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Especial Educação

Ensino presencial é desafio para 2021

Vários municípios ainda não definiram protocolos sanitários de retorno às aulas presenciais para o período pós-pandemia

Por Heitor Carvalho

13 dez 2020 às 11:01 • Última atualização 13 dez 2020 às 11:24

Muitas cidades do país adiaram o retorno às aulas presenciais para 2021, por temerem um aumento do contágio de alunos, professores e demais funcionários pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

Agora, os prefeitos eleitos para o próximo mandato terão que decidir se as aulas voltam a ser presenciais, se serão ofertadas de forma remota ou em um modelo misto, além da forma como isso será colocado em prática.

O governo do Estado de São Paulo chegou a estabelecer um cronograma para o retorno às aulas presenciais. As escolas paulistas, desde o dia 8 de setembro, estão autorizadas a retornarem com as atividades extracurriculares para os ensinos fundamental e médio.

Retorno deve respeitar os protocolos da área da Saúde e também da Educação, como 20% da capacidade e somente para atividades presenciais extracurriculares – Foto: Adobe Stock

A partir do dia 7 de outubro, as instituições de ensino médio e EJA (Educação para Jovens e Adultos) do Estado também receberam permissão para voltar às aulas presenciais facultativas. Por fim, em 3 de novembro, escolas do fundamental puderam retornar às aulas presenciais opcionais.

O retorno às aulas está autorizado para municípios há mais de 28 dias na fase amarela e deve respeitar os protocolos da área da Saúde e também da Educação, como 20% da capacidade e somente para atividades presenciais extracurriculares.

No entanto, cada município tem independência para autorizar ou não, o retorno dos alunos às escolas e quais as datas em que isso vai ocorrer. Ao LIBERAL, a assessoria da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo afirmou que a expectativa da pasta é voltar com as aulas presenciais com 100% da capacidade em fevereiro, mas a decisão ainda depende de como estará o cenário nacional e internacional quanto à pandemia da Covid-19.

Das cinco cidades da RPT (Região do Polo Têxtil), quatro definiram por manter o ensino municipal remoto e autorizaram o retorno da rede estadual – Americana, Nova Odessa, Santa Bárbara d’Oeste e Sumaré.

No entanto, de acordo com um levantamento feito em agosto pela Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação), cerca de 50% dos municípios brasileiros não tinham qualquer plano de retorno às aulas preparado e, portanto, não haviam definido medidas sanitárias, como distanciamento social ou aquisição de equipamentos de proteção para garantir a segurança de professores e estudantes.

A Secretaria de Educação de Americana autorizou que a rede privada e a estadual retornassem às aulas presenciais a partir de 3 de novembro. Já as aulas na rede municipal de ensino, assim como as vagas contratadas pela prefeitura na rede particular ou em organizações, continuam suspensas.

As escolas privadas ou estaduais devem comprovar consulta individual aos responsáveis pelos alunos com mínimo de 35% de interessados no retorno às aulas presenciais. Além disso, as instituições devem apresentar à Vigilância Sanitária um plano com os protocolos sanitários em acordo com o Plano São Paulo, do governo estadual.

Já a rede municipal de ensino não retornou às atividades presenciais esse ano, visto que nenhuma escola da rede municipal atingiu o percentual mínimo de 35% estabelecido pela Secretaria para autorizar o retorno.

Segurança
Ao LIBERAL, a Secretária de Educação de Americana, Evelene Ponce Medina, afirmou que todos os itens para segurança sanitária exigidos pelo Plano São Paulo foram comprados pela administração municipal.

“O protocolo da Secretaria de Educação foi elaborado com muito cuidado e as escolas estão terminando de elaborar as normas da comissão interna escolar. O desafio, no meu ponto de vista, é em relação aos servidores e alunos pertencentes ao grupo de risco”, afirmou a secretária.

A assessoria de Chico Sardelli, que assumirá a administração do município a partir do ano que vem, foi questionada sobre quais serão os protocolos para volta às aulas presenciais na cidade. Em nota, o futuro governo americanense disse que “a transição de governo ainda não foi iniciada e portanto é prematuro falar em definições sobre o retorno das aulas”.

Em nota, o Sinpro (Sindicato dos Professores de Campinas e Região), que representa os professores da rede privada, disse que “reitera que é contra o retorno das atividades presenciais no momento, por entender que a pandemia não está controlada e a prática colocará em risco a vida de professores, professoras, funcionários e funcionárias das instituições de ensino, estudantes e seus familiares”.

O professor Haroldo Ramos Teixeira, que atua como Dirigente Regional de Ensino da região de Americana, disse que ainda não há uma previsão sobre a volta às aulas com 100% de presença dos alunos e que a Secretaria de Educação do estado segue o que foi estabelecido pelo Plano São Paulo.

“Nós já temos um cronograma e um calendário definido para o ano letivo de 2021, a partir de fevereiro, mas ainda não temos certeza sobre a quantidade de alunos que irá frequentar as aulas presencialmente. Apenas na fase azul devemos ter 100% de presença. Estamos sendo cautelosos”, afirmou.

Teixeira também explicou que cada escola tem relativa independência para definir medidas de distanciamento social, visto que cada instituição de ensino tem um tipo de estrutura predial disponível e também trabalha com alunos de idade distintas.

Questionado se 2020 foi um “ano perdido” para a educação no país, o professor Renato Mendes Mineiro, Doutor em Educação Matemática pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), disse que não, e que na verdade foi um período de novos aprendizados.

“É preciso criar dinâmicas de reforço escolar focadas no que não se aprendeu. Diante das contingências atuais, não dá para colocar todos os alunos nas mesmas salas, focando os mesmos conteúdos. Alguns precisarão de reforço em determinadas áreas; e outros alunos, em outras. Talvez esteja aí a importância principal da avaliação diagnóstica”, conclui o educador.

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