Clubes brasileiros abrem as portas para jovens talentos de países vizinhos

Os clubes brasileiros se abriram nos últimos anos para jovens talentos estrangeiros. Depois de décadas em que as equipes locais…


Os clubes brasileiros se abriram nos últimos anos para jovens talentos estrangeiros. Depois de décadas em que as equipes locais foram aos países vizinhos buscar reforços experientes e badalados para o elenco profissional, agora a postura é de antecipar essa contratações ao monitorar jovens talentos e contar até mesmo com a presença internacional já nos planteis inferiores.

Um dos últimos casos desse processo foi o atacante uruguaio Facundo Batista, de 20 anos. O destaque do Sul-Americano Sub-20 acertou com a Ponte Preta. “Temos uma equipe competente de análise de desempenho e nosso departamento de futebol está sempre atento. Temos conexões e observadores no Brasil inteiro e em alguns países da América Latina também”, explicou ao Estado o presidente do clube, José Armando Abdalla Junior.

O uruguaio é apontado no seu país como o sucessor de Suárez e Cavani. “Tenho um pouco do estilo de jogo dos dois, mas meu caminho quem vai criar sou eu. Também me inspiro e tenho semelhanças com outros atletas, alguns brasileiros, mas, como disse, meu caminho eu tenho que criar com minhas próprias armas, minhas próprias forças”, disse o atacante.

A mesma seleção uruguaia sub-20 revelou outro talento. O Corinthians contratou por R$ 13 milhões o zagueiro Bruno Méndez, que pela primeira vez foi relacionado pelo time para uma partida e vai participar nesta quarta-feira do jogo contra o Ceará, pela Copa do Brasil. Na visão da diretoria, o defensor tem potencial para se firmar na equipe principal no futuro.

Um dos motivos que contribuiu para a vinda de jogadores estrangeiros foi em 2013. Após pedido de Rui Costa, então diretor executivo do Grêmio, a CBF aumentou de três para cinco o limite para utilização de atletas nascidos em outro país. A mudança possibilitou às equipes aumentarem o monitoramento de talentos jovens e baratos que estão à disposição pela América do Sul.

“Os clubes brasileiros estão reproduzindo o modelo dos europeus por uma questão de lógica financeira: a possibilidade de investir menos para ter jogadores com mais futuro e posteriormente conseguir mais ativos. Por isso o investimento maior em jogadores de 18, 19 anos se dá pelo aprimoramento das informações, transformando isso em conhecimento”, afirmou Rui Costa, que atualmente trabalha no Athletico-PR.

A lista de estrangeiros jovens nos times brasileiros conta com nomes como o zagueiro equatoriano Jackson Porozo, que está nas categorias de base do Santos e aguarda chance para estrear no time de cima. O Palmeiras conta na base com o atacante paraguaio Aníbal e trouxe recentemente o atacante colombiano Ivan Angulo, que foi monitorado depois de boas atuações em amistosos pela seleção sub-20 do país.

Embora os clubes não tenham pressa em escalar esses garotos estrangeiros, o monitoramento de talentos e a procura por reforços é constante. Programas de computadores e uma rede de contatos de olheiros facilitam encontrar nos países vizinhos jogadores com o perfil desejado. O esforço é válido também como moeda de troca. Atletas sul-americanos podem nos próximos anos serem vendidos à Europa por um bom preço.

“Muitas vezes esses jogadores estão em um mercado que permite trazê-los com mais facilidade, maior até do que no mercado interno nacional, pois aqui estão mais blindados em seus clubes. Existe uma opção grande de atletas de destaque no Uruguai, Chile, Paraguai e até mesmo na Argentina. Financeiramente é vantajoso e o custo-benefício mais eficaz”, comentou Júnior Chávare, ex-diretor executivo de Grêmio, São Paulo, Tubarão-SC e com passagem de três anos pela coordenação de análise técnica no Brasil pela Juventus.

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