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Entrevista

Felipe Anderson admite ano irregular e quer repetir brilho do começo no West Ham

Por Agência Estado

22 Maio 2020 às 08:15 • Última atualização 22 Maio 2020 às 13:28

Contratado pelo West Ham em julho de 2018, Felipe Anderson mostrou em seu primeiro ano que valeu o investimento de 36 milhões de libras (aproximadamente R$ 246 milhões, na cotação atual) feito pelo clube. Afinal, foi quem mais atuou pelo time na temporada 2018/2019, com 40 jogos disputados. E ainda marcou dez gols, sendo o vice-artilheiro da equipe, um desempenho que chamou a atenção até de Tite, que o convocou para a seleção brasileira.

O desempenho, porém, não se repetiu na temporada 2019/2020. Os gols sumiram – fez apenas um -, acompanhando os resultados ruins do West Ham, que brigava contra o rebaixamento no Campeonato Inglês até a parada do calendário em função da pandemia do coronavírus. Em entrevista ao Estadão, Felipe Anderson admite que se tornou mais conhecido no seu segundo ano no clube e não conseguiu ser criativo para fugir dos marcadores. Mas vê a dificuldade como aprendizado para a sequência de uma carreira em que já ostenta uma medalha de ouro olímpica e a conquista de uma Libertadores pelo Santos.

O meia-atacante admite surpresa com o cenário inédito de paralisação do futebol, mas avalia que ele e outros jogadores têm se cuidado bem durante o período de quarentena. Os times voltaram a realizar os treinos presenciais na última terça-feira no primeiro passo para a disputa das nove rodadas finais do Campeonato Inglês – o West Ham é o 16.º colocado, fora da zona de rebaixamento por causa dos critérios de desempate.

Como foi a sua rotina nesse período de quarentena em casa?
Foi muito intensa. Moro com meus irmãos e começamos a nos ajudar nas tarefas, mas também precisava treinar em casa, seguindo uma rotina, incluindo a alimentação. Está durando muito tempo. Sabemos que precisamos estar firmes se o campeonato voltar.

Quais são as orientações que o West Ham passou a vocês para realizar os treinos em casa?
Eles disponibilizaram algumas coisas e passavam toda segunda-feira um programa a ser feito, com corridas em parques ou trabalhos individuais em casa. Eu buscava fazer no horário em que estávamos acostumados a treinar. Ajudava nas tarefas de casa e tentei estudar no tempo extra.

Como é ficar tanto tempo sem jogar futebol? Como imagina que será o retorno?
Nunca passei tanto tempo sem jogar, o máximo foi nas férias, uns dez dias. É bom jogar profissionalmente e também com os amigos. A gente não pode perder o ritmo, o tempo de bola. Mas vejo que os jogadores estão bem maduros, mesmo os jovens, se cuidando, dando o exemplo de ficar em casa. Todos estão ajudando e se cuidando.

O West Ham havia feito uma campanha consistente no último Campeonato Inglês (10.º colocado), mas nesta temporada luta contra o rebaixamento. O que deu errado?
Não esperávamos uma situação dessas. Temos qualidade, começamos bem, tudo estava dentro do planejado, mas começamos a cair na classificação e não conseguimos sair disso. Tivemos muitas lesões e isso atrapalhou. Nos recompomos e começamos a buscar a reação. É complicado, porque a confiança começa a desaparecer, mas temos jogadores experientes que nos dizem que podemos melhorar e fazer muitos mais. A gente acredita que pode sair dessa situação se o campeonato voltar.

Você caiu de rendimento nesta temporada, após brilhar em seu primeiro ano pelo West Ham. Consegue explicar as razões para isso?
A primeira temporada, quando você se adapta ao estilo do time, é mais fácil. Na segunda, começam a te conhecer mais. Faltou um pouco de criatividade. Meu começo foi bom, mas depois fiquei um pouco bloqueado. Foi um erro não ter mudado meu estilo. O importante é aprender. Comecei a me sentir melhor antes da parada, as coisas começaram a fluir e eu comecei a crescer. A próxima temporada vai ser incrível.

Você faz parte de um grupo de jogadores brasileiros que tem brilhado na Inglaterra, com referências como Willian, Alisson e Firmino. O quanto isso o ajudou na sua adaptação?
A maioria dos brasileiros teve sucesso aqui. Isso ajuda porque é preciso ter confiança quando você chega a um clube. Eu senti isso, que me deram muita confiança. Foi muito bom ver vários brasileiros chegando aqui. Também aprendi bastante quando cheguei, me avisaram que o jogo era muito corrido, com muita pegada, a temporada inteira. Isso fez eu me cuidar mais para aguentar o ritmo.

Um dos momentos mais marcantes da sua carreira foi a conquista da medalha de ouro nos Jogos do Rio-2016. Hoje, seu time joga no Estádio Olímpico de Londres. Como vê essa coincidência?
Você entra no estádio e tem muita coisa falando da Olimpíada, e aí vem a lembrança do quão importante é. Ver que participei, e em uma conquista inédita, torna mais especial jogar em um estádio que foi feito para a Olimpíada.

O West Ham vem tendo desempenho abaixo do esperado como mandante (perdeu 7 de 14 jogos em casa no Inglês). O que acontece?
É incrível. A gente pensa o quanto perdemos em casa, tendo uma torcida incrível. A gente sabe que tem de ter uma base forte de vitórias em casa. Vamos trabalhar nisso. Em casa é primordial vencer.

Você tinha uma amizade grande com Neymar nos tempos do Santos. Ainda mantém contato?
Fomos embora no mesmo período, mas mantivemos uma relação virtual por estarmos sempre em países diferentes. É um cara que amo, fantástico, sempre me ajudou bastante. Além de amigo, é um cara especial para todo mundo.