Tudo começou com a doçura do açúcar

Canaviais que tingiram a cidade de verde foram responsáveis durante dois séculos por mover a economia local.


Santa Bárbara d´Oeste nasceu e cresceu cercada por plantações de cana. Os canaviais que tingiram a cidade de verde também foram responsáveis durante dois séculos por mover a economia local. O açúcar impulsionou o surgimento dos grandes engenhos e a partir dele das usinas que fizeram a história do município.

1818

A produção de açúcar. Quando Margarida da Graça Martins chegou na região onde hoje está Santa Bárbara, em 4 de dezembro de 1818, a cana-de-açúcar já existia naquelas terras. Dona Margarida, como entrou para a história, era uma senhora do engenho. Veio para Santa Bárbara tomar posse de sua sesmaria e comprou um pequeno engenho de Diogo de Toledo, onde começou a produzir açúcar. Na mesma época ela doou terras para construção de uma igreja que ela dedicou à Santa Bárbara. Esse foi o ponto inicial da pequena vila que se formou ao redor e acabou originando Santa Bárbara.

Foto: Fundação Romi - Centro de Documentação
1818 – Produção de açúcar

1866

Cultivo do algodão diversifica a economia. Chegam os primeiros imigrantes americanos e com eles a cultura do algodão. Tudo começou com a vinda do Coronel William H. Norris, o primeiro norte-americano a produzir o algodão na região. Com o plantio se tornando próspero, outros americanos chegam, compram terras e iniciam sua produção. Os americanos também plantavam melancias, que fizeram a fama de Santa Bárbara em várias cidades do estado. O ciclo do algodão chega até o início dos anos 1970, quando sua cultura ainda resistia na região onde está o bairro Mollon.

Foto: Fundação Romi - Centro de Documentação
1866 – Barracão estação com melancias

1875

Em 27 de agosto de 1875 Santa Bárbara viveu um grande momento do seu desenvolvimento com a inauguração pela família real da estação ferroviária, em torno da qual surgiu a Vila dos Americanos. Ela não pode chegar ao centro de Santa Bárbara porque tinha traçado econômico e foi construída onde está hoje a avenida Dr. Antonio Lobo, em Americana.

1877 – 1883

Surge o primeiro grande engenho. A chegada de Major João Frederico Rehder dá início a uma nova era no município. Ele foi o primeiro a investir na produção de açúcar, estimulado pela alta demanda europeia. Em 1877 ele comprou a fazenda São Pedro e em 1883 inaugura o primeiro grande engenho de Santa Bárbara para produção de açúcar.

1902

Criado grupo escolar. Começa a funcionar em prédio público o primeiro grupo escolar de Santa Bárbara. Depois parou e só foi retomado em 29 de março de 1913. Em 1936 passou a se chamar José Gabriel de Oliveira.

Foto: Fundação Romi - Centro de Documentação
1902 – Grupo Escolar José Gabriel de Oliveira

1910

As primeiras metalúrgicas. As primeiras indústrias começam a se estruturar no ramo metalúrgico. Além do algodão, os americanos inovaram na região com uma nova forma de trabalhar a terra. Eles não usavam enxadas, mas sim arados. Santa Bárbara foi a primeira cidade no Brasil a usar o instrumento, que acabou propiciando o surgimento das oficinas mecânicas e assim as primeiras indústrias do município. Nessa época começou a ser produzido na cidade, o Arado Santa Bárbara o primeiro equipamento do gênero fabricado no País.

1914

Começa a era das usinas de açúcar. A inauguração da fábrica de álcool chama atenção de investidores. Em 1913, em São Paulo, foi constituída a Companhia de Estrada de Ferro e Agrícola de Santa Bárbara com a função de montar uma usina de açúcar, que acabou ficando conhecida como Usina Santa Bárbara. Começava ali a “Usina Santa Bárbara”, que foi oficialmente inaugurada em 25 de julho de 1914 depois de passar por mudanças que incluíram a instalação de destilaria, setor industrial e linha férrea. Segundo o Centro de Documentação Histórica da Fundação Romi, ela se tornou uma das principais usinas do estado de São Paulo, permanecendo em funcionamento até 1995.

Foto: Oswaldo Ribeiro de Gdoy Jr
1914 – Usina Santa Bárbara

Usina Cillos. Segundo o Centro de Documentação Histórica da Fundação Romi, a história da Usina Cillos começa em 1903, quando os imigrantes italianos, Francisco de Cillo e sua esposa Rosa Manco de Cillo, resolvem comprar o Sítio Boa Esperança que já possuía um pequeno engenho de aguardente. Foi adquirido da família Martins de Piracicaba por 5 contos de reis, conforme registros históricos da família. Com os nove filhos alojam-se na casa grande, a única existente na fazenda. Com o casamento dos filhos, novas casas foram sendo construídas, dando início a formação do novo povoado. Todos trabalhavam no engenho, na lavoura e na criação de gado. Em 1910, compram um novo engenho na cidade de Sumaré e o filho Nicola o coloca em funcionamento. Com muito trabalho e o esforço conjunto, novas terras foram sendo adquiridas. Em 1927, uma nova usina foi adquirida na cidade de Franca e, no dia 20 de dezembro de 1965, a grande Usina de Cillo viveu momentos de muita emoção com a produção do milionésimo saco de açúcar. Ela foi desativada em 1979.

