Por trás da pauta: Mercadão é uma janela no tempo

O LIBERAL esteve em todas as bancas do Mercadão, mas foi nas mais antigas que encontramos os principais personagens da jornada


Escrever sobre o Mercado Municipal foi como voltar no tempo. A cada informação sobre a história do local, criava a imagem de como seria a cidade numa época onde os costumes eram outros e aquele espaço tinha o status de ser o principal centro de compras do município.

O Mercadão em fotos:

São poucos os registros fotográficos desse tempo e essa talvez tenha sido a maior dificuldade. A descoberta de uma foto da inauguração do mercadão na capa do LIBERAL de 60 anos atrás foi uma grata surpresa e ajudou a entender a importância daquele momento. A pesquisa em publicações da época foi necessária e revelou os fatos, mas foram os depoimentos que trouxeram a riqueza de detalhes e a emoção que só quem viveu o passado consegue transmitir.

Foto: Marlon Oliveira / O Liberal
Mercadão completa neste 19 de julho sessenta anos de existência e é marco no cotidiano de Americana

Estivemos em todas as bancas, mas foi nas mais antigas que encontramos os principais personagens da jornada. Não tinha como escrever as matérias sem ouvir quem resistiu ao tempo e ainda está por lá. São pessoas que tiveram a paciência de nos contar fatos narrados outras inúmeras vezes.

E aí, mais um desafio. Tentar encontrar algo novo numa história que já dura seis décadas em Americana. Fomos na casa de Dona Luiza (Luiza Padovani, a única remanescente das bancas, que dá nome ao Mercadão) e de Francisco (o Chico, da pastelaria) para ouvi-los. Procuramos também conhecer histórias de quem, de alguma forma, teve sua vida ligada à do Mercado Municipal. Selecionamos quatro que talvez representem muitas.

As lojas do Mercadão


Para a pauta do que é vendido ali, andei pelos corredores para descobrir algo diferente. Não foi difícil. Achei várias coisas, mas o que mais me chamou a atenção mesmo foi algo não mencionado em nenhum texto deste suplemento, mas que deixo registrado aqui. Foi a percepção de que o Mercadão é uma janela no tempo.

O corredor meio escuro, as mercadorias penduradas, as flores, o colorido dos temperos e o cheiro do fumo de corda me deram a sensação de que o tempo lá dentro passou mais devagar e contrasta com o vai e vem dos veículos, o barulho do trânsito e a fila no parquímetro da Área Azul que encontrei do lado de fora, quando saí pela porta lateral e ganhei novamente às ruas. Embora separados por 60 anos, o passado e o presente não poderiam estar mais próximos.

Valéria Barreira é repórter do caderno Cidades / valeria@liberal.com.br

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