Supermercados forçaram mudança para manter relevância

Surgimento de grandes centros de compras em Americana fez com que comerciantes encontrassem alternativas para tornar o Mercadão um lugar atrativo


Numa época em que não existiam supermercados ou varejões, o Mercado Municipal impulsionava a economia de Americana com a sua diversidade de produtos. Com a chegada da concorrência, no início dos anos 80, os comerciantes do local precisaram se reinventar, a maioria trocou de ramo e as bancas de verduras e legumes aos poucos desapareceram.

Mas algo continua igual desde a inauguração: o horário de funcionamento. O local permanece aberto de domingo a domingo. Se hoje isso faz diferença, há seis décadas fazia muito mais. Para os pequenos armazéns em bairros afastados do Centro, era difícil a competição.

O comerciante Nencir Antonio Zangiácomo, há 42 anos no Mercadão – e no mesmo ramo –, conta que os mercadinhos fechavam ao meio dia do sábado e só reabriam na segunda-feira. Enquanto isso, as bancas do Mercadão estavam a todo vapor. “O que a gente trazia, vendia”, lembra.

Além de movimentar a economia com o seu leque de produtos, ele também movimentava outro setor: o de transporte. Carroças e charretes ficavam estacionadas no seu entorno, prontas para carregar as compras dos consumidores. Muitas vezes o transporte era pago pelos próprios comerciantes como forma de agrado aos clientes.

O espaço ocupado pelo Mercadão na economia do município se refletia também no interesse dos comerciantes por uma banca no local. Os 52 espaços disponibilizados pela prefeitura na inauguração – 44 internos e 8 externos – estavam todas ocupados e ainda havia uma fila de 30 interessados aguardando desistência.

Hoje, são apenas 16 pontos comerciais representados ali e raros se mantém desde a inauguração. Além de Nencir, outro que resistiu ao longo das décadas no mesmo ramo é a Bomboniere Pegorari.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
José Pegorari, que comanda a banca do pai para vender bolachas e doces; local é o único com piso original

José Pegorari conta que o pai comprou a banca em 1964 e vendia bolachas. “Era bolacha de todo tipo. A gente vendia solta, por quilo. Depois que começaram a chegar embaladas no supermercado, a gente diversificou e passou a vender também balas e doces”.

O espaço ocupado por ele é o único que ainda conserva piso e azulejo originais. Pegorari lembra que o movimento era bom. Os grandes fabricantes na época, como a Tostines, enviavam as bolachas armazenadas em caixas grandes, e os comerciantes as revendiam por quilo. “A gente vendia muito. A Tostines descarregava 150 caixas de bolachas todo mês”.

A realidade atual é diferente. “Ninguém vem mais só para comprar bolacha ou doce. A gente vende para o pessoal que trabalha aqui e para clientes que passam na frente e entram para pegar uma coisinha”.
A passagem do tempo obrigou os comerciantes a administrarem outros problemas, como a queda no movimento provocada pela crise econômica e pela mudança no sistema da Área Azul neste ano.

“Meu movimento caiu entre 30% e 40%”, diz a comerciante Roseli Rangel Muniz, dona da Peixaria Gaivota, há 30 anos no local. Ela conta com a clientela leal para continuar. “Temos clientes de muitos anos, que são fieis e continuam vindo”.

O Mercadão em fotos:

Para o secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico de Americana, João Tavares, apesar das mudanças, o local continua relevante. “Há vários supermercados, mas o Mercadão é um espaço sociocultural e tem sua importância na geração de emprego e renda”.

O diretor de Desenvolvimento Econômico na gestão do ex-prefeito Erich Hetzl Junior e ex-diretor da Acia (Associação Comercial e Industrial de Americana), Matias Mariano, ressalta o potencial do Mercadão defende a união da prefeitura e dos comerciantes.

“O Mercadão é estratégico para a região central. O comércio do centro cresceu a partir dele. Sua existência é de extrema importância, mas os comerciantes do local também precisam querer mudar para melhor, se atualizar e se unir para fazer dele um local moderno e atrativo”.

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