Falta de segurança deixa motoristas de app em risco

Assaltos, casos de assédio e agressões são situações que se tornaram recorrentes no dia a dia quem opera os apps de transporte em Americana


A motorista de aplicativo Nilza Campos, de 48 anos, se lembra bem de uma data e horário Era 22 de fevereiro deste ano, um sábado, às 19 horas, quando ela recebeu uma chamada para realizar uma viagem do Terminal Metropolitano de Americana até a Praia Azul. “A gente sempre tem aquilo de pegar aquela última corrida e eu fui ‘premiada’ nessa última”, ironiza.

Ela conta que já na Praia Azul, em uma rotatória da Rua Maranhão, teve seu carro atingido por outro que era conduzido por um homem que tinha sinais claros de embriaguez.

Durante uma discussão por causa do acidente, foi agredida. “Ele me deu soco no braço e a gente entrou em luta corporal. Ficou preto o braço todinho”, conta ela.

A motorista diz que pediu ajuda a colegas de trabalho, que encontraram o homem em um bar bebendo novamente. Nilza afirma que acionou a Polícia Militar e a Gama, mas apenas a segunda enviou uma equipe para atender o caso, após uma hora e meia, quando não foi mais possível realizar o flagrante.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Nilza Campos, de 48 anos, registrou boletim de ocorrência após ser agredida na Praia Azul

“Ainda falei no plantão: sou uma mulher, estou no meio da Praia Azul, eu fui agredida, o cara bateu no carro e está bêbado. Ninguém manda [equipe ao local]”, se queixa.

Nilza, que também já teve celulares levados por três vezes durante assaltos, ainda amargou um prejuízo de R$ 2 mil por causa do acidente.

AGRESSÃO

Já a motorista Lilian Salvarani, de 38 anos, relata que foi agredida no dia 11 de maio, em frente ao Condomínio Guaicurus, em Americana, por uma passageira que queria realizar o trajeto com uma criança de 5 anos, mas não tinha a cadeirinha. Lilian conta que teve seu braço apertado e machucado pela passageira. Sobre o caso dela, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) informou que as investigações estão em andamento na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher).

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Lilian Salvarani foi agredida no dia 11 de maio, ao se recusar a levar uma criança sem a cadeirinha

Em relação à ocorrência de Nilza, apontou que a vítima não compareceu para representação, conforme a orientação na delegacia especializada, e nem para buscar a requisição para exame de corpo de delito.
A motorista Rosângela Nóbrega Ravaneli, de 35 anos, conta que recebeu respaldo da empresa quando foi assediada.

“Eu tive uma situação de assédio, o passageiro desembarcou, eu reportei e em menos de cinco minutos a Uber me ligou com um advogado em contato. Em uma denúncia dessa, a pessoa perde a conta na hora”, relata.

Estado orienta registro e contato com autoridades

Questionada sobre medidas de segurança em relação a crimes envolvendo a categoria, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) comunicou que a Polícia Militar atua na região por meio do programa de policiamento de radiopatrulhamento, Força Tática, Rocam (Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas) e policiamento comunitário.

Foto: João Carlos Nascimento / O Liberal
Orientação é para que motoristas agredidos procurem a polícia e registrem os casos

A orientação da pasta a pessoas vítimas de crimes nestas condições é procurar a PM ou registrar um boletim de ocorrência. O LIBERAL também solicitou ao governo estadual possíveis registros de boletins de ocorrência de situações em que motoristas de aplicativos são acusados por crimes.

Segundo as estatísticas fornecidas, foram quatro casos relatados na RPT (Região do Polo Têxtil) desde 2017: um deles foi em Americana, dois em Sumaré e outro em Nova Odessa. Um caso foi de ameaça, um de furto qualificado, um de porte de drogas e um por acusação de estupro de vulnerável, em outubro do ano passado, em Americana.

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