Rosa do Bem ajuda na identificação de câncer

Empresária Maria Fernanda Grecco Meneghel idealizou, há oito anos, a campanha que ajuda na identificação do câncer de mama


Um desejo de fazer a diferença para as pessoas, promovendo qualidade de vida e saúde. Foi essa ideia que motivou a empresária americanense Maria Fernanda Grecco Meneghel a realizar a campanha Rosa do Bem, que acontece todo mês de outubro em Americana para a prevenção do câncer de mama. “Queria fazer algo que mudaria a vida das pessoas”, lembra.

Quem ouve Fernanda contando a história do projeto percebe o quanto ela se envolve com todas as mulheres que passam pela campanha. É esse olhar carregado de empatia que faz a diferença no trabalho da empresária, que desde a infância esteve ligada ao voluntariado.

Com uma “vocação de berço”, Fernanda viu a mãe e a avó paterna envolvidas com diversas causas, e tem lembranças de ainda criança ajudar em festas de arrecadação. Já adulta, ela atuou em diversos projetos sociais, inclusive tendo presidido o Núcleo de Prevenção ao Câncer de Americana.

Foto: João Carlos Nascimento/O Liberal
Caminhada da campanha realizada no ano passado reuniu milhares de pessoas na Avenida Brasil, em Americana

Há oito anos, Fernanda teve a iniciativa de criar a campanha Rosa do Bem. “Eu pesquisava muito e ficou claro se eu estava buscando uma qualidade de vida, eu tinha que atuar na prevenção. Meu marido desde o começo abraçou a causa comigo”, destacou.

O projeto nasceu com uma caminhada de conscientização. A proposta era que as pessoas trocassem a camiseta da Rosa do Bem por alimentos – que por sua vez eram doados a entidades do município. Fernanda também trouxe de Barretos uma carreta para a realização de cerca de 100 mamografias.

Com o passar dos anos, Fernanda foi buscando mais conhecimento sobre o assunto e percebeu a necessidade de atuar nos demais passos que conduzem as mulheres à cura. Um dos momentos importantes na história da Rosa do Bem foi entre 2015 e 2016, quando a empresária passou a buscar as outras etapas do tratamento do câncer.

Ela lembra da história de uma mulher que passou pela carreta e teve uma indicação de ultrassonografia. Após conseguir o exame somente para abril, ela acabou ficando nervosa, brigando com o marido e indo morar na casa da mãe. Fernanda foi procurada pelo esposo, que estava irritado com a situação e preocupado. “Ele me disse: você que faz o outubro rosa? Bonito, mas o meu novembro está negro”.

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal
“Eu pesquisava muito e ficou claro que se eu estava buscando uma qualidade de vida, eu tinha que atuar na prevenção”, diz Maria Fernanda

Fernanda buscou por meio de parcerias a realização do exame. “Convenci ela a voltar, marquei o exame, vimos que era só uma calcificação e ela é minha amiga até hoje, damos muita risada. Mas foi aquilo que me despertou que eu precisava fazer alguma coisa a mais”.

A partir de 2016, ela intensificou o trabalho de arrecadação da Festa do Peão de Americana para auxiliar o Hospital do Câncer de Barretos. No primeiro ano, ela conseguiu R$ 173 mil. Em 2017, esse valor chegou a R$ 534 mil. Na última edição da festa, Fernanda quase bateu a marca dos R$ 700 mil.

Em contrapartida, foi possível aumentar o número de exames oferecidos na carreta para mais de mil. Além disso, a parceria entre a Rosa do Bem e o Hospital garante que as mulheres passem pelos exames complementares e, quando o câncer é diagnosticado, recebam o tratamento em Barretos. Desde 2016, mais de 20 mulheres já trilharam esse caminho e encontraram, ou ainda estão em busca, da cura.

REDE. Outra conquista da Rosa do Bem é aquilo que Fernanda chama de “rede de amor”. As mulheres que passam pelo tratamento e são curadas oferecem suporte às que acabaram de receber o diagnóstico. “Hoje a campanha fala por si, transcende tudo isso. Onde isso vai nos levar? É na vida mesmo, no amor, e vamos melhorando a qualidade da nossa cidade”, aposta.

A área que Fernanda escolheu para dedicar-se é justamente o câncer com maior incidência nas mulheres. O Inca (Instituto Nacional do Câncer) estima que foram registrados 59,7 mil novos casos de câncer de mama em 2018, o que corresponde a 29% das neoplasias malignas no público feminino no ano passado.

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