Usina Furlan. Sua história começa em 1900, quando a família Furlan compra sua primeira área de terra, o Sítio Matão. Em 1910, começa a produzir açúcar batido em engenho movido por tração animal e moendas de madeira. Somente em 30 de novembro de 1949, a empresa recebe o nome de Usina Açucareira Furlan S/A. A partir de 1978, começou a produzir também etanol. Em julho deste ano, vendeu a produção dos seus canaviais e encerrou as atividades da usina.

1914

Fundação do União Agrícola. Em 22 de novembro é fundado o União Agrícola Barbarense Futebol Clube. José Augusto de Camargo é eleito no mesmo dia o primeiro presidente do clube.

1915

Início do serviço de força e luz. Em 3 de maio, inauguração solene do Serviço de Força e Luz de Santa Bárbara, pela empresa elétrica de Carioba, Rawlinson Müller & Cia.

Foto: Fundação Romi - Centro de Documentação
1915 – Primeira Usina Hidreletrica

 

1917

Ramal ferroviário é inaugurado. É aberto um ramal ferroviário e inaugurada a estação próxima ao centro de Santa Bárbara. Em 29 de julho de 1922 foi estendido o tráfego até Piracicaba inaugurando as estações de Caiubi, Tupi e Taquaral.

1922

Nasce a primeira tecelagem. O cultivo do algodão pelos americanos dá mais um fruto. O setor têxtil surge na cidade com a criação da Cia de Fiação e Tecelagem Santa Bárbara. A companhia era composta por Sábato Ronsini, José Bueno Quirino, José Gabriel de Oliveira, Joaquim Azanha Galvão, Joaquim Veríssimo de Oliveira, José Basso e o Cel. Luiz Alves de Almeida. Mais tarde, o controle acionário da empresa foi transferido para as famílias Cervone e Alves. Entre as décadas de 40 e 50 muitas outras tecelagens acabaram surgindo na cidade. O setor cresceu e se fortaleceu e hoje é um dos que mais empregam no município.

1925

Circula o jornal Cidade de Santa Bárbara. Começa a circular o Jornal Cidade de Santa Bárbara, que se manteve até 1949. Entre 1949 e 1990 circula no município o Jornal d´Oeste.

1931

Surge a Garagem Santa Bárbara. Américo Emilio Romi chega em Santa Bárbara e monta a Garagem Santa Bárbara, fabricante de instrumentos agrícolas. Em 1941 lança o primeiro torno industrial fabricado no País e se fixa entre as grandes exportadoras nacionais do setor metalúrgico.

Foto: Fundação Romi - Centro de Documentação
1931 – Garage Santa Bárbara

1939

Cine Santarosa é inaugurado. Inauguração do Cine Santa Rosa, o primeiro cinema da cidade. Ainda na área cultural, o primeiro teatro foi inaugurado no final do século 19.

Foto: Fundação Romi - Centro de Documentação
1939 – Cine Santa Rosa

1940

Serviço de água e esgoto é inaugurado no município com a entrega da ETA1.

1943

Cidade passa a se chamar Canatiba. Decreto muda o nome de Santa Bárbara para Canatiba. A mudança não agradou a população e em 1944, através de decreto lei estadual 14.334, o município começou a se chamar Santa Bárbara d´Oeste. O “d´Oeste” foi para diferenciar o município dos demais com o mesmo nome. Já existiam na época muitas outras cidades chamadas Santa Bárbara. A mais antiga delas – em Minas Gerais – manteve apenas o “Santa Bárbara”. Todas as demais receberam complementação no nome.

1947

Cidade ganha primeira escola particular. É inaugurada a primeira escola particular de Santa Bárbara, o Ginásio Santa Bárbara.

1949

Imagem de 1940 mostra a cidade no entrono da Igreja Matriz de Santa Bárbara com os canaviais ao fundo

Foto: Fundação Romi - Centro de Documentação
1949 – Praça Cel. Luiz Alves

1956

Romi lança primiero carro brasileiro. Indústrias Romi lançam o primeiro carro brasileiro, o Romi-Isetta, fabricado em Santa Bárbara d’Oeste, com licença de fabricação pela ISO Italiana.

Foto: Fundação Romi - Centro de Documentação
1956 – Romi lança primeiro carro brasileiro

1998

Tivoli é inaugurado. O Tivoli Shopping é inaugurado em 3 de novembro de 1998 e passa a representar um marco para o comércio barbarense.

Foto: Aluisio Bertalia
1998 – Inauguração do Shopping Tivoli

2012

Denso chega à cidade. Centro Tecnológico da Denso do Brasil é inaugurado em 18 de julho de 2012 com a presença do governador Geraldo Alckmin.

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