Desenvolvimento: Tempo de mudança

Nos últimos anos município viu sua estrutura de trabalho sofrer grandes transformações, o que reforça a importância de se pensar novas ações


Foto: Arquivo / O Liberal
O setor de serviços começou a crescer e atualmente é o que mais emprega barbarenses

O fechamento da Usina Furlan, em julho, marcou o fim do ciclo do açúcar em Santa Bárbara. O cultivo da cana fez parte da história do município desde a sua fundação e além de integrar a paisagem da cidade, as usinas ajudaram a compor a economia do município, predominantemente industrial. Nos últimos anos, no entanto, já não era bem assim. O setor de serviços começou a crescer e atualmente é o que mais emprega barbarenses. Calcula-se que 40% deles estão nessa área. Os demais estão distribuídos entre indústria, comércio e setor público.

“A indústria continua crescendo, mas o grande investimento da indústria é na mão de obra. Ela qualifica e remunera melhor, mas trabalha cada vez mais com a terceirização de alguns produtos que não são sua principal linha de negócios. Isso estimula o surgimento de empresas prestadoras de serviço, forçando o aumento dessa cadeia”, avalia o secretário de Desenvolvimento Econômico do município, Miguel Brito.

A cidade possui 14.800 CNPJs ativos. Deste total, 7.020 deles possuem funcionários registrados. Os demais são microempresas e empreendedores individuais, mas nem por isso menos importantes para manter a cadeia econômica funcionando. São autônomos que trabalham sozinhos ou em família, e profissionais liberais. Embora não empreguem, ajudam a mover a economia barbarense.

Cidade quer ocupar ‘vazios urbanos’

Foto: Arquivo - O Liberal
Estratégia é mesclar esses vazios urbanos com empresas e comércios, ao mesmo tempo, durante os próximos anos

A Prefeitura está estimulando o preenchimento dos ‘vazios urbanos ‘ do município com uma série de empresas tanto de comércio de aglomeração como de serviços. O secretário de Desenvolvimento Econômico cita, por exemplo, uma das grandes áreas desocupadas da cidade. É a que fica entre as avenidas São Paulo e Santa Bárbara e que até há algumas décadas era ocupada pela produção agrícola. “Ela está no centro geográfico da malha urbana do município e já tem energia e saneamento. Tem toda uma cidade no entorno. Não precisamos levar nada para lá”.

Segundo ele, já há vários projetos aprovados para aquele espaço. Apenas um deles, prevê 400 lotes para ocupação pelo comércio e serviço. “É um espaço remanescente do que foi a produção agrícola há algumas décadas. Os proprietários foram mantendo, mas agora boa parte já foi vendida. Há grupos que compraram áreas inteiras e estão lançando os empreendimentos. São grandes investimentos e que atrairão outras empresas para o entorno. “Alguns empreendimentos estamos chamando de âncoras porque atrairão outras grandes empresas para o entorno”.

Estratégia. A estratégia na ocupação dos vazios é mesclar o espaço entre empresas e comércio de aglomeração, o que, segundo o secretário, beneficiaria os dois lados. “As empresas concentram mão de obra e essa mão de obra acaba consumindo no entorno do trabalho”, detalha.
Ele cita, por exemplo, os empreendimentos que já existem ao longo da avenida Santa Bárbara e menciona os atacadões localizados ali. Segundo ele, num sábado o estacionamento de um atacadão chega a receber mais de quatro mil veículos. “Eles atraem muita gente e para chegar até eles, os consumidores são obrigados a passar pela avenida. Isso faz com que novos estabelecimentos se coloquem ali porque é um ponto de passagem de muita gente, inclusive da região que vem para a cidade e aproveita para ver e conhecer outros comércios”, detalha Brito.

Santa Bárbara mantém incentivos

Foto: Arquivo - O Liberal
Secretário lembra que a cidade possui 280 quilômetros quadrados de área, sendo que 40% dela é ocupada pela área urbana

Santa Bárbara mantém um programa de incentivo às novas empresas que queiram se instalar no município, amortizando inclusive o investimento que elas farão na cidade. “Esse programa permite que a gente ajude amenizando o seu investimento. Nos baseamos no aumento de arrecadação que ela vai gerar para o município. Uma parte do que gerar a mais de arrecadação volta para ela abater do que gastou com sua instalação. Mas isso só depois que ela começar a gerar essa arrecadação, ou seja, o município nunca coloca a mão no bolso”.

Além do programa, o secretário cita a área territorial e a localização de Santa Bárbara também como atrativos. Ele lembra que a cidade possui 280 quilômetros quadrados de área, sendo que 40% dela é ocupada pela área urbana. “Temos muita terra disponível”. Ele cita também que a cidade é cercada por rodovias de boa qualidade e possui mão de obra qualificada. “Todos esses detalhes ajudam a promover o desenvolvimento do município”.

Construção civil tem impulsionado emprego

Nos últimos três meses, o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), não foi tão favorável para o município. Em agosto, por exemplo, o total de demissões ultrapassou o de contratações. Foram 1.663 demissões, contra 1.582 contratações. Para o secretário, os dados refletiram o número de trabalhadores demitidos pela Usina Furlan. “O impacto do fechamento da usina foi principalmente a questão do emprego, mas já estamos correndo atrás de soluções. Estamos tomando ações para requalificar o pessoal nas áreas em franca expansão no município”.

Ele destaca a construção civil como sendo uma delas. Segundo Brito, nos últimos cinco anos o setor foi impulsionado por uma sequência de novas obras e loteamentos, não apenas na área residencial mas também empresarial. “Agora estamos novamente com muitas obras já aprovadas e prontas para início. Temos empreendimentos aprovados para moradia, mas também empresas de médio porte que já estão programando o início das construções”, relata o secretário de Desenvolvimento Econômico do município, Miguel Brito.

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