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JULGAMENTO

Brusque perde pontos na Série B por racismo contra o americanense Celsinho

Clube foi multado em R$ 60 mil pelo STJD, que ainda multou e suspendeu presidente do Conselho Deliberativo

Por Rodrigo Alonso

24 Setembro 2021, às 18h21 • Última atualização 24 Setembro 2021, às 18h24

A 5ª Comissão Disciplinar do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) do Futebol multou o Brusque em R$ 60 mil e tirou três pontos da equipe no Campeonato Brasileiro da Série B, nesta sexta-feira (24), por discriminação racial contra o americanense Celsinho, meia do Londrina.

O presidente do Conselho Deliberativo do clube, Júlio Antônio Petermann, que chamou o jogador de “cachopa de abelha”, também acabou punido com multa de R$ 30 mil e suspensão de 360 dias. Cabe recurso.

Jogador disse que a esposa e o filho choraram após a ofensa – Foto: Ricardo Chicarelli / Londrina EC

O caso aconteceu no dia 28 de agosto, quando Brusque e Londrina se enfrentavam pela 21ª rodada da segunda divisão nacional – o jogo aconteceu em Santa Catarina e terminou empatado em 0 a 0.

Na súmula, a arbitragem cita que Celsinho, no final do primeiro tempo, teria ouvido as seguintes palavras: “vai cortar esse cabelo, seu cachopa de abelha”. O infrator foi identificado pela CBF como presidente do Conselho Deliberativo do Brusque, que jogava em casa.

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Em 10 de setembro, o Londrina ingressou com uma Notícia de Infração no STJD. Na ação, o clube incluiu um vídeo do segundo tempo em que afirma ser possível ouvir um grito de “macaco”, além de outros documentos.

A agremiação ainda mencionou uma nota oficial em que o Brusque tenta desqualificar o atleta, além de um comunicado posterior em que o clube catarinense pede desculpas ao meia.

A Procuradoria enquadrou o Brusque e Petermann no artigo 243-G do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva), que fala em “praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”.

Nesta sexta, em sessão virtual, Petermann admitiu ter chamado Celsinho de “cachopa de abelha”, mas afirmou que não tinha a intenção de ofendê-lo. “De maneira nenhuma eu quis ofender e não imaginei que pudesse dar essa confusão toda. Nessa região, é comum chamar pessoas assim”, disse.

O advogado do Brusque, Osvaldo Sestário, ressaltou que o clube não pode pagar por um ato “isolado” e contestou a veracidade do xingamento de “macaco”.

“O grito foi audível e, se fosse a palavra ‘macaco’, alguém se manifestaria. Ninguém se manifesta, e isso tem de ser levado em consideração. Que seja descartada a palavra macaco. Temos que analisar o processo como um todo, e a cachopa de abelha nem sempre é uma ofensa. O senhor Júlio confessa e fala que não sabia que tinha cunho racista. Juntamos laudo linguístico e perícia, mas acho que ficou claro. O fato é grave. Sim, é grave, mas temos que analisar o contexto”, comentou.

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Procurado pela reportagem, o Brusque ainda não se manifestou sobre a condenação. O LIBERAL não conseguiu contato com Petermann.

Machucou emocionalmente’
Em seu depoimento, Celsinho contou que seus familiares choraram após a ofensa. “O maior peso, onde realmente me machucou emocionalmente, foi pelo lado familiar, ver minha esposa chorando, meu filho chorando, meu filho mais novo sem entender, e eu tendo que explicar que ele não tem de aceitar isso”, declarou.

“É por isso que eu vou até o final nesses casos, justamente por isso, por mexer com meu lado familiar. Em nenhum momento, eu vou ao estádio para pedir que as pessoas me insultem. O tom que ele usou foi de raiva, mas o que me incomodou mais foi que ele se sentiu muito confortável em falar isso, como se de fato ele tivesse atingido o que queria, como se fosse algo prazeroso e conseguiu, porque eu fiquei fora de mim”, acrescentou.

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