‘Consciência da morte muda a forma de viver’

Clara Akiko Miyazanki Costa é terapeuta holística e por mais de 20 anos atuou como enfermeira junto a pacientes oncológicos


A terapeuta holística Clara Akiko Miyazanki Costa, que atuou como enfermeira por mais de 20 anos com cuidados paliativos de pacientes oncológicos, diz acreditar que no momento da doença as pessoas tiram as máscaras e se mostram como realmente são. “Com a consciência da morte, você muda a forma de viver”, disse Clara.

Formada em enfermagem pela USP (Universidade de São Paulo), Clara trabalhou por cinco anos no Hospital Sírios Libanês, na capital paulista. Ela acompanhou a formação do centro de oncologia na unidade, que é referência no tratamento de câncer.

Clara se especializou no Hospital Israelita Albert Einstein e, após ter um contato intenso com pacientes paliativos – sem perspectiva de cura –, fez um curso sobre o lado científico da morte (tanatologia), na USP.

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal
Terapeuta afirma que cuidados paliativos dão vida digna e conforto aos pacientes

A terapeuta afirma que os cuidados paliativos proporcionam vida digna e conforto aos pacientes, ajudando-os também a sanar pendências e finalizar a vida.

“Todo mundo sabe que vai morrer, mas ninguém tem consciência, sempre tem o amanhã, depois eu faço. Uma vez que você tem a consciência da morte, você muda completamente a forma de viver. Você vai valorizar o que é bom para a vida. Qual o propósito da sua existência?”, questiona.

A enfermeira se mudou para o interior junto com o marido, região onde ele possui familiares e onde acreditava que encontraria uma melhor qualidade de vida.

Clara foi contratada pela Unimed de Americana na época em que o convênio montava um setor de oncologia. Com sua experiência, ajudou na instalação. Seu vínculo com a empresa durou 17 anos. Do período, ela diz se lembrar de cada paciente que atendeu.

“Todos usam máscaras, maquiagens, e é tão espetacular trabalhar com pacientes oncológicos porque todos eles tiram a máscara. Não importa raça, classe social, se é PhD, se tem primeiro grau. A doença é a mesma, acomete todos da mesma forma, e o tratamento é o mesmo”, diz.

“Então, nessa hora, é uma ‘delícia’ você lidar com a essência do ser humano íntegro ali, é o que você está vendo. E a aparência física é o que menos importa naquele momento”, compartilhou, em conversa com o LIBERAL.

Clara recebeu a reportagem na sala em que realiza atendimentos em Americana, praticando medicina chinesa. O ambiente calmo, harmonizado com essência e uma música relaxante são indicativos da forma como ela enxerga a vida.

A terapeuta holística pratica medicina chinesa, composta por cinco pilares – ervas medicinais, acupuntura, tui ná (massagem), ventosaterapia e moxa. Sua visão sobre o câncer hoje está ligada ao conhecimento que encontrou na medicina chinesa.

“Hoje, o maior mal, o desequilíbrio do homem, é a inquietação mental. Ansiedade, depressão, medo. Vejo que esses são alguns dos fatores que podem adoecer o corpo e gerar, por exemplo, um tumor maligno. Segundo a medicina oriental, o tumor é uma condensação de energia estagnada”, disse a terapeuta.

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