejou que o torneio seja usado para “criar novos amigos e compartilhar valores”, numa mensagem interpretada como um recado político.

“O futebol nos une, apesar das diferentes tradições”, insistiu, enquanto 80 mil pessoas permaneciam em silêncio para ouvir o presidente que está há 18 anos no poder. “Ele nos ajuda a entender uns aos outros”, afirmou, desejando que a Copa seja usada para “promover a paz e entendimento mútuo”.

A Fifa teve uma recepção bastante diferente do que ocorreu no Brasil. Se em 2014 ela era vaiada, o presidente da entidade, Gianni Infantino, foi ovacionado ao pegar o microfone e ensaiar algumas palavras em russo. “Obrigado presidente Putin”, disse, aliviado.

Nos jornais locais, o clima era de apoio total ao presidente russo. “A Rússia está no centro de campo”, disse o Rossiyskaya Gazeta. “A principal vitória já foi conquistada”, destacando as obras concluídas, a operação de segurança e a modernização dos estádio.

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