Rede de Combate ao Câncer: onde o poder público não chega

Considerada uma das 100 melhores ONGs do País em 2017, instituição de Santa Bárbara oferece apoio social aos pacientes oncológicos e família


A Rede Feminina de Combate ao Câncer de Santa Bárbara d’Oeste oferece apoio em diversas áreas que acabam desestruturadas na vida do paciente e da família quando recebem o diagnóstico. Eleita uma das 100 melhores ONGs (organizações não-governamentais) do País em 2017 pelo Instituto Doar, a rede acaba chegando onde o poder público não alcança.

Atualmente, são atendidos 254 pacientes – desses, 34 são crianças. A rede conta com uma equipe multidisciplinar, com nutricionista, pedagoga, monitora de artesanato, assistentes sociais, psicóloga e técnica em enfermagem, além de apoio na área de fisioterapia.

Foto: Marina Zanaki / O Liberal
Rede Feminina de Combate ao Câncer de Santa Bárbara

Superintendente de administração geral da ONG, Carla Eliana Bueno explica que, muitas vezes, as famílias e o próprio paciente entram em um processo de luto quando recebem o diagnóstico, assombrados pelo “fantasma” do medo do tratamento e da morte.

Nessa situação, a parte ativa que cabe ao paciente pode ser prejudicada, colocando em risco o sucesso do tratamento. Isso se dá, por exemplo, quando ele não se alimenta. A desnutrição é um grave problema que pode comprometer as chances de cura, segundo Carla.

“O paciente perde o paladar, a vontade e o estímulo para comer. Todo paciente em tratamento tem que estar atento às plaquetas, quando ficas debilitadas há interrupção no tratamento e volta tudo para trás. Quando a pessoa tem consciência disso ela participa da jornada de cura”, apontou.

A Rede Feminina de Combate ao Câncer está presente em mais de 440 cidades em todo o País. A natureza da entidade pode ser de saúde ou social. No primeiro caso, isso ocorre quando há a necessidade naquela localidade e então é firmada uma parceria com o sistema público de saúde, que permite inclusive a oferta de tratamento.

Já a rede localizada em Santa Bárbara d’Oeste tem caráter social. Dessa maneira, além da oferta de atendimento profissional em áreas complementares ao tratamento, a ONG oferece auxílios.

Isso se dá por meio do fornecimento de medicamentos que não são distribuídos pelo SUS, de suplementos alimentares, alimentação, fraldas, exames a custos mais baixos ou zero com médicos parceiros, além de locomoção das crianças até o Hospital Infantil Boldrini, em Campinas, durante todo o tratamento.

Em 2012, a Rede Feminina de Combate ao Câncer inaugurou o CeAC (Centro de Apoio à Criança), construído com apoio do Instituto Ronald McDonald por meio de Projetos beneficiados pela Campanha McDia Feliz.

Além disso, a ONG conta com o Espaço Dona Rosinha Wakabara, uma parceria com o Rotary Club voltada à capacitação, fortalecendo o emocional, social e até mesmo como possível geração de renda.

“Ninguém está preparado para ter um câncer. Quando isso acontece na vida das pessoas, elas se sentem totalmente perdidas. O principal objetivo para a Rede Feminina é diminuir essa ansiedade ocasionada pelo diagnóstico para que encontre um equilíbrio e, assim, aumentar a chance de cura do câncer”, destacou Carla.

“Somos um braço do poder público que apoia onde ele não consegue chegar”. O custeio de todo o trabalho oferecido pela rede é feito por meio de doações e os atendimentos são voltados a pessoas que moram em Santa Bárbara.

Uniap de Americana

A Uniap (Unidade de Apoio aos Portadores de Câncer) de Americana atende 54 pacientes. Também mantida por meio de doações, a organização oferece atendimento nutricional e psicológico. Além disso, fornece cestas básicas, medicamentos e suplementos alimentares, atendendo assim as necessidades prioritárias. Em alguns casos, o apoio segue sendo realizado mesmo após o término do tratamento.

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal
Grupo terapêutico da Uniap que se encontra uma vez por semana para compartilhar histórias de vida de pacientes

De acordo com a agente de ação social Monique Wegel, o espaço sobrevive do setor de telemarketing que pede doações à população. Outro trabalho oferecido são as visitas domiciliares, no caso dos pacientes que não conseguem se deslocar até a sede da entidade, que fica na Vila Amorim.

A Uniap conta ainda com um grupo terapêutico realizado uma vez por semana, aberto à participação dos pacientes que compartilham suas histórias de vida. Há ainda outras duas unidades da ONG (organização não-governamental) nas cidades de Limeira e Piracicaba.

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